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sexta-feira, novembro 15, 2024

O Cliente do Bacon com Brócolis Voadores

Era uma noite animada no Boteco do Kardec. Copos brindavam, risadas se espalhavam pelo salão, e o dono do delivery, um frequentador conhecido, chegou mais cedo do que o normal. Pediu uma cerveja, se sentou à mesa e suspirou, já atraindo a curiosidade da turma.

“Vocês não vão acreditar na pérola que ouvi hoje de um cliente,” começou ele, balançando a cabeça com um sorriso incrédulo. “O sujeito teve a coragem de reclamar que achou insetos no pedido!”

A roda de amigos se ajeitou, interessada. Era o tipo de história que pedia uma boa cerveja e risadas à vontade.

“Mas insetos, como assim?” perguntou seu Zé, levantando as sobrancelhas em sinal de surpresa. “Que tipo de bicho ele disse que viu?”

“Pois é, né? Ele jurou de pé junto que viu insetos, logo ali, no meio do bacon e do brócolis!” respondeu o dono do delivery, com um tom de dramatização. “E o mais impressionante: não mandou uma foto, não deu uma prova... só falou, como se eu fosse cair nessa.”

Os amigos ao redor se entreolharam, já rindo da situação absurda.

“Rapaz, essa é boa demais! O que ele queria com isso, afinal?” perguntou Tião, com um sorriso malicioso.

“Ah, o clássico ‘eu quero meu dinheiro de volta,” explicou o dono, com um dar de ombros. “Sem devolver o pedido, sem nada. Ele achou que ia ser moleza. Só mandou mensagem e falou: ‘Olha, tinha bicho, insetos na minha comida, quero estorno, como vamos resolver isso?!’”

“E você acreditou na história do brócolis bichado?” provocou seu Zé, rindo.

O dono do delivery riu junto e respondeu: “Rapaz, brócolis com asas e bacon feito por alienígenas... Não sei, mas era história demais pro meu gosto. Eu até disse que ia investigar, que precisava de uma prova, né? Mas ele ficou irritado, disse que eu estava duvidando da palavra dele!”

Nisso, o garçom do boteco, que sempre estava atento às conversas, se aproximou e não perdeu a chance de dar sua opinião: “Se for pra inventar, pelo menos capricha, né? Por que não disse que o brócolis era carnívoro e foi mordendo ele de volta ou então que tinha asas e saiu voando do prato?”

A roda inteira caiu na risada, e o dono do delivery completou: “É isso! No Boteco do Kardec, o cliente pode ter sempre razão... mas só até começar a fazer brócolis criar perna e asas e sair desfilando pelo bar!”

E como era a cara do sujeito?” perguntou Tião, rindo, já curioso sobre os detalhes.

O dono do delivery não perdeu tempo e respondeu com um sorriso maroto: “Olha, não posso dizer muito, mas a cara dele... tinha mais cara de drogado do que de cliente de delivery. Sabe aquele tipo de pessoa que parece estar em outro mundo? Aposto que o único inseto que ele viu foi na cabeça dele mesmo! O cara tava em Narnia, certeza!”

A turma riu ainda mais, imaginando a cena.

“E você acha que ele tava mesmo vendo bicho ou é só desculpa pra não pagar a conta?” perguntou o garçom novamente, também entrando na brincadeira.

“O cara tava com as drogas na cabeça, com certeza,” respondeu o dono, imitando a expressão de quem está completamente fora de si. “Vai saber o que ele andou misturando antes de fazer o pedido. Mas não é possível, o bacon estava perfeito, o brócolis... de uma cor tão vibrante que eu nem vi onde ele podia ter achado inseto! Se alguém estava ‘viajando’, esse alguém era ele! Agora, na boa, se não tiver drogas no meio disso, esse cidadão é um cara de pau de primeira viu.”

A risada foi geral, e até o garçom se divertiu: “Bom, se a comida tivesse o poder de transformar brócolis em inseto, eu que não ia querer experimentar!”

"E tem mais, como eu não devolvi o dinheiro ao cidadão, vocês acreditam que ele ainda fez uma péssima avaliação no app do restaurante?" Comentou o dono do delivery.

"E aí, como é que você vai responder a essa avaliação que o sujeito deixou? Vai deixar quieto ou vai dar a resposta pra ele?” perguntou seu Zé, já imaginando o tipo de resposta que o dono poderia dar.

