terça-feira, fevereiro 10, 2026

O que a leitura me ensinou

O que a leitura me ensinou num dos anos mais difíceis da minha vida


Eu não comecei a ler mais para virar “culto”, nem para postar foto com livro na mão. Comecei a ler porque precisava aguentar a vida, simples assim. Em um dos anos mais difíceis da minha vida, a leitura virou abrigo, um lugar silencioso no qual conseguia respirar quando tudo fora dali parecia pesado demais.

Teve livro que me abraçou, teve livro que me deu tapa na cara, teve livro que me deixou confuso e teve livro que me fez parar no meio da página e pensar: “caramba, isso aqui sou eu”. Em vários momentos, eu não estava lendo personagens, estava lendo versões minhas, espalhadas em histórias diferentes.

Kafka, por exemplo, me mostrou como alguém pode virar peso sem perceber. Vidas Secas me jogou na cara o quanto a vida pode ser dura com quem só tenta sobreviver. Psicologia Financeira me fez entender que sucesso não é só mérito e fracasso não é só culpa. Dale Carnegie me lembrou que, no meio de tudo isso, ainda vale a pena ser humano.

O curioso é que livro bom não serve para confortar o tempo todo, ele revela, as vezes machuca, as vezes incomoda e as vezes desmonta certezas. O capítulo da Baleia, o destino do Gregor, as histórias de gente que caiu e levantou, tudo isso foi entrando aos poucos, como se cada autor estivesse dizendo: “olha, a vida é isso aqui mesmo. Confusa. Injusta. Insegura. E ainda assim, dá pra seguir”.

A leitura me ensinou paciência, ensinou perspectiva, ensinou a parar de me comparar com versões editadas da vida dos outros. Ensinou-me que quase todo mundo está lutando alguma batalha silenciosa, e principalmente, me ensinou que eu não estou sozinho nas minhas dúvidas, nos meus medos e nas minhas tentativas de não desistir.

Teve dias em que eu estava cansado, desanimado, sem vontade de nada, mas mesmo assim, eu abria um livro. Nem sempre para entender tudo, as vezes só para não afundar nos próprios pensamentos. Ler virou uma forma de organizar o caos por dentro.

Hoje eu sei, eu não leio por hábito. Eu leio por sobrevivência emocional, leio para continuar lúcido, leio para não esquecer quem eu sou no meio da confusão. Leio porque, enquanto eu puder sentar, abrir um livro e refletir sobre o que estou vivendo, eu ainda estou no jogo. E, pra mim, isso já é muita coisa.

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