domingo, maio 24, 2026

Socorro - Analise do Filme


Socorro foi um daqueles filmes que me fizeram terminar os créditos olhando pra tela em silêncio tentando entender o que eu tinha acabado de assistir. Sério. Minha reação durante boa parte do filme foi literalmente: “meu Deus… o que é isso?”. Porque ele começa de um jeito relativamente comum, quase parecendo uma comédia romântica mais convencional, mas aos poucos vai se transformando numa espiral absurda de manipulação, tensão psicológica e reviravoltas que vão desmontando completamente qualquer expectativa inicial.

E talvez o mais desconfortável seja justamente isso, o filme não entrega uma sensação de justiça, muito pelo contrário. Com alerta máximo de spoiler, o vilão vence. E vence de todas as formas possíveis. Não existe catarse, não existe aquele momento clássico de alívio moral que muitos thrillers costumam entregar no final. O que sobra é um sentimento estranho de impotência, quase como se o filme estivesse esfregando na sua cara que o mundo real nem sempre recompensa pessoas boas.

A moral que ficou na minha cabeça depois dos créditos foi quase brutal na simplicidade, "proteja a si mesmo custe o que custar". Porque o filme trabalha muito com egoísmo, manipulação emocional, sobrevivência psicológica e jogos mentais entre os protagonistas. E talvez por estar lendo bastante sobre estoicismo, ansiedade, narcisismo e comportamento humano ultimamente, a experiência acabou batendo ainda mais forte.

O mais curioso é que, olhando superficialmente, muita gente talvez espere um filme mais leve ou até algo puxado para romance ou drama psicológico tradicional. Só que "Socorro" tem muito pouco de romantismo de verdade. O relacionamento entre os protagonistas vira praticamente um campo de batalha emocional, no qual cada conversa parece esconder alguma segunda intenção e cada reviravolta deixa a situação ainda mais desconfortável.

E é exatamente isso que fez o filme funcionar tão bem pra mim. Ele consegue sair completamente do caminho esperado e desandar para algo quase perturbador sem precisar depender de sustos baratos ou violência exagerada (eu tive sim alguns sustos). O desconforto vem das atitudes, das escolhas e principalmente da percepção de que algumas pessoas simplesmente atravessam qualquer limite para vencer.

Quando terminou, fiquei alguns minutos parado pensando: “como é que eu vou conseguir escrever uma resenha sobre isso?”

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quarta-feira, maio 20, 2026

A Guerra dos Mundos - HG Wells - Livro

Terminei A Guerra dos Mundos com sentimentos bem divididos. Existe uma ideia brilhante aqui, algo extremamente importante para a ficção científica e que claramente influenciou praticamente tudo que veio depois envolvendo invasões alienígenas. Só que, ao mesmo tempo, como experiência de leitura, o livro me decepcionou bastante em vários momentos. E talvez o mais polêmico seja justamente isso, achei tanto o filme de 1953 quanto a versão com Tom Cruise superiores ao livro. E sinceramente, o filme moderno é infinitamente mais envolvente que a obra original.

O livro tem momentos muito fortes, principalmente quando mostra a sensação de impotência humana diante dos marcianos, mas sofre demais com o excesso de descrição e com uma narrativa que frequentemente parece andar em círculos. Existe uma obsessão enorme do autor em detalhar cidades, territórios, regiões próximas de Londres e descrições geográficas que muitas vezes quebram completamente o ritmo da história. Ele cita um milhão de bairros, regiões e cidades que não fazem muito sentido pra quem nunca foi à Inglaterra. Em vários capítulos parece menos uma narrativa de invasão alienígena e mais uma aula de localização territorial da Inglaterra.

E isso se repete também nas descrições dos próprios marcianos. Claro, é interessante ver H. G. Wells imaginando seres extraterrestres de uma forma tão diferente para a época, mas em alguns momentos a explicação entra num nível tão detalhado de anatomia e fisiologia que parece literalmente uma aula científica. Existe mérito nisso, principalmente considerando o período em que o livro foi escrito, mas para o leitor moderno acaba ficando cansativo.

Outro ponto que me incomodou bastante foi toda a parte envolvendo o narrador e o padre. A convivência dos dois rende capítulos demais para algo que, sinceramente, parece não levar a história para frente. O protagonista passa muito tempo praticamente parado, discutindo sobrevivência, desespero e comportamento humano enquanto a invasão marciana, que deveria ser o foco principal, fica quase em segundo plano. Dá uma sensação constante de enrolação. 

E talvez isso explique parte da minha frustração com o autor. Esse já é o segundo livro de Wells que leio em sequência e novamente fico com a impressão de que as adaptações cinematográficas conseguem pegar a essência da ideia e transformá-la em algo mais interessante do que a própria obra original. Foi exatamente a sensação que tive com A Máquina do Tempo também.

Ainda tenho outros livros dele aqui, como A Ilha do Dr. Moreau e O Homem Invisível, mas confesso que agora já vou preparado psicologicamente, sabendo exatamente o estilo que devo encontrar. Mas aí aconteceu algo interessante.

Quase no final do livro existe uma conversa entre o narrador e um soldado sobrevivente, conhecido como o homem da colina, e ali sim a obra cresce absurdamente. Talvez seja o melhor capítulo do livro. Pela primeira vez, a história para de apenas mostrar fuga e destruição e começa realmente a discutir o impacto da invasão na humanidade.

O soldado acredita que os marcianos não vieram exterminar os humanos, mas dominar o planeta para viver aqui permanentemente, preparando a Terra para a chegada de outros de sua espécie. E diante disso, ele imagina um futuro completamente distorcido, onde parte da humanidade aceitaria viver em gaiolas em troca de comida, quase como animais domesticados dos marcianos. E o pior é que, dentro daquele contexto de destruição total, a ideia nem parece tão absurda assim.

Ao mesmo tempo, ele também fala sobre os humanos que recusariam essa submissão e passariam a viver escondidos nos esgotos, sobrevivendo nas sombras enquanto os marcianos dominariam a superfície. E lendo isso, foi impossível não lembrar imediatamente dos Morlocks de A Máquina do Tempo, também do Wells. Parece quase uma semente da ideia distópica que ele desenvolveria depois. A titulo de curiosidade, "A Maquina do Tempo" foi escrito em 1895 e "A Guerra dos Mundos", escrito em 1898.

Até chegar nesse capítulo, eu ainda achava os filmes claramente superiores ao livro. Depois dele, honestamente? Ficou pau a pau. Porque esse tipo de discussão filosófica, social e psicológica é algo que o cinema dificilmente conseguiria aprofundar da mesma forma. É exatamente aqui que a literatura mostra sua força. 

E então chegamos ao final clássico da história. Os marcianos simplesmente param. As máquinas deixam de se mover e aos poucos descobrimos que eles morreram vítimas de bactérias e doenças terrestres, algo para o qual seus organismos não tinham qualquer defesa imunológica. E existe uma frase do próprio livro que resume perfeitamente isso tudo:

Massacrados por uma doença bacteriana pútrida, contra a qual o sistema deles não estava preparado… exterminados por um dos seres mais humildes que Deus, em sua sabedoria, pôs na Terra.

Frase Genial! Inclusive, essa frase praticamente atravessou gerações e acabou sendo usada também nas adaptações cinematográficas.

A Guerra dos Mundos é um livro extremamente importante para a história da ficção científica, disso não existe dúvida. A questão é que importância histórica nem sempre significa uma leitura envolvente para todos os leitores modernos. Existe uma ideia brilhante aqui, momentos realmente marcantes e discussões muito interessantes, mas também existe uma narrativa excessivamente descritiva e lenta que pode afastar muita gente no caminho.

E talvez a maior qualidade de Wells seja justamente essa, criar conceitos tão fortes que, mesmo quando os livros não me conquistam completamente, ainda assim continuam gerando filmes, debates e histórias fascinantes mais de cem anos depois.

domingo, maio 17, 2026

Demolidor Renascido Segunda Temporada


Demolidor: Renascido - segunda temporada transforma a série na melhor produção da Marvel

A segunda temporada de Demolidor: Renascido consegue algo que parecia difícil hoje em dia, superar uma primeira temporada que já era muito boa e elevar a série para outro nível. E não é exagero falar isso, a sensação assistindo aos episódios é de que finalmente a Marvel entendeu quem o Demolidor precisa ser no audiovisual.

Tudo aqui parece mais intenso, mais violento, mais dramático e mais seguro da própria identidade. A série abraça de vez aquele clima urbano, pesado e brutal que sempre funcionou nos quadrinhos do personagem, sem medo de mostrar sangue, violência física, sofrimento psicológico e personagens moralmente quebrados. Em vários momentos até parece estranho lembrar que isso faz parte do mesmo universo da Disney, porque o tom aqui é completamente diferente do padrão mais leve que a Marvel adotou nos últimos anos. E talvez seja justamente isso que faz funcionar tão bem.

O Demolidor sempre foi um herói mais humano, mais vulnerável e mais próximo do drama policial do que do espetáculo cósmico cheio de piadas, e essa temporada entende isso perfeitamente. O uniforme preto ajuda bastante nessa identidade mais sombria e passa uma sensação quase de vigilante desesperado, alguém cada vez mais consumido pelo próprio mundo ao redor.

