segunda-feira, fevereiro 16, 2026

Predador Badlands


Se você achou que a franquia PREDADOR tinha acabado e que não seria possível ter uma grande filme com esse personagem, sem parecer repetitivo, você estava enganado. PREDADOR BADLANDS é uma baita surpresa. Muita ação, bom enredo, muita coisa nova, vários toques de nostalgia e cenas de lutas o tempo todo, simplesmente o filme não para, não fica monótono hora nenhuma.

O foco é totalmente no Predador, do inicio ao fim, diferentemente dos filmes anteriores em que ele sempre foi quase um coadjuvante enquanto os humanos comandavam a história, em Badlands ele é o verdadeiro protagonista. Acompanhamos sua jornada, suas escolhas, suas perdas e, principalmente, sua luta para sobreviver em um mundo que parece feito para matar.

O nome Badlands não está ali a toa pois o planeta onde a historia acontece é um charme a parte. Tudo é perigoso, desde os animais e plantas exóticas, clima, terreno e muito mais. É um ambiente vivo, extremamente hostil, agressivo e imprevisível o tempo todo. Em vários momentos, a sensação é de que o Predador não está só enfrentando inimigos, mas o próprio planeta.

As cenas de luta são um dos grandes destaques desde a abertura do filme até o final. Coreografias intensas, bem filmadas, brutais na medida certa e cada confronto tem peso, não é só pancadaria gratuita, dá pra sentir o risco real em cada batalha. E, para os fãs, ainda tem o bônus das novas armas apresentadas, armas sensacionais que ampliam o universo da espécie e deixam tudo ainda mais interessante. Depois de assistir a esse filme, quero muito um jogo desse Predador só pra poder utilizar suas armas.

Outro detalhe que chama atenção são as referências à Weyland, empresa famosa por criar androides sintéticos nas franquias Alien e Predador. Esse elo ajuda a conectar universos e dá mais profundidade ao pano de fundo da história, sem virar fã-service vazio.

O roteiro também acerta ao brincar com a expectativa de quem está assistindo. Até a metade do filme, você acha que sabe quem é o grande inimigo, mas não é bem assim. A revelação muda o rumo da história e deixa tudo mais forte, mais tenso, mais envolvente e a partir daí, o filme cresce muito.

E talvez o ponto mais curioso, você torce pelo Predador o tempo todo, não como vilão, mas como alguém tentando provar seu valor, sobreviver e encontrar seu lugar e sua honra. É impossível não se envolver já que o personagem ganha humanidade sem deixar de ser alienígena, violento e implacável. A luta final é outro acerto, é bem construída, emocionalmente carregada, tecnicamente bem feita. Fecha a trajetória do personagem com dignidade, impacto e espetáculo.

No conjunto da obra, Predator Badlands é, sim, forte candidato a melhor filme da franquia superando até o clássico Predador da selva em termos de história, ação e construção de universo. Claro, o primeiro é intocável pelo fator nostalgia, ele faz parte da história do cinema, mas, olhando friamente para narrativa, ritmo, lutas e proposta, Badlands dá um show. É bom demais.

É um filme que respeita o passado, arrisca, muda o foco, expande o universo e entrega uma experiência intensa do começo ao fim. Para quem é fã da franquia, é obrigatório, e para quem nunca se interessou muito por Predador, faça o favor de sair daqui, tomar vergonha na cara e vá assistir o Predador do Arnold. Ou então vai assistir Barbie, talvez seja melhor pra você.

Predador não é mais só um monstro que perseguem humanos no filme e são derrotados por eles no final. Agora, os Predadores tem identidade, historia, cultura e clãs. O Predador finalmente é o protagonista de verdade da sua propria franquia. Assista, você não vai se arrepender.

Predador Badlands está disponível no Disney Plus


domingo, fevereiro 15, 2026

Carnaval


Acordei e percebi antes mesmo de olhar o celular.
A rua estava diferente, mais barulho, mais gente passando, uma música distante atravessando a janela. Aquela mistura de som ruim com empolgação alheia. Carnaval.