O dono do delivery deu uma risada nervosa e balançou a cabeça. “Rapaz, eu tô aqui tentando entender como é que vou responder a essa avaliação. O cara soltou um comentário desses e não mandou nenhuma prova, nada! Quer meu dinheiro de volta sem mostrar que houve qualquer problema!”

“Mas você vai responder ou vai deixar ele com a ‘vitória’ dessa história toda?” insistiu Tião, com um sorriso de canto. “Vai deixar ele achar que tá certo?”

O dono do delivery deu um gole na cerveja e pensou por um instante, como se estivesse ponderando. “Olha, a verdade é que não tem como eu simplesmente ignorar. O cara deixou uma avaliação péssima, falou que tinha ‘bicho’ na comida... Agora, todo mundo vai achar que ele tem razão, mesmo sem nenhuma prova. Eu até pensei em escrever que o único bicho ali era ele, mas acho que ia ficar muito... exagerado demais, né?”

A turma caiu na gargalhada, mas seu Zé, sempre atento, emendou: “Mas se você não responder, ele vai continuar com essa história e vai achar que conseguiu se sair bem, né?”

“Pois é, bem ele não saiu pois não pegou o dinheiro de volta, o golpe falhou” concordou o dono, “mas é aquele dilema... Responder é jogar combustível no fogo, mas se eu deixar quieto, ele vai ganhar. Preciso achar um meio-termo. Vou responder, sim, mas com aquele jeitinho… bem no estilo Boteco do Kardec, sabe? Com um toque de humor, dizendo que o único ‘inseto’ ali era a cabeça dele mesmo!”

Todos riram nesse momento, mas no fundo, o dono do delivery sabia que não poderia responder algo assim pois prejudicaria ainda mais a péssima imagem que o golpista tentou criar. Era necessário refletir.

E a noite continuou, com as risadas sobre o “cliente do brócolis voador” ecoando pelo boteco. Entre uma piada e outra, todos concordaram que a pior melhor parte de trabalhar com o público são essas histórias que acabam virando piada para o resto da vida.

Nosso amigo dono de delivery foi embora sem o boteco saber se ele responderá mesmo ou não ao cliente.. Só esperamos que ele não chegue amanha novamente nesse boteco, contando que estava bêbado e respondeu o cliente daquele jeito sutil!!

Estamos de olho e tentando cuidar dos nossos fregueses fiéis.

Continue acompanhando nosso boteco para mais historias inusitadas como essa do nosso cliente. 

Aqui, nosso torresmo não tem insetos, somente cabelo. Traga seu "prestobarba".

Até a próxima!



segunda-feira, agosto 12, 2024

Avaliando Clientes Pentelhos


Em um dia tranquilo no boteco, entre uma rodada de cerveja e outra, as conversas fluíam com aquele ritmo descompromissado típico de fim de tarde. O som do copo batendo na mesa se misturava com o burburinho das conversas, enquanto os frequentadores do bar aproveitavam o momento para relaxar e contar histórias.

Mas naquela tarde, uma mesa em especial chamava a atenção. Ali, reunidos em torno de uma coleção de garrafas vazias e pratos de petiscos, estavam os donos de delivery que possuíam suas lojas no iFood. A conversa era animada, mas carregava aquele tom meio ácido, típico de quem já passou por poucas e boas no mundo do empreendedorismo.

O assunto? Avaliações de clientes no aplicativo do iFood. Ahhh queridos, que assunto interessante!

Como sabemos, os clientes podem avaliar a experiência de suas compras, mas nem sempre essas notas são boas. E o que fazer quando a crítica é injusta, maldosa, ou simplesmente irritante? Apesar das notas ruins, os donos de delivery não podem responder como realmente gostariam, para não prejudicar a imagem da empresa. Mas ali, no refúgio do boteco, a história era outra. Entre uma cerveja e outra, as respostas que nunca foram dadas começaram a surgir.

Puxa uma cadeira, senta ai tranquilo, pega seu copo, que isso vai ficar bom!

— E aquele cliente que reclamou que o molho estava muito vermelho? - perguntou um deles, dando início ao desfile de histórias - O que eu queria responder era:  - Desculpa aí, na próxima a gente faz um molho transparente, feito água! Vai cair bem com o seu gosto insosso!.

— Insosso!!! Uma bruxa dessas ai já chamou meu macarrão de insosso! - Disse outro na mesa 

- Que porra é essa?

Risos tomaram conta da mesa, e a próxima história logo veio.