Outro detalhe importante é a participação de Brian Michael Bendis na produção, e isso fica evidente o tempo inteiro. Existe uma atmosfera muito parecida com as HQs mais clássicas do personagem, principalmente na forma como os diálogos, os conflitos e o peso emocional das cenas são construídos. Em vários episódios a sensação é literalmente de estar vendo uma HQ do Demolidor ganhar vida. E o elenco ajuda demais nisso.

Matt Murdock continua funcionando muito bem como protagonista, mantendo aquele lado dividido entre culpa, justiça e autodestruição, enquanto ao mesmo tempo segue sendo o eterno “garanhão”, algo que praticamente virou marca registrada do personagem. Já Karen Page continua roubando atenção sempre que aparece. E sim… continua linda.

Mas o verdadeiro coração sombrio da série continua sendo Wilson Fisk. O Rei do Crime talvez seja hoje o melhor vilão que a Marvel já construiu em séries. Ele domina qualquer cena em que aparece, mistura inteligência, brutalidade e manipulação de um jeito absurdo, além de passar aquela sensação constante de ameaça mesmo quando está apenas conversando.

E ainda assim, mesmo com Fisk gigantesco na história, quem rouba completamente a cena em vários momentos é o Bullseye. Que personagem sensacional. Violento, imprevisível, cruel e completamente caótico. Toda vez que ele aparece, a série sobe de nível instantaneamente. Tem momentos em que você simplesmente começa a torcer pelo vilão de tão absurdo que ele é em cena. É impossível não ficar preso nas participações dele.

A segunda temporada também acerta ao abraçar de vez o antigo universo das séries da Netflix. A volta de Jessica Jones funciona muito bem e ajuda a reforçar ainda mais esse clima de continuidade que os fãs queriam há anos. E o pequeno momento envolvendo Luke Cage no final deixa aquela sensação de que esse universo ainda tem muita coisa boa para mostrar.

E sobre o último episódio, cheio de reviravoltas, tensão e decisões pesadas, reforçando tudo que a temporada construiu até ali. Não parece só uma série de super-herói, parece um grande drama policial adulto, brutal e emocionalmente carregado, que por acaso acontece dentro do universo Marvel.

A segunda temporada de Demolidor: Renascido não apenas manteve a qualidade da série, mas elevou tudo. Hoje, olhando para todas as produções recentes da Marvel, fica difícil encontrar algo que chegue perto do nível que o Demolidor alcançou aqui. E talvez o maior elogio possível seja justamente esse, assistir à série hoje parece menos acompanhar um produto da Marvel e mais sentir que você está folheando uma grande HQ viva do personagem.

Todos os episodios da primeira e da segunda temporada de Demolidor Renascido estão disponíveis no Disney Plus.


quinta-feira, maio 14, 2026

Justiceiro One Last Kill


Violência pura e a essência definitiva do personagem, Justiceiro: One Last Kill é brutal. E talvez essa seja a única palavra capaz de resumir o que esse especial entrega. Brutal na violência, brutal no ritmo, brutal na forma como entende perfeitamente quem é o Justiceiro.

Em pouco mais de 45 minutos, a produção consegue fazer algo que muitas séries inteiras não conseguem, capturar completamente a essência do personagem. Aqui não existe espaço para humor forçado, piadinha Marvel ou alívio cômico, é tiro, sangue, vingança e justiça da forma mais crua possível.

E sinceramente, chega a ser surpreendente ver algo assim sendo lançado dentro da Disney. Em vários momentos parece impossível acreditar que aprovaram um material tão pesado visualmente, porque o especial não suaviza nada. A violência é seca, direta e desconfortável, exatamente como uma história do Justiceiro deveria ser.

Mas tudo isso só funciona porque Jon Bernthal está absurdo no papel. Não parece um ator interpretando o personagem, parece o próprio Justiceiro saindo direto das HQs. O olhar cansado, a raiva acumulada, a brutalidade explosiva, Bernthal simplesmente encarnou o personagem de um jeito que hoje parece impossível imaginar outra versão competindo com essa.

E o mais impressionante é que a história nem tenta ser complexa, e nem precisa. O especial entende que o Justiceiro funciona justamente nessa simplicidade violenta, naquele sentimento constante de tensão e inevitabilidade, como se toda cena estivesse a poucos segundos de explodir em sangue e caos.

O resultado é algo extremamente intenso, ao ponto de terminar e deixar aquela sensação física de adrenalina, quase como se você tivesse passado os últimos 45 minutos segurando a respiração.

Justiceiro: One Last Kill talvez seja o material mais fiel ao personagem já feito no audiovisual. Não tenta reinventar Frank Castle, não tenta suavizar sua violência e nem transformar o personagem em algo mais “aceitável”. Apenas entrega o Justiceiro exatamente como ele deve ser. E depois de assistir, fica impossível não querer mais.

Justiceiro One Last Kill está disponivel no Disney Plus.

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segunda-feira, maio 11, 2026

A Guerra Dos Mundos - 1953


Um clássico da ficção científica.

Assistir Guerra dos Mundos hoje é quase como abrir uma cápsula do tempo do cinema de ficção científica. Dá pra perceber claramente a influência que esse filme teve em praticamente tudo que veio depois envolvendo invasões alienígenas, inclusive na versão estrelada por Tom Cruise décadas mais tarde.

A primeira grande diferença está justamente nos invasores. Aqui não existem os famosos tripods andando pelas cidades. As máquinas marcianas sobrevoam tudo, quase como naves flutuantes, o que muda bastante a estética da invasão, mas ainda funciona muito bem dentro da proposta da época.

E tem algo interessante nisso tudo, o filme não perde muito tempo enrolando. Com cerca de 1h25min, ele vai direto ao ponto, mostrando rapidamente o caos causado pelos marcianos e a impotência da humanidade diante da tecnologia alienígena. Inclusive, uma das cenas mais marcantes envolve justamente o uso de uma bomba atômica contra os invasores e simplesmente não acontece nada. É um momento que reforça bem essa sensação de desespero total.

Claro que o filme tem algumas coisas típicas da época, principalmente o romance colocado no meio da história, aquele “romancizinho” clássico que às vezes quebra um pouco o ritmo, mas sinceramente, nada que atrapalhe tanto assim, dá pra aceitar dentro da proposta do cinema dos anos 50.

Também fica muito evidente o quanto a adaptação com Tom Cruise bebeu dessa versão antiga. Existe uma cena praticamente no mesmo espírito, com um marciano invadindo uma casa onde os protagonistas estão escondidos, criando aquela tensão claustrofóbica que funciona muito bem nas duas versões.

Já os marcianos em si são bem estranhos visualmente. Dá pra notar um design meio curioso, até lembrando um pouco o E.T. de Steven Spielberg, ainda que só vagamente. São criaturas com aquele visual clássico de ficção científica antiga, simples, estranhos mas marcantes.

O final também chama atenção pela rapidez. Tudo se resolve de forma muito direta, algo que imediatamente lembra a versão moderna com Tom Cruise, e sinceramente, acredito que o livro original de H. G. Wells deva seguir um caminho parecido, embora eu ainda esteja terminando a leitura e prefira não entrar nisso agora.

E existe ainda um charme involuntário nessa experiência toda, assistir uma versão dublada antiga, com poucos dubladores fazendo várias vozes diferentes, dá quase uma sensação de sessão da tarde perdida no tempo. No meu caso foi ainda mais aleatório, porque precisei assistir em um site russo extremamente duvidoso, já que o filme simplesmente não estava disponível nos streamings nem no YouTube.

A Guerra dos Mundos de 1953 continua funcionando justamente por aquilo que os clássicos fazem de melhor, criar atmosfera. Mesmo com efeitos datados, soluções simples e algumas limitações óbvias da época, o filme ainda consegue passar aquela sensação de ameaça global e medo do desconhecido que fazem da ficção científica algo tão fascinante até hoje.

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sexta-feira, maio 08, 2026

Diario De Um Bebado

O pior do álcool nunca foi a ressaca.

Não era a dor de cabeça.
Não era o enjoo.
Não era acordar no outro dia jurando que nunca mais beberia.

O pior do álcool era a anestesia.
Demorei quase quarenta anos pra entender isso.

A bebida nunca resolveu nada na minha vida. Nunca pagou minhas contas, nunca curou minha ansiedade, nunca salvou meus relacionamentos e muito menos consertou minha cabeça. Ela só desligava tudo por algumas horas. Era como apertar um botão de pausa no mundo.
E eu gostava disso.

Gostava dos bares cheios, das conversas altas, das risadas exageradas, da sensação de pertencer a algum lugar. Gostava daquela falsa impressão de liberdade que aparece depois de algumas cervejas, quando parece que a vida finalmente ficou leve.

Mas ela nunca ficava.
No outro dia, tudo continuava lá.
Os problemas. As dívidas. A ansiedade. O vazio.

As mensagens que eu não deveria ter mandado.
O dinheiro que eu não deveria ter gastado.
O tempo perdido.

Talvez o pior seja perceber que o álcool vai roubando coisas pequenas sem você notar. Primeiro ele rouba suas noites. Depois sua disposição. Sua disciplina. Sua autoestima. Quando você percebe, começa a roubar até a forma como você enxerga a si mesmo.

Existe uma versão minha que aparece quando eu bebo e eu não gosto dela.

Ela fala demais. Gasta demais. Perde o controle. Procura distrações vazias. Tem pensamentos ruins. Age sem filtro. E sempre deixa a conta pro dia seguinte.
E o mais assustador é que durante muito tempo eu achei normal viver assim.