Peguei o celular quase no automático. Instagram aberto. A mesma sequência de sempre: fantasia, glitter, copo na mão, legenda falando de felicidade, liberdade, melhor época do ano. Todo mundo parecia vivendo algo grandioso, todo mundo parecia muito certo de estar no lugar certo.

Fechei o Insta.
Não por raiva.
Nem por desprezo.
Simplesmente por falta de paciência

Teve um tempo em que eu estaria ali no meio, planejando roupa, combinando com amigos, esperando a hora de sair. Indo porque todo mundo ia, bebendo porque era o clima, ficando até tarde porque parecia errado ir embora cedo. Quando eu namorava, tudo fazia mais sentido, a confusão era dividida, o barulho era compartilhado, a muvuca virava história pra contar depois, a festa parecia maior quando tinha alguém do lado. Ao mesmo tempo era terrível, andar com namorada no meio da muvuca, com um monte de gente pelada e bêbada. Péssima experiencia, não recomendo.

Bom, hoje, é diferente a sensação.
Hoje eu olho pra isso tudo e sinto… nada.
Não sinto vontade, não sinto falta, não sinto inveja. Sinto paz e alivio por não estar lá.

A ideia de ficar espremido, suado, tentando ouvir alguém falar no meio da música alta, me dá preguiça. Bebida já não anima, acordar mal no outro dia não compensa,  perder tempo fingindo empolgação não vale mais o esforço.

Enquanto a cidade acelera, eu desacelero. Bebo café, abro a janela, escuto o barulho de longe, como se fosse outro mundo. Sento, pego um livro, organizo um pensamento, anoto uma ideia. O silêncio vira companhia, a rotina vira abrigo e tá tudo bem. E, curiosamente, isso hoje me faz mais feliz do que qualquer bloco.

Não é que eu tenha virado chato.
É que eu virei honesto comigo.

Percebi que muitas vezes eu ia porque “tinha que ir”, porque era feio ficar em casa, porque parecia errado não postar nada, porque dava a impressão de estar ficando pra trás.

Mas pra trás de quê?

Hoje, ficar em casa é escolha, não é fuga, não é tristeza, não é isolamento, é consciência. É saber que nem toda festa é pra você, e que tá tudo bem.

Também tem outra coisa que quase ninguém fala. Ficar fora da festa é, às vezes, uma forma de evitar encontros desnecessários. Rostos que já fizeram parte da sua vida, histórias que você achou que tinha encerrado, conversas que não quer mais ter. O Carnaval mistura todo mundo no mesmo espaço, como se o passado e o presente fossem obrigados a conviver e hoje, eu prefiro não testar isso.

Lá fora, o Carnaval segue. Colorido, alto, exagerado, intenso, gente rindo, gente tropeçando, gente vomitando, gente comendo gente, prometendo coisas que não vão lembrar amanhã. Aqui dentro, eu sigo diferente, quieto, inteiro, presente. Sem glitter. Sem copo. Sem foto. Mas em paz. 

E, pela primeira vez, sinto que não estou perdendo nada.

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sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Vidas Secas

Vidas Secas é um daqueles livros que enganam pelo tamanho, pois são poucas páginas, capítulos curtos, linguagem direta. Na teoria, era pra ser uma leitura rápida mas na prática, foi o contrário, demorei mais nesse livro do que em muitos com trezentas páginas. Não porque ele seja emocionalmente pesado o tempo todo. Tirando a parte da Baleia, que dói de verdade, o resto é seco, frio, quase distante. O peso aqui não é sentimental é mental porque o livro exige atenção, tradução, interpretação e nada vem mastigado, você precisa trabalhar enquanto lê e isso cansa.