— Teve uma vez que me deram uma estrela porque a comida estava quente demais. Olha seu pentelho, eu quase respondi: Da próxima vez, vou mandar um bloco de gelo pra você lamber!

Outro dono de delivery, que até então estava apenas ouvindo, não resistiu e entrou na conversa.

— Eu tive um cliente que disse que o meu macarrão parecia uma papa. Eu só queria responder: virou papa sua sirigaita, porque você foi comer três horas depois que pediu e deixou dentro da embalagem ainda cozinhando. Nem molho tem mais ai.

As gargalhadas eram inevitáveis. Parecia que todos ali tinham uma história para contar.

— E quando um Zé Ruela reclamou que o entregador não sorriu pra ele e não correspondeu às suas "piadinhas". Ainda disse, da próxima vez, manda um entregador com bom humor!
Cara, o sujeito tá correndo contra o relógio, no sol ou na chuva, e quer sorrisinho? Eu queria tanto responder: Se quer sorriso, vai no circo! Aqui, a gente entrega comida, não piada!

Ai deslanchou:

— E uma bruxa que reclamou que tinha pouco camarão no prato? Ainda disse, eu contei, só tinha uns sete. Uns sete? Cara, baixou o espirito de pobre né, só pode. Imagina a cena, a pessoa abre o pedido dela e fica contando quantos camarões tem dentro da embalagem pra poder reclamar depois. Você acha que essa pessoa estava com fome ou só queria reclamar? E mais, a pessoa paga 34,90, e queria meio quilo de camarão no prato dela? Porra mano, Quer comer camarão, pede um especial de camarão ou então se não estiver satisfeita, vai pro Cocu Bambu pagar 150 reais e comer dez camarões ué!! E ainda usou a expressão "Absurdo".

Um deles não se aguentando de rir, ainda pergunta: - Mas fala a verdade tinha sete mesmo?

Ele respondeu: - Tinham oito!!! 

A risada tomou conta do boteco, até as mesas vizinhas riram dessa! E ainda complementou: 

— Mas eram grandes e suculentos! Melhor que Cocu Bambu e por 34,90, tá ótimo! Camarão tá caro pô!

Depois dessa, a mesa pegou fogo e saíram varias pérolas: 

— Meu refrigerante chegou quente, não é possível! Oras, desculpa aí seu panaca, da próxima mando o motoboy numa geleira e, quem sabe, a gente acerta a temperatura que só você acha adequada.

E teve mais: 

— Achei a porção pequena demais pelo preço que paguei. Caramba, desculpa senhora mala sem alça, esqueci de enviar o prato principal: seu bom senso. Vai bem com qualquer porção!

E em meio às inúmeras risadas, ainda sai essa: 

— Por que a pizza demorou tanto? A fome aqui não espera! Ué senhor cabeça de bagre, pensei que você gostasse de suspense. Próxima vez, mando junto uma pipoca pra você curtir o drama da espera!

A última história foi quase uma unanimidade na mesa

— Olha, até meu cachorro cheirou a sua comida e não gostou. Acho que isso diz muito sobre a qualidade, né! 

Todos na mesa olharam espantados com a citação até pelo fato de ser bem forte as colocações do cliente. Mas para manter o clima de descontração, saiu uma resposta bem humorada:

— Pois é querido, manda um abraço pro chef lá da loja, que comeu sua crítica e até pediu bis!

E assim a conversa acabou sendo direcionada para outro assunto, de cozinha a ambientes de trabalho.

Entre mais risadas e alguns brindes, a conversa seguiu, cada um exorcizando seus demônios e aliviando o estresse das avaliações mal-humoradas e problemas do dia a dia, em seus respectivos ramos alimentícios. No fim das contas, ali no boteco, cada dono de delivery encontrou o espaço para dar as respostas que nunca poderiam fazer no aplicativo, mas que certamente aliviam a alma quando ditas em boas companhias.

Essa história, entre outras, você encontra aqui nesse boteco.

Não deixe de nos visitar.

Muito bom te ter por aqui, até breve!

.✌🍻

quinta-feira, julho 04, 2024

Uma Ligação Inesperada

O sol brilhava intensamente naquela tarde abafada, fazendo o ar vibrar com um clima preguiçoso que só um dia normal no boteco poderia oferecer. O cheiro de torresmo fritando se misturava ao aroma familiar de café forte e pinga, criando um ambiente acolhedor e descontraído. 