Hoje, olhando pra trás, vejo quantas vezes sentei em um bar sem nem querer estar lá. Eu só não sabia mais o que fazer comigo mesmo. O bar virou rotina. Virou fuga. Virou uma forma de preencher silêncios que eu não conseguia encarar sóbrio.

Só que uma hora cansa. Cansa acordar mal. Cansa perder tempo. Cansa gastar dinheiro tentando esquecer coisas que continuam dentro da gente. Cansa perceber que enquanto sua vida afunda, o relógio continua andando.

Nas últimas semanas, comecei a mudar algumas coisas. Voltei a fazer exercícios. Caminhar. Ler. Comer melhor. Beber água ao invés de cerveja. Parece pouco, mas não é.

Meu corpo começou a responder. Minha mente começou a desacelerar. A ansiedade diminuiu. E pela primeira vez em muito tempo, comecei a gostar da minha rotina sóbrio.

Ainda não é perfeito. Tem dias difíceis. Tem vontade de beber. Tem recaídas. Tem noites em que o vazio aparece do mesmo jeito. Mas existe uma diferença enorme agora

Eu não quero mais fugir disso.

Talvez eu nunca consiga ser aquele cara que bebe socialmente sem ultrapassar limites. Talvez eu precise aceitar isso. E sinceramente? Tudo bem.

Porque hoje eu entendi uma coisa importante
Eu gosto mais de quem eu sou quando estou sóbrio.


sexta-feira, maio 01, 2026

A Vida de Chuck


Um filme sobre o fim, que na verdade é sobre viver.

A Vida de Chuck é um daqueles filmes que começam de um jeito estranho, quase monótono, e que você acha que já entendeu o ritmo, até perceber que não entendeu nada. E quando ele encaixa, vira outro filme completamente diferente. Esse texto contém spoilers.

O filme começa pelo fim. Não o fim da história, mas o fim da vida do Chuck, e tudo parece grande demais, com o mundo colapsando, caos acontecendo, como se fosse um apocalipse, mas aos poucos você percebe que aquilo não é o mundo acabando, é a mente dele se apagando, é a vida dele chegando ao fim, e isso muda completamente a forma como você enxerga tudo que está acontecendo ali.

Depois disso, o filme volta no tempo, mostrando o meio da vida e depois o começo, infância, adolescência, e vai reconstruindo quem ele foi, como ele viveu, o que ele sentiu, e tudo começa a fazer sentido de um jeito muito natural, sem precisar explicar demais, só deixando você ligar os pontos.

E aí vem o que, pra mim, é o coração do filme: a ideia de que viver importa justamente porque ela acaba. Não é sobre grandes feitos, nem sobre algo extraordinário, é sobre viver mesmo, aproveitar, sentir, porque em algum momento isso vai terminar, e a gente nunca sabe quando.

O filme também traz uma ideia muito forte de que as pessoas não são uma coisa só, que dentro de cada pessoa existem várias versões, várias influências, várias “multidões”, como se cada pessoa que passou pela nossa vida deixasse um pedaço ali dentro, e nós fossemos formado por tudo isso.

E talvez por isso o filme funcione tão bem. Porque ele começa parecendo distante, quase frio, e termina sendo extremamente pessoal. Você não sai pensando só no Chuck, você sai pensando em você, se está vivendo de verdade ou só passando o tempo, esperando as coisas acontecerem. 

A Vida de Chuck me surpreendeu. Achei que seria um filme arrastado, mas ele cresce, encaixa e entrega algo muito maior do que parecia no começo. Não é um filme sobre morte. É um filme sobre vida. E sobre como a gente escolhe viver enquanto ainda tem tempo.

Pra finalizar, vale destacar também que A Vida de Chuck é baseado em uma obra de Stephen King, e isso por si só já chama atenção, principalmente por fugir bastante daquilo que muita gente espera do autor, aqui longe do terror mais explícito e muito mais focado em reflexão e emoção. E talvez justamente por esse tom mais sensível e contemplativo, o filme tenha todas as características típicas de produções que costumam aparecer nas premiações, com narrativa diferente, carga emocional forte e uma proposta mais autoral. Por isso mesmo, surpreende o fato de não ter recebido nenhuma indicação ao Oscar, porque é exatamente o tipo de filme que normalmente encontra espaço ali.

A Vida de Chuck está disponivel na Amazon Prime.

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terça-feira, abril 28, 2026

A Longa Marcha - Caminhe ou Morra


A Longa Marcha - Caminhe ou Morra é um daqueles filmes que parecem simples demais na ideia, mas que te pegam justamente pela execução. Não tem arena elaborada, não tem grandes reviravoltas visuais, não tem espetáculo, é só uma estrada, um grupo de jovens e uma regra cruel: continue andando ou morra.

Tudo aqui é mais seco, mais direto e, de certa forma, mais incômodo. Não existe distração, não existe pausa. O filme vai te colocando dentro daquela caminhada e, aos poucos, você começa a sentir o desgaste junto com os personagens. No começo parece até controlado, quase administrável, mas conforme o tempo passa, o cansaço físico vira psicológico, e aí começa a parte mais pesada.

O grande acerto do filme está justamente nisso, ele não depende de ação constante, explosões ou grandes cenas para prender. A tensão vem da repetição, da exaustão, da certeza de que aquilo não vai parar. Cada passo importa, cada desaceleração vira risco, e cada personagem começa a reagir de um jeito diferente à pressão. Alguns tentam manter a sanidade, outros vão quebrando aos poucos, e o espectador fica ali, acompanhando essa deterioração sem conseguir desviar.

E no meio disso tudo, existe uma crítica muito clara. Não é só sobre uma competição absurda, mas sobre sistema, obediência e até sobre como as pessoas se submetem a regras cruéis quando existe algum tipo de recompensa no final. O filme não precisa explicar muito, ele só mostra, e isso já é suficiente para causar desconforto.

Talvez o mais interessante seja que, em determinado momento, deixa de importar quem vai ganhar. A sensação que fica é outra, o que sobra de alguém depois de passar por tudo aquilo. Porque a caminhada não destrói só o corpo, ela vai corroendo a mente, a esperança e qualquer senso de normalidade.

O filme funciona justamente por não tentar ser maior do que precisa. É um filme direto, pesado e desconfortável, que te prende mais pela ideia e pela execução do que por qualquer espetáculo. Não é o tipo de filme que você assiste relaxado, mas é exatamente esse incômodo que faz ele funcionar tão bem. Só lembrando, é um filme baseado na obra de Stephen King.

Assisti o filme no Telecine.


domingo, abril 26, 2026

A Maquina do Tempo - 1960

Clássico imperfeito, mas cheio de charme


Assistir A Máquina do Tempo hoje, tantos anos depois do lançamento, é quase como fazer uma pequena viagem no tempo também, não só pela história, mas pela forma como o cinema era feito naquela época.

A primeira coisa que chama atenção é como esse filme se aproxima muito mais da adaptação dos anos 2000 do que do próprio livro de H. G. Wells. Aqui, o viajante realmente experimenta a viagem no tempo como a gente imagina, passando por diferentes épocas, observando mudanças no mundo e até presenciando momentos ligados às duas guerras mundiais, ainda que de forma rápida. Essa sensação de atravessar eras, vendo tudo mudar ao redor enquanto ele permanece ali, não é muito bem trabalhada mas, curiosamente, é algo que o livro original não explora tanto quanto deveria.

E tem um ponto que, pra mim, é parte fundamental da experiência, o charme dos efeitos especiais antigos. É tudo claramente datado, com soluções simples e até meio “mal feitas” para os padrões de hoje, mas isso não atrapalha, pelo contrário, dá uma identidade própria ao filme. Os Morlocks, por exemplo, são basicamente atores sem camisa com um capacete de monstro, algo bem artesanal, mas que ainda assim funciona dentro da proposta e acaba sendo até divertido de assistir.

Já os Eloi seguem outro caminho. O filme aposta forte na estética, com um futuro cheio de figuras quase perfeitas, e sim, com muitas donzelas bonitas. A personagem Weena, inclusive, acaba sendo um destaque nesse sentido, e não dá pra negar que o filme cria aquele tipo de cenário que faz o espectador pensar, mesmo que em tom de brincadeira, em como seria viver naquele futuro ou até trazer alguém de lá de volta (Weena). E, claro, já que estamos falando de viagem no tempo, sempre fica aquela ideia inevitável de dar um pulinho no futuro só pra conferir o resultado da próxima Megasena.

O final também merece destaque. A sequência com os Morlocks atacando o viajante é bem próxima do que lemos no livro, assim como o epílogo, com ele relatando a experiência aos amigos. E o detalhe da flor deixada por Weena, encontrada no bolso, fecha a história de uma forma simples, mas muito eficaz, mantendo essa conexão emocional com a jornada que ele viveu.

A Máquina do Tempo de 1960 é aquele tipo de filme que você não assiste pela perfeição técnica, mas pela experiência ainda mais porque acabei de ler o livro. Ele pode ter efeitos datados e soluções simples, mas compensa com ideia, atmosfera e um certo charme que só os clássicos conseguem ter. É uma viagem no tempo dentro e fora da tela.

Assisti o filme pelo You Tube, de graça.