Fabiano, o protagonista, não é herói, não é exemplo, não é vencedor, é só um homem tentando sobreviver, sem estudo, sem proteção, sem sorte. Trabalha em uma terra que não é dele, vive endividado, é explorado, enganado, humilhado, e continua simplesmente porque não tem opção.

A cena com o Soldado Amarelo resume bem isso. Fabiano é provocado, apanha, é preso injustamente e depois pensa em vingança, imagina usar o facão, sente raiva. Em vários momentos, eu cheguei a achar que ele tinha matado o soldado. O texto é tão imerso na cabeça do personagem que a gente confunde pensamento com ação, mas não, ele não faz nada. Ele engole a raiva e segue a vida. (Precisei ler o capitulo mais de uma vez pra entender isso)

E isso talvez seja a parte mais dura do livro. Fabiano nunca reage de verdade. Nos negócios, é sempre passado pra trás, não entende contas, juros, acordos. Confia, perde, trabalha mais e continua pobre. A família mal conversa, os filhos nem nome têm. São “o mais novo” e “o mais velho”. É como se nem tivessem identidade ainda. Sinhá Vitória sonha com uma cama, não com riqueza, não com luxo, simplesmente uma cama melhor. Esse detalhe diz tudo sobre o nível de privação daquela vida.

A seca não é só cenário, é personagem e ela manda em tudo, decide quando a família anda, quando para, quando passa fome, quando foge. E eles fogem o tempo todo. O mais simbólico é o final. O livro termina como começa. A família indo embora, de novo, em busca de uma vida melhor que talvez nunca venha, ou seja, nada mudou, só o tempo passou. É o ciclo da miséria.

Quando terminei, entendi por que esse livro é tão importante. Não é uma história “bonita”, não é confortável, não tenta emocionar fácil, ele mostra a pobreza sem romantizar, mostra a exclusão sem discurso, mostra a injustiça sem panfleto. Só mostra e deixa você lidar com isso.

No começo, confesso que achei difícil, arrastado, complicado demais pra tão poucas páginas. Voltei capítulos, reli trechos, me perdi em palavras do sertão e situações, mas, no final, fez sentido e acredito que era pra ser assim, não era pra fluir, era pra incomodar. Vidas Secas não é um livro pra gostar, é um livro pra entender e depois que você entende, ele fica com você.

quinta-feira, fevereiro 12, 2026

A ilusão do empreendedor solo


Durante muito tempo, venderam a ideia de que ser empreendedor é ser livre. “Seja seu próprio chefe”, “faça seu horário”, “trabalhe pra você”. Parece bonito, libertador, parece a saída perfeita pra quem não quer viver preso a chefe, empresa ou rotina engessada. Eu também acreditei nisso.

Na prática, ser empreendedor solo é descobrir que você troca um chefe por vários. Plataforma, cliente, taxa, algoritmo, entrega, boleto, fornecedor, prazo, humor do mercado. Todo dia alguém manda em você, só não é a mesma pessoa.

Você acorda pensando em custo, dorme pensando em conta, abre o aplicativo e já sabe que vai ter surpresa, taxa que muda, regra nova, comissão maior, frete absurdo, e você não decide quase nada, só se adapta. A tal “liberdade” vira sobrevivência.

Tem o cansaço físico, claro, mas o pior é o mental, é estar sempre ligado, sempre alerta, sempre preocupado, mesmo nos dias sem venda, o peso continua. Aluguel não tira folga, cartão não espera, boleto não entende “fase ruim”. E tem a solidão.

Ninguém vê o bastidor, ninguém vê você fazendo conta na madrugada, ninguém vê você refazendo preço dez vezes, ninguém vê a ansiedade antes de abrir o app. As pessoas só conseguem enxergar que você tem um negocio próprio, é empresário. Parece sucesso, mas por dentro, muitas vezes, é só resistência.

Empreender sozinho é ser marketing, financeiro, atendimento, produção, entrega, suporte técnico e psicólogo de si mesmo, tudo ao mesmo tempo, sem garantias, sem salário fixo e principalmente sem aplauso. E mesmo assim, você continua. Não porque é fácil. Porque é o que tem.