Os clientes habituais se espalhavam pelas mesas, alguns em animadas conversas, outros saboreando uma cerveja gelada enquanto observavam a vida passar lá fora.

Entre risos e goles de cerveja, um cliente em particular chamava atenção. João, um cara simpático e sempre de bom humor, entrou no boteco com um sorriso no rosto, como quem já é da casa. Cumprimentou o dono, fez uma piada sobre o calor, pediu uma cerveja e logo saiu apressado. Ele parecia estar com a cabeça em outro lugar.

No dia seguinte, João voltou ao boteco, desta vez com um brilho diferente nos olhos. Sentou-se no balcão, pediu um café forte e um cigarro, e começou a conversar com o dono, o nosso querido ouvinte e contador de histórias.

"Rapaz, você não sabe o que me aconteceu ontem!", começou João, dando uma risadinha.

João contou que tinha tido um dia difícil. O trabalho não ia bem e ele se sentia meio perdido, sem companhia para dividir suas frustrações. Estava pensando em como iria passar o resto da noite quando, de repente, o telefone tocou. Do outro lado da linha, a voz suave de Maria, sua ex-namorada, ecoou. Maria sempre foi o grande amor de sua vida, e aquela ligação trouxe uma mistura de surpresa e nostalgia.

Ela o convidou para ir ao seu apartamento. Sem pensar duas vezes, João correu até o boteco, comprou algumas cervejas e se dirigiu ao apartamento de Maria.

Quando chegou, Maria estava sentada no sofá, com um sorriso caloroso no rosto. O apartamento estava um pouco bagunçado, com caixas de pizza e latas de cerveja espalhadas pelo chão. "Parece que você teve uma festa ontem", brincou João.

Maria riu e explicou que tinha recebido alguns amigos no dia anterior. Ela estava visivelmente cansada, mas seu espírito extrovertido e sua alegria eram contagiantes. Eles começaram a conversar, relembrando os velhos tempos e ouvindo música. Maria, sempre brincalhona, acendeu um cigarro e ofereceu um a João.

O calor no apartamento estava insuportável, então Maria trocou de roupa, optando por algo mais "confortável". A música continuava tocando, e logo os dois estavam dançando juntos, deixando-se levar pelo ritmo e pelas lembranças.

À medida que a noite avançava, mais bebidas foram consumidas e a conversa se aprofundava. Maria, sempre tão cheia de vida, estava exausta, mas não deixou a energia cair. Em um momento de sinceridade, ela pediu para João passar a noite lá. "Estou tão cansada, só queria alguém pra estar aqui comigo", disse ela. O mais engraçado de tudo isso era que Joao não estava bem naquele dia, estava solitário e a falta de alguém em conjunto foi suprida pela companhia dos dois.

João nem pensou duas vezes e aceitou. Tomaram um banho rápido e logo ja estavam entrelaçados, juntos novamente naquela noite que não prometia nada mas de repente virou uma noite fantastica. Após os momentos de intimidade, os dois acabaram adormecendo logo em seguida, exaustos, mas felizes por aquela reconexão inesperada.

Na manhã seguinte, João acordou cedo e renovado. Maria também acordou cedo e ainda desfrutaram mais uma vez da companhia do outro. Foi um envolvimento carnal porém reconfortante para ambos. Agora sim, João sentia-se leve e pronto para encarar o dia. Se despediu de Maria com um beijo em seus lábios e voltou ao trabalho, sentindo que tudo tinha valido a pena. A ligação, a noite juntos, a conversa, tudo parecia ter trazido uma nova perspectiva. Ambos sabiam que não era um recomeço e sim uma ajuda mutua entre duas pessoas que ja se amaram porém precisaram da ajuda um do outro.

E foi assim que João voltou ao boteco, cheio de histórias para contar. Entre um gole de café e uma tragada no cigarro, ele compartilhou com o dono do bar e uns dois clientes tontos da noite anterior as aventuras desse dia fora do comum. Todos riram, brindaram e continuaram suas próprias jornadas, sabendo que, às vezes, uma simples ligação pode mudar tudo.

No nosso boteco, histórias como a de João e Maria são comuns. Cada cliente traz um pedaço de vida, uma experiência, uma memória, e nós estamos aqui para ouvir, contar e compartilhar. Afinal, no boteco da vida, sempre há espaço para mais uma história.

Passa aqui depois e tomamos uma cervejinha.

É muito bom te ter por aqui.

#historiasdeboteco
#boteco