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sexta-feira, abril 24, 2026

A Maquina do Tempo - HGWells

Comecei A Máquina do Tempo, do H. G. Wells, com uma expectativa lá em cima, muito por conta das referências que eu já tinha, tanto do filme quanto até de The Big Bang Theory, no qual aparecem elementos como os Morlocks e toda aquela ideia clássica de viagem no tempo que a gente já está acostumado a ver.

Na minha cabeça, o livro seguiria algo mais próximo disso, com o viajante explorando diferentes épocas, mostrando várias eras, brincando mais com as possibilidades da viagem no tempo, mas não é isso que acontece, e talvez esse tenha sido o primeiro choque. A história toma um caminho bem mais específico e concentrado, levando o protagonista para um futuro distante e completamente distorcido, onde existem os Elois na superfície e os Morlocks vivendo nas profundezas.

E é justamente nessa parte que o livro mais me decepcionou. A viagem em si, que era para ser o ponto alto, acabou sendo a parte mais arrastada da leitura, pelo menos na minha experiência. Eu esperava algo mais dinâmico, mais exploratório, e encontrei uma narrativa mais contida, quase presa naquele cenário específico, sem expandir tanto quanto eu imaginava.

Por outro lado, o livro tem méritos claros. A leitura é fácil, a linguagem é direta, e dá para entender por que essa obra é considerada um clássico dentro da ficção científica. Existe uma ideia interessante por trás dessa divisão entre Elois e Morlocks, uma crítica social ali embutida, mesmo que o desenvolvimento não tenha me envolvido tanto quanto eu esperava.

Também vale mencionar a edição que eu li, que faz parte de um box com várias obras do autor, e que é bem caprichada visualmente, o que sempre ajuda na experiência de leitura. Ainda tenho outros três ou quatro livros do mesmo autor aqui, então fica aquela curiosidade para ver se as próximas leituras vão me agradar mais.

A Máquina do Tempo não é um livro ruim, longe disso, mas acabou sendo diferente demais da expectativa que eu criei antes de começar, e isso pesou na experiência. Talvez funcione melhor para quem entra sem referências ou sem esperar algo mais próximo das adaptações que vieram depois.


segunda-feira, abril 20, 2026

Justica Artificial


Justiça Artificial é aquele tipo de filme que surpreende logo de cara. Sem muita enrolação: que pancada. A proposta é simples no papel, mas extremamente bem executada, e o resultado é um suspense que prende do começo ao fim.

O filme acompanha um protagonista que passa praticamente toda a história sentado, sendo julgado por uma inteligência artificial, e mesmo assim, em nenhum momento a sensação é de algo parado ou monótono. Pelo contrário, a tensão é constante, porque o tempo está contra ele. São poucas horas para provar a própria inocência, enquanto tenta reconstruir o que aconteceu no assassinato da própria esposa.

E é aí que o filme acerta em cheio. Ele transforma um espaço limitado e uma situação aparentemente estática em algo dinâmico, cheio de urgência. Você, como espectador, fica completamente envolvido na busca pelas respostas, tentando montar o quebra-cabeça junto com o personagem, desconfiando de cada detalhe, de cada informação que surge.

O protagonista, vivido por Chris Pratt, o eterno Senhor das Estrelas da Marvel, segura bem o filme e consegue transmitir essa mistura de desespero, urgência e necessidade de provar a verdade, mantendo o espectador conectado com a história o tempo inteiro.

O mais interessante é como o filme trabalha a ideia de justiça nas mãos de uma máquina. Até que ponto uma inteligência artificial pode realmente julgar alguém? Existe espaço para erro? Para emoção? Para interpretação? Essas perguntas ficam rondando a cabeça enquanto a trama avança.

E mesmo com essa camada mais reflexiva, o filme não perde ritmo. Cada pista revelada, cada detalhe novo, cada virada na história faz você querer continuar assistindo, entender o que realmente aconteceu e se aquele homem vai conseguir provar sua inocência a tempo.

Justiça Artificial é um daqueles filmes que valem muito a pena, não só pela ideia, que já é interessante por si só, mas pela forma como ela é conduzida, mantendo tensão, ritmo e envolvimento do início ao fim. Te prende pela ideia e pela execução, não precisa de exagero, não precisa de espetáculo, só de uma boa construção e de um roteiro que sabe exatamente como manter você dentro da história até o último momento.

Justiça Artificial está disponivel no Amazon Prime.

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sábado, abril 18, 2026

Caminhos do Crime


Caminhos do Crime chegou com cara de filme intenso, daqueles que prendem pela tensão e pelo ritmo acelerado, muito por conta do trailer, que vende uma história mais eletrizante do que realmente é, e talvez aí esteja o primeiro problema, porque o filme promete uma coisa e entrega outra bem diferente.

O destaque inicial fica por conta do Chris Hemsworth, conhecido por viver o Thor, e que aqui tenta um papel mais contido e mais sério, sem comprometer, mas também sem entregar nada memorável, ficando naquela zona segura de atuação correta que não cria grande conexão com o público.

No meio disso tudo, quem acaba se destacando de verdade é Mark Ruffalo, que rouba a cena sempre que aparece, como o lado policial da historia, , trazendo mais presença e elevando o nível das cenas em que participa, enquanto Halle Berry acaba sendo o oposto disso, com uma participação que pouco acrescenta à história e que poderia facilmente ser retirada sem causar qualquer impacto no desenvolvimento do filme.

O ritmo é mais lento do que deveria, mas não é aquele lento proposital e contemplativo que agrega à narrativa, e sim um andamento que em vários momentos parece arrastado, como se a história estivesse sendo esticada além do necessário. Algo que fica ainda mais evidente em tramas paralelas que não levam a lugar nenhum, como o envolvimento do protagonista com uma personagem que não influencia os acontecimentos e soa apenas como preenchimento de tempo.

Com o passar do filme, essa sensação começa a pesar, não por falta de ideia, mas justamente porque dá para enxergar que existia potencial ali para algo mais tenso, mais envolvente e mais marcante. Só que a execução segue por um caminho previsível, sem grandes riscos, caindo naquele território confortável do “mais do mesmo”.

E quando chega ao final, fica difícil não pensar que o trailer foi mais impactante do que o próprio filme, porque tudo que parecia promissor acaba diluído em uma narrativa que não sustenta a expectativa criada.

Caminhos do Crime não é um filme ruim, mas também passa longe de ser memorável, sendo aquele tipo de produção que você assiste, entende a proposta, enxerga o potencial, mas termina com a sensação de que poderia ter sido muito mais.

Caminhos do Crime está disponível no Amazon Prime


quinta-feira, abril 16, 2026

Quando o Ceu se Engana


Quando o Céu se Engana: entre o humor e a reflexão sobre destino

Assistir Quando o Céu se Engana é uma experiência curiosa. Não é exatamente o filme que você espera, e talvez aí esteja tanto o acerto quanto o problema dele. Logo de cara, ver Keanu Reeves interpretando um anjo já causa um certo estranhamento. Não é ruim, mas é no mínimo curioso.

Existe até um certo charme nisso, porque foge do padrão, mas ao mesmo tempo parece que o filme nunca decide se quer levar isso para o lado mais leve ou mais sério.

A ideia central é muito boa, pois o filme trabalha com essa noção de destino, de consequências, de que a vida pode ser uma sequência de escolhas que, de alguma forma, já estavam desenhadas. É o tipo de proposta que naturalmente faz você olhar para si mesmo e pensar na própria vida, nas decisões que tomou e nos caminhos que acabou seguindo.

Só que, no meio disso tudo, o filme parece tentar empurrar uma sensação de conformismo, como se tudo já estivesse escrito e a gente estivesse apenas vivendo aquilo que merece, sem muito espaço para mudança real. É uma visão que me incomoda um pouco, porque tira parte da responsabilidade ativa das nossas escolhas e coloca tudo quase como inevitável.

E talvez o maior problema seja o tom. Em teoria, o filme flerta com a comédia, mas na prática isso não funciona tão bem. As situações até têm potencial, mas não chegam a arrancar risadas, pelo menos comigo, não funcionou nesse sentido. O que ficou mesmo foi a reflexão.

Não é um filme que você termina rindo, é um filme que você termina pensando. Pensando na vida, nas escolhas, no que poderia ter sido diferente, e talvez esse seja o verdadeiro impacto dele, mesmo que não tenha sido exatamente o que o filme prometia.

Já vi filmes melhores, principalmente dentro dessa proposta, mas ainda assim, "Quando o Céu se Engana" consegue fazer algo importante, te tirar do automático por um tempo e te obrigar a olhar um pouco mais para dentro.

Caminhos do Crime está disponível no Amazon Prime.

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quarta-feira, abril 08, 2026

Meu Silencio Ainda Chama Seu Nome


Meu silêncio ainda chama seu nome

Tem dias em que eu não falo nada.
Não mando mensagem, não procuro saber, não entro em lugar nenhum que possa me levar até você.
Por fora, parece que segui.

Mas por dentro… não.

Existe um silêncio aqui que não é paz.
É ausência.
É espaço vazio com o formato exato de alguém que já esteve.

E o mais estranho é que, mesmo sem som, ele continua chamando.
Chamando você.

Não é um chamado alto, desesperado.
É mais sutil.
Aparece quando acordo e sua imagem vem antes de qualquer pensamento.
Aparece no meio do dia, quando algo simples me lembra de você.
E principalmente à noite, quando tudo fica quieto demais… e não tem mais pra onde fugir.

Eu achei que o tempo ia resolver.
Que bastava não ver, não falar, não sentir.
Mas o sentimento não funciona assim.