E ainda tem as críticas. Sempre tem. Vêm de gente próxima, de amigo, de parente, de quem acompanha de fora, gente que opina, cobra, compara, questiona, diz o que você deveria fazer, como deveria fazer, por que não deu certo, mas que nunca teve coragem de tentar, nunca abriu um negócio, nunca arriscou o próprio dinheiro, nunca perdeu sono por causa de conta, nunca sentiu o peso de depender só de si. É fácil apontar quando não se está no campo.

Com o tempo, eu entendi, o problema não é empreender, o problema é romantizar. Vender como sonho algo que, na prática, é luta diária, é adaptação constante, é cair e levantar sem plateia. Eu não me arrependo de tentar, aprendi muito, cresci, fiquei mais forte, mais realista também. Hoje eu não compro mais fantasia.

Ser empreendedor solo não é glamour. é coragem silenciosa e, às vezes, só isso já é vitória.

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terça-feira, fevereiro 10, 2026

O que a leitura me ensinou

O que a leitura me ensinou num dos anos mais difíceis da minha vida


Eu não comecei a ler mais para virar “culto”, nem para postar foto com livro na mão. Comecei a ler porque precisava aguentar a vida, simples assim. Em um dos anos mais difíceis da minha vida, a leitura virou abrigo, um lugar silencioso no qual conseguia respirar quando tudo fora dali parecia pesado demais.

Teve livro que me abraçou, teve livro que me deu tapa na cara, teve livro que me deixou confuso e teve livro que me fez parar no meio da página e pensar: “caramba, isso aqui sou eu”. Em vários momentos, eu não estava lendo personagens, estava lendo versões minhas, espalhadas em histórias diferentes.

Kafka, por exemplo, me mostrou como alguém pode virar peso sem perceber. Vidas Secas me jogou na cara o quanto a vida pode ser dura com quem só tenta sobreviver. Psicologia Financeira me fez entender que sucesso não é só mérito e fracasso não é só culpa. Dale Carnegie me lembrou que, no meio de tudo isso, ainda vale a pena ser humano.

O curioso é que livro bom não serve para confortar o tempo todo, ele revela, as vezes machuca, as vezes incomoda e as vezes desmonta certezas. O capítulo da Baleia, o destino do Gregor, as histórias de gente que caiu e levantou, tudo isso foi entrando aos poucos, como se cada autor estivesse dizendo: “olha, a vida é isso aqui mesmo. Confusa. Injusta. Insegura. E ainda assim, dá pra seguir”.

A leitura me ensinou paciência, ensinou perspectiva, ensinou a parar de me comparar com versões editadas da vida dos outros. Ensinou-me que quase todo mundo está lutando alguma batalha silenciosa, e principalmente, me ensinou que eu não estou sozinho nas minhas dúvidas, nos meus medos e nas minhas tentativas de não desistir.

Teve dias em que eu estava cansado, desanimado, sem vontade de nada, mas mesmo assim, eu abria um livro. Nem sempre para entender tudo, as vezes só para não afundar nos próprios pensamentos. Ler virou uma forma de organizar o caos por dentro.

Hoje eu sei, eu não leio por hábito. Eu leio por sobrevivência emocional, leio para continuar lúcido, leio para não esquecer quem eu sou no meio da confusão. Leio porque, enquanto eu puder sentar, abrir um livro e refletir sobre o que estou vivendo, eu ainda estou no jogo. E, pra mim, isso já é muita coisa.

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domingo, fevereiro 08, 2026

Super Bowl 2026


Hoje é o grande dia!
Domingo, 8 de fevereiro de 2026.

Levi’s Stadium, em Santa Clara, Califórnia, está pronto para receber a final mais aguardada da temporada: New England Patriots x Seattle Seahawks 

O Super Bowl LX

Depois de uma longa temporada, essas duas franquias tradicionais da NFL chegam a este momento com histórias diferentes, muita esperança e uma chance de acrescentar mais um capítulo inesquecível à rica narrativa do futebol americano.

O Levi’s Stadium, casa dos San Francisco 49ers, recebe mais uma vez a grande final da NFL, reunindo torcidas, emoção e espetáculo. Para além do jogo, um dos momentos mais aguardados é o show do intervalo, que promete ficar na memória dos fãs, comandado por Bad Bunny, responsável por transformar o meio do jogo em um grande evento musical.

Dois times, duas trajetórias

Os New England Patriots chegam ao Super Bowl pela primeira vez em vários anos em uma fase pós-era Brady-Belichick, mas com tanta tradição quanto sempre tiveram. A franquia já participou de 12 Super Bowls, conquistando o título em seis oportunidades, um dos maiores legados do esporte, e agora busca o sétimo troféu, um recorde histórico que os tornaria ainda mais gigantes na NFL.

Do outro lado está o Seattle Seahawks, que volta à final com uma equipe renovada, liderança defensiva forte e um ataque consistente, prontos para tentar a sua segunda conquista do sonhado troféu. Eles já foram campeões anteriormente e chegam aqui com confiança e um time equilibrado, pronto para desafiar a tradição dos Patriots.

Vale lembrar que os Seattle Seahawks conquistaram apenas um Super Bowl em sua história, no Super Bowl XLVIII, em 2014, quando atropelaram o Denver Broncos por 43 a 8, em uma das finais mais dominantes da NFL. Foi o auge da era da “Legion of Boom” e o momento em que Seattle entrou de vez na elite da liga. Desde então, o time busca repetir aquele feito, enquanto encara agora os New England Patriots, uma das franquias mais vitoriosas da história, em mais um capítulo decisivo dessa trajetória.

Reencontro histórico

O encontro de hoje tem um sabor especial porque é uma revanche de um Super Bowl icônico de mais de uma década atrás. No Super Bowl XLIX, disputado em fevereiro de 2015, os Patriots derrotaram os Seahawks por 28 a 24 num dos jogos mais memoráveis da história da liga, marcado pela lendária interceptação de Malcolm Butler na linha de uma jarda, um momento que entrou para o folclore do esporte.

Naquele jogo, Brady comandou a vitória com precisão cirúrgica e foi eleito MVP, consolidando ainda mais seu legado como um dos maiores de todos os tempos. Hoje, sem a presença dele em campo, os Patriots buscam provar que a tradição e a cultura vencedora que ele ajudou a construir continuam vivas.

Tom Brady: o maior de todos

E por falar em legado, é impossível falar de Patriots sem mencionar Tom Brady, consistentemente apontado como o GOAT, o maior de todos no esporte. Com sete anéis de Super Bowl (seis com New England e um com Tampa Bay), Brady transformou o que significava excelência na NFL.

O mais emocionante deste Super Bowl é ver o franquia que ele ajudou a elevar ao panteão do futebol americano chegar à final novamente, sem sua estrela maior em campo, mantendo viva a chama da sua grande era. Isso mostra que o espírito do time não foi apenas um momento histórico, foi uma cultura que ainda pulsa forte, e claro, torcemos muito para que os Patriots consigam agora o título em cima de seus rivais de longa data.

Nossa torcida está definida

Hoje, nossa camisa é New England Patriots. Não porque Tom Brady não está em campo, mas porque a história deles é história do esporte. Porque, mesmo em fase de renovação, eles continuam carregando tradição, garra e a ambição de escrever mais um capítulo glorioso. Torcemos para que o relógio pare a nosso favor, para que esse título também se junte à rica galeria de conquistas da franquia.



quarta-feira, fevereiro 04, 2026

WWE e o Poder do Marketing


Assistir à WWE hoje é menos sobre luta e mais sobre fenômeno cultural. A gente sabe que é encenado, combinado, roteirizado, mesmo assim, funciona e funciona em um nível impressionante.