Ele não vai embora porque a gente decide.
Ele vai se transformando, se escondendo… até que um dia volta, do nada, só pra lembrar que ainda existe.

E existe.

Mas junto com ele, existe outra coisa agora.
A realidade.

A forma como terminou.
As coisas que não encaixavam.
Os silêncios que doíam mais do que qualquer briga.
A sensação de estar ali… e mesmo assim, não ser prioridade.

Eu sinto sua falta.
Mas também lembro do quanto doía sentir isso enquanto você ainda estava ali.

E talvez seja isso que mais confunde.
Porque o mesmo silêncio que hoje chama seu nome…
é o mesmo silêncio que eu sentia quando você não respondia.

Então eu fico aqui, nesse meio.

Nem completamente preso ao que passou.
Nem totalmente livre pra seguir.

Só aprendendo, aos poucos, a ficar em silêncio…
sem precisar te chamar o tempo todo.

Talvez um dia esse silêncio vire paz de verdade.
Sem saudade que aperta.
Sem lembrança que pesa.

Por enquanto, ele ainda chama.

E ainda ecoa forte demais.


terça-feira, março 31, 2026

Silencio Justificado


Um pequeno silêncio por aqui… mas por um bom motivo.
Se você acompanha o blog, deve ter percebido que o ritmo deu uma diminuída nos últimos dias. Menos textos, menos resenhas, menos presença por aqui.
E não foi por acaso.

Nas últimas duas semanas eu praticamente mergulhei de cabeça em outro projeto: o canal no YouTube. E quando eu digo mergulhei, é isso mesmo. Tempo, energia, foco… tudo foi direcionado pra lá.

Com isso, acabei lendo menos do que gostaria, assistindo menos filmes do que o normal e, consequentemente, escrevendo menos por aqui também. Mas faz parte.

Quem cria conteúdo sabe que às vezes é preciso dar um passo para o lado, ajustar a rota, testar coisas novas e entender para onde a energia está indo. Não dá pra estar em tudo ao mesmo tempo com a mesma intensidade.

O importante é que isso aqui não parou, só ficou em um ritmo diferente. E a boa notícia é que abril promete. A ideia é voltar com mais consistência, trazendo novas resenhas de livros, análises de filmes e textos mais reflexivos, como sempre foi a proposta do Multiverso do Kaka.

Então esse “silêncio” não é abandono.
É só um intervalo estratégico.
E, se tudo der certo, o que vem pela frente vai ser ainda melhor.


sábado, março 21, 2026

Mais um Aniversario


Hoje é meu aniversário.

E, pela primeira vez em muito tempo, eu não estou preocupado em fazer desse dia algo grandioso. Não tem festa, não tem plano mirabolante, não tem expectativa de nada extraordinário, tem só um dia comum… e, curiosamente, isso já diz muita coisa.

O último ano foi duro.

Não foi aquele tipo de dificuldade que dá pra resumir em um problema só. Foi um acúmulo, coisas que não deram certo, decisões que hoje eu faria diferente, perdas que demoraram mais do que deveriam para serem entendidas. Teve momento de raiva, de frustração, de silêncio, teve fase em que a cabeça não parava, e outras em que parecia que nada fazia sentido.

Mas teve uma coisa que eu só fui perceber agora. Eu não parei.

Mesmo nos dias em que tudo parecia travado, eu continuei. Às vezes devagar, às vezes sem direção clara, às vezes só tentando não piorar o que já estava ruim, mas continuei. E isso, olhando com mais calma, já é alguma coisa.

Hoje eu não estou onde eu gostaria de estar, seria mentira dizer isso. Ainda tem muita coisa para resolver, principalmente no lado prático da vida, mas também seria injusto dizer que nada mudou. Mudou, sim.

A forma de enxergar algumas pessoas, algumas situações, e principalmente a forma de enxergar a mim mesmo. Coisas que antes eu aceitava, hoje já não fazem mais sentido, coisas que pareciam indispensáveis, hoje já não têm o mesmo peso. Talvez isso seja crescer. Ou talvez seja só aprender do jeito mais difícil.

Hoje não é um recomeço cheio de energia, daqueles que a gente vê em frases prontas, é mais simples do que isso, é um ponto de continuação. Um momento de olhar pra frente e entender que, mesmo sem todas as respostas, eu ainda tenho caminho. Sem pressa, sem desespero, só seguindo.


quarta-feira, março 18, 2026

Pecadores - Sinners

Um resenha honesta sobre esse filme do inicio de 2025 mas que surpreendeu bastante.


Pecadores é terror, história e crítica social em um só filme, que consegue equilibrar terror sobrenatural com comentários sociais profundos. O destaque inicial vai para a atuação do protagonista, que interpreta os dois irmãos gêmeos de forma tão convincente que, mesmo sabendo que é o mesmo ator, você fica se perguntando, “como fizeram isso?” A performance é impecável, carregada de nuances que diferenciam cada irmão, e dá ao espectador a sensação de estar assistindo a duas pessoas reais, em vez de uma atuação em duplicidade.

A história se passa em um período marcado pela segregação racial e pelo preconceito, destacando, de forma clara e impactante, a presença de grupos extremistas que assombravam a sociedade da época. O filme usa esse contexto como pano de fundo para a narrativa de terror, mostrando que o mal pode estar tanto nas instituições quanto nos espaços isolados e aparentemente seguros.

É nesse cenário que Pecadores introduz elementos de vampiros, mas de uma forma completamente nova. Não são criaturas óbvias ou caricatas; surgem de maneira sutil, quase despercebida, lembrando o clima de Um Drink no Inferno, de Robert Rodríguez. Esse cuidado em mistificar o sobrenatural faz com que o terror seja tanto psicológico quanto visual, e funciona perfeitamente dentro de uma trama que já é densa por si só.

O filme também não perde a oportunidade de trazer críticas sociais relevantes, que ressoam fortemente ainda hoje. Racismo, segregação e injustiça social são tratados com seriedade, reforçando a importância de filmes que, além de entreter, faz o espectador refletir sobre a sociedade. É esse equilíbrio que faz de Pecadores um filme marcante e diferenciado entre os lançamentos de 2025.

Com 16 indicações ao Oscar, o filme confirmou sua força e relevância, conquistando 4 estatuetas, entre elas categorias técnicas e de atuação. Mesmo assim, manteve seu lugar entre os melhores filmes do ano, ao lado de Uma Batalha Após a Outra, do Leonardo DiCaprio, outro que já analisamos aqui no blog.

Em resumo, Pecadores é mais do que um filme de terror, é uma obra que mistura história, crítica social e suspense de forma precisa, impactante e inesquecível. Um daqueles filmes que não apenas assustam, mas fazem o espectador pensar, sentir e refletir sobre a sociedade em que vivemos.

Pecadores está disponivel na HboMax


domingo, março 15, 2026

O Agente Secreto


Assisti O Agente Secreto com uma expectativa bem específica. Sabia que era um filme ambientado na Ditadura Militar Brasileira, estrelado por Wagner Moura e dirigido por Kleber Mendonça Filho, e que vinha sendo muito elogiado em festivais internacionais. Naturalmente imaginei que veria um thriller político intenso, talvez uma história de espionagem, infiltração ou perseguição direta do regime militar. Mas o filme acaba sendo bem diferente disso.

Primeiro vale falar da atuação de Wagner Moura. Ele é, sem dúvida, um grande ator, já demonstrou isso em vários momentos da carreira, principalmente em filmes como Tropa de Elite ou até produções internacionais como Elysium. Nesses papéis ele mostra intensidade, presença e carisma, já aqui porém, a interpretação segue outro caminho. O personagem é extremamente contido, fala pouco e passa grande parte do tempo em silêncio, é uma atuação minimalista, mais baseada em observação e tensão interna. Para alguns críticos isso pode ser visto como algo sofisticado, mas para mim acabou parecendo uma das interpretações menos marcantes dele, não porque ele atue mal, mas porque o papel simplesmente não exige grandes momentos dramáticos.

A história acompanha um professor que aparentemente está sendo perseguido. No começo parece que veremos um caso clássico de perseguição política, alguém fugindo diretamente da máquina repressiva da ditadura, mas conforme o filme avança, a situação parece muito mais ligada a um conflito com um empresário poderoso, alguém que usa sua influência e conexões para resolver problemas de forma violenta. Isso cria uma ambiguidade interessante, não fica totalmente claro se a perseguição é realmente institucional ou se nasce de uma vingança pessoal dentro de um sistema já corrompido pelo poder.

Existe, sim, crítica ao regime militar. Em alguns momentos ela aparece de forma direta, e em outros de maneira simbólica. Uma das cenas mais curiosas é aquela em que uma perna peluda anda sozinha pela praça chutando pessoas e deixando mortos e desaparecidos pelo caminho. É uma imagem estranha, quase surreal, mas que funciona como metáfora para os desaparecimentos da ditadura, quando pessoas simplesmente sumiam sem explicação. É um tipo de linguagem simbólica que talvez passe despercebida por parte do público, mas que carrega uma crítica forte.

Mesmo com esses elementos, o filme tem um problema de ritmo. Com quase três horas de duração, a narrativa é muito lenta e contemplativa. Boa parte da história se constrói em silêncio, observação e pequenos gestos. Isso cria atmosfera, mas também torna a experiência cansativa em vários momentos. Existem cenas fortes, especialmente um tiroteio bastante intenso que chega a ser perturbador, mas elas são raras dentro de um filme tão longo.

No fim das contas, fiquei com a sensação de que esperava um tipo de história e encontrei outra. Achei que veria um thriller político cheio de tensão e ação envolvendo espionagem ou perseguição direta da ditadura, ao invés disso, o que aparece é um drama mais introspectivo sobre paranoia, poder e sobrevivência dentro de um ambiente opressor.

Ainda assim, filmes sobre esse período continuam sendo necessários. A ditadura militar foi um dos momentos mais sombrios da história brasileira, marcado por censura, perseguições e desaparecimentos. Obras que revisitarem esse passado ajudam a manter viva a memória histórica e lembram por que regimes autoritários nunca devem voltar.

O Agente Secreto talvez não seja o filme mais envolvente ou empolgante do ano, mas levanta discussões importantes. Como cinema, pode ser cansativo, como lembrança histórica, continua tendo seu valor.

Quando se fala em filmes sobre a ditadura, sempre aparece alguém dizendo que a crítica política é exagerada ou desnecessária. Eu discordo completamente. A ditadura militar foi um dos períodos mais sombrios da história brasileira, marcado por censura, perseguições, tortura e desaparecimentos. Não existe “excesso” quando o assunto é lembrar esse passado.

Quanto mais obras discutirem esse período, melhor. Cinema, literatura e arte em geral têm justamente esse papel: manter viva a memória histórica para que erros desse tamanho nunca voltem a acontecer. Nesse sentido, O Agente Secreto cumpre uma função importante, mesmo sendo um filme lento e muitas vezes contemplativo, ele reforça a ideia de que havia um clima de medo constante, na qual qualquer pessoa que entrasse em conflito com estruturas de poder podia acabar perseguida ou silenciada.

Relembrar esse período não é apenas revisitar o passado, é também um alerta permanente de que regimes autoritários não surgem do nada, eles se constroem aos poucos, muitas vezes com apoio de setores da sociedade que acreditam estar defendendo ordem ou estabilidade. Por isso, independentemente das qualidades ou problemas do filme, uma coisa é inegável, histórias ambientadas nesse período continuam sendo necessárias, memória histórica não é exagero, é prevenção.

O Agente Secreto está disponivel na Netflix.

sexta-feira, março 13, 2026

Maquina de Guerra


Quando comecei a assistir War Machine, da Netflix, eu tinha certeza de que já sabia exatamente que tipo de filme estava começando. A premissa parecia bem clique norte-americano, treinamento militar pesado, soldados sendo levados ao limite e um protagonista tentando superar um trauma pessoal para conquistar seu lugar entre os Rangers do exército. Tudo apontava para aquele arco clássico de superação, em que o personagem passa por dificuldades, enfrenta seus demônios internos e, no final, recebe a tão sonhada insígnia.

O protagonista é vivido por Alan Ritchson, e aqui vale destacar um ponto importante, ele funciona muito bem nesse tipo de papel. O cara tem presença física absurda, é grande, forte e naturalmente intimidador, mas não é aquele ator engessado que só serve para cenas de ação. Ritchson consegue transmitir emoção, tensão e conflito nas expressões. Dá para sentir o peso que o personagem carrega, principalmente ligado à perda do irmão. Isso ajuda muito a dar credibilidade à história, porque você acredita naquele soldado e nas motivações dele. 

A primeira metade do filme segue exatamente essa linha mais tradicional. Treinamento duro, competição entre os soldados, pressão psicológica e física. Tudo parecia caminhar para aquele final previsível, o personagem principal superando o trauma, provando seu valor e finalmente conquistando seu lugar entre os Rangers. Era o tipo de história que a gente já viu várias vezes no cinema de guerra e de verdade, não entendi o motivo da Netflix falar tanto desse filme com inúmeras propagandas, inclusive por email. Deve ser o ator né, muita gente gosta dele, eu também sou fã.

Só que no meio do filme a narrativa simplesmente vira de cabeça para baixo. Aí eu entendi. Spoilers a seguir.

De repente, o que parecia apenas um exercício militar vira uma situação real de sobrevivência. E aí entra o elemento que muda completamente o rumo da história. O inimigo que aparece no filme é uma mistura inesperada de Predator com algo que lembra os robôs de Transformers. É uma criatura tecnológica, alienígena, extremamente agressiva e quase impossível de enfrentar. Desesperador.

Confesso que não estava esperando por isso pois o filme muda completamente de nível. Aquela narrativa de treinamento militar que poderia acabar ficando repetitiva vira uma verdadeira caçada de sobrevivência. Os soldados deixam de competir entre si e passam a lutar simplesmente para continuar vivos. A tensão aumenta bastante e o ritmo do filme ganha uma energia totalmente diferente.

Outro ponto que ajuda muito a manter o filme interessante é o elenco de apoio. A presença de atores experientes como Dennis Quaid dá um certo peso e validação para a produção e impede que a história vire um pastelão exagerado de ação (e sem noção). Mesmo com a entrada forte da ficção científica, o filme consegue manter um tom sério o suficiente para sustentar a tensão.

Como disse anteriormente, esperava apenas mais um filme genérico de ação de streaming, daqueles que você assiste e esquece logo depois. Mas War Machine acabou sendo uma surpresa positiva. A mudança de direção no meio da história dá uma vida nova ao filme e transforma o que parecia ser apenas mais um drama militar em uma mistura divertida de guerra, ficção científica e sobrevivência.

Não é um filme revolucionário, mas também passa longe de ser apenas mais um produto descartável de catálogo. É um bom filme de ação, que consegue surpreender quando você menos espera.

War Machine está disponivel na Netflix.
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quarta-feira, março 11, 2026

Sonhos de Trem


Sonhos de Trem — Quando um filme encontra a dor da vida real

Eu não sabia quase nada sobre "Sonhos de Trem" quando apertei o play na Netflix. Não vi trailer, não li sinopse, não procurei crítica, apenas sentei para assistir porque esta concorrendo ao Oscar. Talvez por isso o filme tenha me atingido tão forte.

A história acompanha a vida de um homem simples, um trabalhador das ferrovias no começo do século passado. Um homem comum, daqueles que constroem o mundo com as próprias mãos e que quase nunca aparecem nos livros de história.

O filme é lento, mas é um lento que faz sentido. Não é vazio, é contemplativo. A narrativa te coloca dentro da vida daquele homem. Você sente o esforço dele para trabalhar, a dor de ter que deixar a esposa e a filha para trás para ganhar dinheiro, e ao mesmo tempo sente o amor que existe naquela pequena família.

Você não apenas assiste ao filme, você vive o filme. Então acontece a tragédia.

A casa pega fogo enquanto ele está fora trabalhando e a esposa e a filha desaparecem. O filme nunca mostra exatamente o que aconteceu com elas. Não há corpos, não há despedida, não há confirmação absoluta. Só ausência. E talvez essa seja a parte mais cruel da história.

Porque quando alguém morre, existe dor, existe luto, mas existe também um fim, um ponto final. Ali não, fica apenas a dúvida, fica a esperança silenciosa de que talvez elas tenham sobrevivido, e esperança demais, às vezes, também machuca.

A cena que mais me destruiu emocionalmente acontece algum tempo depois da tragédia. Um amigo visita o protagonista e eles saem para caçar. O amigo abate um cervo e quando o personagem se aproxima do corpo do animal… ele simplesmente desaba.

Ele começa a chorar, e naquele momento eu entendi o que estava acontecendo. O cervo tinha um corpo. Ele podia ver, tocar, encerrar aquilo. Já sua esposa e sua filha não.

Não houve despedida.
Não houve corpo.
Não houve fechamento.
Eu chorei junto com ele.

E naquele momento percebi que o filme tinha atravessado uma fronteira, ele deixou de ser apenas uma história na tela e começou a tocar coisas muito pessoais dentro de mim.

Nos últimos meses eu também vivi uma perda. Diferente da dele, mas com algo em comum, não houve fechamento, não houve despedida. A pessoa continua viva, mas a relação acabou, e quando uma relação termina assim, sem explicação clara sem conversas, sem conclusão, é quase como um tipo estranho de luto.

Você fica preso entre duas coisas ao mesmo tempo. Luto e esperança. E essa combinação é devastadora.

Talvez por isso Sonhos de Trem tenha me atingido tão forte, porque o filme fala exatamente sobre isso, sobre viver com a ausência, sobre seguir em frente mesmo quando uma parte da sua vida ficou congelada no passado. O protagonista passa décadas vivendo quase em silêncio, trabalha, envelhece, observa o mundo mudar, sempre carregando aquela memória dentro dele. Até o fim.

No final do filme ele faz um passeio de avião, vê o mundo de cima e parece que toda a sua vida passa diante de seus olhos. Pouco tempo depois, morre sozinho em sua cabana. Mas não morre vazio, morre cheio de lembranças.

Eu também assisti recentemente O Agente Secreto, que está disputando prêmios e recebendo muitos elogios. É um bom filme, sem dúvida, mas não me atingiu da forma que Sonhos de Trem atingiu.

Simplesmente, porque às vezes o melhor filme não é aquele tecnicamente mais sofisticado, é aquele que encontra algo dentro de você que nem sabia que ainda estava doendo. E quando isso acontece, não é apenas cinema, é quase uma conversa silenciosa entre a história na tela e a vida de quem está assistindo.

Sonhos de Trem está disponivel na Netflix.