O que mais chama atenção não é nem o ringue, mas o público pois por onde a WWE passa, as arenas estão sempre lotadas. Episódios semanais em cidades diferentes, gente vibrando como se fosse final de campeonato. É uma legião de fãs que se reconhece, participa e faz parte do espetáculo. A luta acontece no ringue, mas a energia vem das arquibancadas.

Nos grandes eventos, isso fica ainda mais evidente. A WWE deixou de ser algo restrito aos Estados Unidos faz tempo. Hoje ela leva seus principais shows para fora do país, ocupando mercados enormes. Ver um Royal Rumble acontecer em Riad, na Arábia Saudita, com uma arena construída para o evento e completamente cheia, mostra o tamanho dessa marca e isso não é comum nem em esportes tradicionais.

Quando os eventos são em território americano, o impacto é o mesmo. A maioria dos main events não acontece mais em arenas fechadas, mas em estádios gigantes, daqueles usados por ligas esportivas de ponta. Fazendo isso, a WWE se coloca no mesmo patamar de finais históricas e grandes shows globais.

E talvez o mais bonito seja ver o público vibrando não só com as grandes lendas, mas também com nomes menos conhecidos. A torcida canta, reage, se envolve e não é apenas sobre quem está lutando, é sobre estar ali, fazendo parte daquele ritual coletivo. Dá gosto de ver porque é entretenimento vivo mesmo sabendo que não é real no sentido esportivo, a emoção é real, a reação é real, o engajamento é real e poucas marcas no mundo conseguem isso.

No fim, assistir à WWE hoje é testemunhar uma aula de marketing, construção de marca e conexão com o público pois os bilhões de dólares explicam parte do sucesso. Mas o que sustenta tudo isso são pessoas felizes, gritando, torcendo e acreditando nem que seja por algumas horas naquele espetáculo.

E isso, por si só, já vale a experiência.

segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Dinheiro Suspeito

Dinheiro Suspeito é daqueles filmes que prendem do começo ao fim não pelo espetáculo, mas pelo jogo moral que constrói o tempo todo. A trama gira em torno de mentiras, enganações e desconfiança. Ninguém confia em ninguém. Todos mentem para descobrir quem é o X9, quem está manipulando quem e, principalmente, quem vai ficar com o dinheiro. Cada diálogo parece ter uma segunda intenção, e o espectador entra nesse jogo junto, desconfiando de todos.

Mas o filme vai além do suspense criminal. Ele bate forte no dilema da polícia quando dinheiro sujo é apreendido. A questão aparece várias vezes de forma incômoda mencionando salários baixos, contas para pagar, um sistema que não recompensa quem faz tudo certo. O dinheiro está ali, ninguém “oficialmente” vai sentir falta e aí surge a pergunta que o filme nunca responde de forma fácil.

E se fosse com você?
Você ficaria com o dinheiro?
Trairia seus companheiros?
Justificaria o erro dizendo que o sistema já é injusto?

O mérito do filme está em não transformar isso em discurso raso. Ele mostra como a tentação nasce, cresce e contamina tudo ao redor. Mesmo quem tenta fazer a coisa certa passa a ser corroído pela dúvida e o dinheiro vira um teste de caráter, não de coragem. O final funciona muito bem justamente por isso, mostra que o crime não compensa, que escolhas têm consequências e que nem todo mundo está disposto a cruzar certas linhas. E a revelação de quem realmente estava por trás das falcatruas é surpreendente, sem soar forçada.

O elenco também merece destaque. Ben Affleck e Matt Damon funcionam juntos com uma naturalidade absurda, passando a sensação de parceria antiga (é verdade), confiança frágil e tensão constante, mas chama atenção mesmo como o filme usa bem o elenco de apoio. A personagem que fica dentro da casa, inicialmente cercada de suspeitas, é interpretada por Sasha Calle, a mesma que fez a Supergirl em The Flash. Confesso que não reconheci, achei completamente diferente, ela passa despercebida no começo e só depois você percebe a força da atuação. É aquele tipo de elenco em que ninguém está ali só pra cumprir função, todo mundo ajuda a sustentar o jogo de mentiras, o clima de paranoia e a sensação de que qualquer um pode estar escondendo algo.