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terça-feira, março 10, 2026

Encontros Aleatorios


Outro dia aconteceu uma coisa curiosa. Essa historia vai para o Crônicas do Praia.

Eu estava caminhando tranquilamente, fingindo que minha vida estava absolutamente organizada, quando vi duas figuras conhecidas passando. Fiz o que qualquer adulto emocionalmente equilibrado faria. Olhei para o outro lado como se estivesse profundamente interessado numa árvore.

Funcionou por aproximadamente três segundos.
Logo ouvi alguém me chamar. Era ela. A irmã.

Existe um tipo específico de pessoa que tem o talento raro de falar com você como se vocês estivessem conversado ontem, mesmo que tenham se passado meses. Ela é assim. Em poucos segundos já estava brincando comigo, perguntando da vida, comentando que eu estava comportado demais por não estar bebendo.

Eu, claro, respondi com a dignidade de quem está completamente tranquilo por dentro, o que significa que provavelmente falei alguma bobagem.

Depois, no meio do show poucos minutos mais tarde, aquela típica movimentação de gente indo para perto do palco. Eu estava ali atrás, na minha confortável posição de observador profissional da vida alheia, quando ela virou e disse algo do tipo: “vem também”.

E eu fui.

Não porque eu sou uma pessoa facilmente influenciável, mas porque às vezes a vida precisa de pequenos empurrões. Conversamos um pouco, rimos de coisas aleatórias e cada um seguiu seu caminho. Nada demais, nenhum acontecimento histórico, nenhuma grande reviravolta.

Mas tem encontros que são assim mesmo, pequenos e simples
E ainda assim conseguem melhorar um fim de semana inteiro.

Curioso como algumas pessoas entram numa conversa sem fazer esforço nenhum… e deixam um certo eco no resto da semana. Provavelmente é só impressão minha? Acho que não!

Ou talvez seja só mais uma daquelas histórias que acontecem quando a gente menos espera, no meio de uma caminhada, perto de um palco, fingindo olhar para uma árvore.


segunda-feira, março 09, 2026

Crespo esta Demitido - E agora?

O São Paulo estava começando a se encontrar e tudo mudou de novo

Eu estava pronto para escrever um texto sobre a temporada do São Paulo Futebol Clube. A ideia era falar sobre como o time começou o ano cercado de desconfiança e terminou o Campeonato Paulista de uma forma bem diferente do que muitos imaginavam.

No começo do campeonato, o clima era pesado. Defesa vazando, resultados ruins, torcida irritada. Não faltou gente dizendo que o São Paulo estava perdido, sem rumo, e que o ano prometia ser daqueles bem sofridos e que ia amargar a segunda divisão do Paulista. Só que o futebol às vezes muda rápido.

O time foi se organizando, ganhou confiança, passou pelas fases do campeonato, classificou e chegou até a semifinal. Não foi uma campanha perfeita, longe disso, mas já era algo muito diferente daquele cenário pessimista das primeiras rodadas.

Na semifinal veio o clássico contra a porcada, o famoso VARmeiras. Jogo duro, tenso, daqueles que qualquer detalhe pode decidir. E decidiu: o VAR e juiza novamente, como sempre a historia se repetiu, sempre sendo beneficiado pela péssima arbitragem. O São Paulo perdeu, é verdade, mas ficou a sensação de que dava para ir além. Era perfeitamente possível vencer aquele jogo e disputar o título. Mas repito, não dá pra competir com um time que esta SEMPRE sendo beneficiado pela arbitragem. Tinha condições de passar pra final sim, ainda mais considerando que muitas decisões recentes nesses confrontos acabam sempre envolvidas em polêmicas de arbitragem e VAR, algo que virou quase rotina no futebol brasileiro.

Mesmo assim, a impressão que ficou era de que o São Paulo estava encontrando um caminho. Talvez ainda não fosse um time pronto para disputar tudo, mas pelo menos parecia ter voltado a competir de verdade. E foi justamente nesse momento que o roteiro mudou de novo.

A demissão de Hernán Crespo chegou como mais uma reviravolta nesse eterno ciclo do futebol brasileiro. Um técnico que parecia começar a ajustar o time, que havia levado o clube até uma semifinal estadual, de repente é demitido. E aí fica aquela pergunta que sempre aparece nesses momentos, era mesmo a hora de interromper o processo?

No futebol brasileiro tudo parece urgente demais. Projetos raramente têm tempo para amadurecer. Resultados precisam aparecer imediatamente, e qualquer tropeço vira motivo para recomeçar do zero. Enquanto isso, o torcedor fica assistindo a mais uma mudança de rota, tentando entender qual é o plano para o futuro.

O São Paulo começou o ano cercado de dúvidas, reagiu dentro do campeonato e mostrou sinais de evolução. Agora, com a saída do treinador, o clube entra novamente em um momento de incerteza. No futebol brasileiro, quando parece que as coisas começam a se encaixar, quase sempre alguém decide desmontar tudo para começar de novo.

Um detalhe que ajuda a entender toda essa história aconteceu antes mesmo da demissão. Em uma entrevista na televisão, Hernán Crespo afirmou que talvez não fosse o treinador certo para tornar o São Paulo Futebol Clube campeão, e que espera que um dia outro técnico consiga levar o clube novamente aos títulos. A declaração caiu como uma bomba. Quando um treinador admite publicamente que talvez não seja capaz de levar o time a vencer, a mensagem que passa é de falta de convicção no próprio trabalho ou até nas condições que o clube oferece. Muita gente passou a enxergar essa fala como o verdadeiro estopim da saída. Afinal, se o próprio técnico diz que não é o nome para ganhar títulos, a diretoria pode ter entendido aquilo como uma espécie de sentença antecipada. A impressão que ficou foi a de um treinador que já falava como alguém derrotado e o clube que, ao ouvir isso, decidiu simplesmente encerrar o capítulo.

Quem vem agora?
Quem será técnico do tricolor paulista?

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To aqui ainda


Percebi que fazia quase dez dias que eu não escrevia nada por aqui. Para quem costuma manter uma frequência boa de textos, isso já começa a parecer um pequeno apagão criativo. Fevereiro foi um mês intenso, escrevi bastante, talvez mais do que o normal, bati meu próprio recorde de textos publicados em um mês e parecia que as ideias simplesmente não acabavam.

Mas março começou diferente. De repente muita coisa começou a acontecer ao mesmo tempo, alguns problemas pessoais, outras preocupações, compromissos aparecendo, a cabeça cheia… e a vontade de sentar para escrever simplesmente não apareceu. Não foi falta de assunto, foi mais a vida correndo rápido demais.

Quem escreve sabe que às vezes é assim. A escrita acompanha o ritmo da vida e tem períodos em que as ideias fluem quase sozinhas, e outros em que a cabeça parece precisar de um pouco de silêncio para organizar tudo. Mas to aqui, não desisti, tá vindo textos bons essa semana por ai.

sábado, fevereiro 28, 2026

Hamlet - Resenha do Livro

Finalizando mais um livro, a bola da vez foi a versão em prosa de HAMLET, de William Shakespeare. Desculpa a ignorância mas nunca tinha lido o autor e não conhecia a historia do livro, mas de cara, nas primeiras paginas, já gostei. No decorrer da leitura, cheguei na seguinte duvida: é uma historia de vingança, loucura ou busca por verdade? Fiquei esperando uma historia clássica de vingança, um príncipe injustiçado que descobre a verdade sobre o assassinato do pai e parte para acertar as contas. Mas o que encontrei além disso foi muito mais complexo.

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Atenção, spoilers a seguir

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Não vou fazer uma simples analise aqui, vou citar momentos do livro que achei interessante e são importantes para o enredo. O fantasma do pai assassinado de Hamlet aparece e literalmente conta para seu filho como foi morto e por quem. (pasmem). Foi envenenado pelo próprio irmão que assumiu o trono da Dinamarca e ainda casou com sua esposa, mãe de Hamlet. Poise, a partir dali, achei que seria uma historia de vingança somente, e que o protagonista buscaria meios da matar seu tio. Não foi assim.

Ao longo da história, fica cada vez mais difícil enxergar o protagonista como alguém movido pelo desejo de sangue. Ele não elabora planos de assassinato, não fala em emboscadas, não articula uma tomada de poder. O foco dele é desmascarar o crime e provar, não pra ele, mas pra todo os súditos que o casal estava envolvido com a morte de seu pai.

Toda verdade é exposta via a famosa encenação teatral que a realeza assistiu, no qual Hamlet convenceu os atores a encenarem a cena de assassinato. Foi um tanto confuso para quem assistiu o teatro, pois é uma tentativa de expor o Rei diante da corte, dos súditos, das pessoas que cercam o trono. Hamlet quer que todos vejam o que ele já sabe. Fica claro ao casal real que o protagonista sabe o que aconteceu e a partir desse momento, a situação complica para todos os lados.

Ao longo da história, fica cada vez mais difícil enxergá-lo como alguém movido pelo desejo de sangue. Ele não elabora planos de assassinato. Não fala em emboscadas. Não articula uma tomada de poder. O foco dele é desmascarar o crime. Até pensei na hipótese dele desmascarar o Rei, e assumir o trono, mas nem isso ele demonstrou ao longo da obra.

Após a morte do conselheiro do Rei (que não vou citar como essa morte ocorreu), tudo foge do controle.  A tragédia deixa de ser interna e se torna política, se transformando em uma cadeia de consequências inevitáveis. Ofélia, a amada de Hamlet enlouquece e tudo indica que comete suicídio. Laertes, irmão dela, volta sedento por vingança, pois além da irma, o conselheiro era seu pai. O rei passa a agir mais abertamente contra Hamlet, inclusive arma situações para matá-lo.

Pulando para o duelo final, que a primeira vista, parece somente mais um confronto entre cavalheiros mas na verdade era uma emboscada para matar Hamlet, combinado entre o Rei e Laerte, que queria vingança. Só que Hamlet não é mais o mesmo, está cansado, resignado e com uam serenidade estranha, de uma forma que estava aceitando tudo que estava prestes a acontecer. Não há mais o excesso de reflexão do “ser ou não ser”, parece que tudo virou aceitação.

Quando a rainha é envenenada e a conspiração vem à tona, não resta mais dúvida, a prova está diante de todos. Só então Hamlet age sem hesitação, ele mata o rei não como parte de um plano calculado, mas como reação final a um sistema completamente corrompido, por conta de todos eventos acontecendo ao mesmo tempo, Naquele momento, ele já estava envenenado pela lança de seu adversário, Laerte. O que era um simples duelo entre cavaleiros, virou um massacre, uma tragedia que particularmente, como leitor, não esperava. Se Hamlet não agisse naquele momento, o rei venceria em todos os sentidos.

Por isso, é difícil definir a peça como uma simples história de vingança. Também não parece apenas um estudo sobre alguém que pensa demais. Depois da encenação do teatro, os eventos ganham vida própria e escapam do controle. Hamlet não soa como alguém sedento por poder. Em nenhum momento ele fala claramente sobre governar ou reivindicar o trono. Sua luta é moral, ele quer que a verdade seja reconhecida, quer que o crime não permaneça impune.

Talvez a tragédia esteja justamente aí. Num mundo onde a corrupção já está instalada, buscar verdade pode ser tão destrutivo quanto buscar vingança. O final é um massacre. Quase ninguém sobra. E, ainda assim, não senti pena de Hamlet. Senti que ele precisava impedir que o rei saísse vitorioso. Sua última ação não parece explosão de ódio, mas encerramento inevitável. William Shakespeare não escreveu apenas sobre vingança, escreveu sobre dúvida, consciência e o peso de agir quando se enxerga complexidade demais. É um livro relativamente fácil de ler e interpretar, e te da margem para pensar e ter mais de uma interpretação do protagonista. Gostei muito e com certeza será o primeiro de muitos livros lidos do autor.

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Taxas, Algoritmos e Liberdade


Final de tarde, mês com muita chuva, em uma cidade do interior. 

O dia não foi dos melhores mas uma sensação de liberdade e felicidade corre nas veias durante todo dia. Um sensação sem explicação, não de derrota mas de dever cumprido.

É meu ultimo dia de delivery. Não é exagero, nem drama. É o ultimo mesmo, finalmente estou na fase de transição, de fechamento dessa merda para algo que realmente vai me dar satisfação e dinheiro.

O problema nunca foi trabalhar, eu sempre trabalhei. O trabalho não assusta, mas o que cansa é depender de ferramentas que estao alem do nosso controle, é depender de empresas/apps que decidem o seu destino enquanto você só reage.

Ultimo dia, atendimento finalizado, chega de validações de clientes, chega de reclamação de brócolis, ou que as ervilhas eram de lata e não retiradas direto do pé. Chega de justificativa por atraso que não foi meu, chega de desconto automático, chega de golpe pelo Instagram, com gente querendo comida de graça o tempo todo. Chega disso tudo, acabou.

A cozinha está silenciosa. Pela primeira vez em muito tempo, o silêncio não pesa. Ele alivia. E agora vem a parte mais prazerosa do dia. O meu sonho será realizado nesse momento. Sonhei, imaginei, escrevi sobre e finalmente chegou o grande dia: entrar no app do ifood, no gerenciador da loja, abrir chamado e solicitar o cancelado do delivery dentro da plataforma. Repito, não sabe como sonhei com esse dia e finalmente ele chegou. É o momento máximo dessa transição profissional e graças a Deus, esse dia chegou. Não foi fácil chegar aqui com sanidade mas finalmente chegou. Não foi simples, não foi rápido, não foi confortável.

Abrir o aplicativo.
Entrar no gerenciador da loja.
Procurar a opção de suporte.
Abrir um chamado.
Solicitar o cancelamento.

Aquele suspiro, ao mesmo tempo um frio na barriga, meu Deus, está acontecendo. Atendente virtual. Não vou poder xingar ninguém, pensei.... Alem de marcar a opção cancelamento ainda tenho que escrever o que quero. 

- Quero cancelar.

E quando a mensagem automática apareceu perguntando o motivo do cancelamento, eu quase ri.

- Vocês querem só um? Tenho algumas aqui. Tá bom, lá vai:

1- Taxas abusivas

2- Obrigação de usar o banco do ifood (mais taxas)

3- Aplicativo cheio de erros

4- Avaliações não aceitam mais contestação da loja

5- Cliente escreve o que quer e você tem que "negociar" pra melhorar nota

6- Clientes negativando pra ganhar cupons e comida de graça

7- Preços abusivos nos fretes da Entrega Parceira

8- Divulgação gratuita pra quem o app escolher

9- Não há margem para reclamação

10- Péssimo atendimento de suporte

11- Motorista da entrega parceira fazem o que quer o ifood não se responsabiliza

12- Alem das infinitas taxas, mensalidade abusiva

13 - Promoções viraram obrigação e deixou de ser estratégia

14- Péssimas promoções vinculadas aos produtos sem permissão da loja

15- Loja desaparece se não pagar divulgação do próprio app

16- Regalias para as lojas grandes do Ifood esquecendo os menores

17- Vender mais não significa lucro maior, apenas mais desgaste

18- Algoritmo fake, beneficia quem o app quiser

19- Crescer na plataforma significa entregar mais margem

20- Todo risco é da minha loja

21- Ifood não se responsabiliza por nada, nem por cliente, nem por entregador

22- Abre margem para vários tipos de golpes e ainda defende cliente golpista

23- Cardápios engessados

24- Libera opção de usar os motorista do ifood como benefícios, mas cobra com preços exorbitantes

25- Programa Super para gerar benefícios porem é pura propaganda enganosa.

26- Entrega flex que só serve pra pegar margens maiores do lojista

27- Relatórios financeiros duvidosos, com pouca transparência

28- App lojista fora do ar constantemente, ao ponto de perder pedidos.

29- Entrega parceira fora do ar constantemente

30- Lojista refém de uma única vitrine

31- Plataforma incentiva guerra de preços, não qualidade

32- Visibilidade é leilão silencioso

33- Ranking muda e ninguém explica o por quê

34- Fidelização fora do app é considerado crime e passível de punição

35- Nunca se sabe quando uma nova taxa vai surgir

36- Trabalhar mais não significa respirar melhor

37- Negocio saudável não pode depender de algoritmo que ninguém sabe como funciona

38- Cliente avalia o conjunto mas penalidade cai só no lojista

39- Cada nova funcionalidade é pra prejudicar o lojista

40- Plataforma valoriza Cupom, educando mal o cliente

41- cliente aprende a caçar cupom, não a valorizar produto.

42- Todo mês é um recomeço dentro do ranking

43- Não existe estabilidade, só disputa constante por destaque

44- Qualquer mudança no algoritmo impacta direto meu faturamento

45- Promoções agressivas distorcem o valor real do produto

46- Pressão por rapidez ignora a qualidade do processo

47- Reputação virou número e número virou ameaça.

48- Qualquer instabilidade técnica vira prejuízo meu

49- Sensação constante é de estar competindo dentro da própria casa.

50- Meu esforço merece retorno proporcional.

- Atendente Virtual, por enquanto, são essas que lembrei agora, mas tem mais. Só essas já está bom? Tem como cancelar minha participação ai no Ifood? Fico no aguardo tá, quero o comprovante de cancelamento por favor, pois não quero pagar taxa e mensalidade sem usar, tá ok?! Obrigado.

Depois de tantos motivos, o sistema registrou: “cancelamento solicitado”. Simples assim. Tão simples quanto nunca foi estar ali dentro. Fechei o aplicativo, olhei para a loja, e pela primeira vez em muito tempo, senti que o próximo passo é meu. Sem algoritmo, sem ranking, sem taxa surpresa. só eu, meu futuro, minhas decisões, meus objetivos e a responsabilidade que sempre foi minha.

E curiosamente, isso não assusta, Alivia!

Obrigado MisterChef pelos momentos de alegria e de muito desgaste. Você me custou minha sanidade, meu relacionamento, alguns amigos e boa parte da minha saúde física e mental. E me ensinou limites também. Mesmo assim, muito obrigado. 

Quanto a você, Ifood, espero de coração que você tenha muitos concorrentes e largue de ser explorador com os lojistas, que ainda insistem em sobreviver com sua plataforma. E que um dia a relação com eles seja mais equilibrada do que foi comigo.

Até nunca mais!

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Obs: infelizmente, é só uma crônica, um devaneio do que planejo fazer em breve. O delivery ainda está aberto, mas pretendo encerrar as atividades em breve e mudar o rumo profissional. Estou estudando e me preparando pra isso, todos os dias.

Obrigado por visitar nosso blog, é ótimo te ver por aqui novamente.

Até a próxima!