É um filme que respeita o espectador e não glamouriza o crime, não entrega respostas fáceis e não trata moral como algo preto no branco. Termina deixando reflexão, não alívio vazio. Gostei do início ao fim, é um filme sobre dinheiro, sim, mas principalmente sobre decisões, lealdade e o preço de tentar atalhos quando a vida aperta.

Filme disponivel na Netflix.

sábado, janeiro 31, 2026

O Enigma do Horizonte

Assisti O Enigma do Horizonte com a sensação de ter assistido a algo estranho, desconfortável e justamente por isso, interessante. A atmosfera do filme lembrava os filmes da franquia Alien

O filme é um terror espacial assumido mas não daquele tipo que vive de susto fácil, mas de clima. A nave não é só cenário, ela vira personagem. O espaço não aparece como lugar de descoberta ou encanto, mas como ambiente hostil, silencioso e mentalmente corrosivo. Ali, o medo não vem de fora apenas, vem de dentro.

A história não se preocupa em explicar tudo com clareza. Algumas coisas ficam soltas, outras são apenas sugeridas e isso pode incomodar quem gosta de respostas fechadas. Mas funciona para quem aceita a ideia de que, no espaço, o desconhecido não precisa ser totalmente compreendido para ser assustador.

O que mais funciona no filme é a atmosfera. O isolamento, os corredores escuros, os sons estranhos e a sensação constante de que algo está errado constroem um terror mais psicológico do que gráfico. É um filme que aposta mais na tensão do que na lógica e digo novamente, você fica esperando que a qualquer momento vai sair um xenomorfo e detonar toda tripulação

O filme não é perfeito e você sente que envelheceu em alguns aspectos técnicos e narrativos, talvez por ser de 1997, mas isso não é desculpa. Ainda assim, tem identidade própria e uma proposta clara que mistura ficção científica com horror de forma ousada, sem tentar agradar todo mundo.

No fim, é aquele tipo de filme que você não assiste esperando conforto, assiste porque gosta de naves, do espaço e da ideia de que o desconhecido pode ser perturbador. Estranho, sim. Mas marcante.

O filme está disponivel na NETFLIX.

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terça-feira, janeiro 20, 2026

A Metamorfose - Franz Kafka

Terminei A Metamorfose com uma sensação estranha. Durante boa parte da leitura, a impressão foi simples e direta pois achei o livro chato, repetitivo e, em muitos momentos, sem sentido.

Dividido em três partes, o começo é esquisito. Gregor acorda transformado em um inseto grotesco e ninguém reage com o espanto que seria esperado. A família parece aceitar aquilo como um problema doméstico, quase como se fosse uma fase incômoda da vida, algo a ser administrado. Não há choque, não há desespero real, só adaptação e isso causa estranhamento, porque quebra qualquer lógica narrativa tradicional.

A segunda parte é ainda mais cansativa. Kafka passa páginas e páginas falando de móveis sendo retirados, objetos mudando de lugar, do quarto se esvaziando. Parece que nada acontece. Gregor anda pelas paredes, pelo teto, mesmo sendo um corpo que mal consegue se mover. Tudo soa repetitivo, arrastado, quase irritante. É fácil perder a paciência ali.

Mas o livro não está interessado em ser agradável. É só na terceira parte que tudo se encaixa. E encaixa com violência silenciosa.

A família já não reage, já não tenta entender pois a transformação vira rotina. Gregor deixa de ser problema e passa a ser peso. Até que, num momento aparentemente banal, ele provoca a perda dos inquilinos da casa. É aí que a sentença é dada. A irmã, que antes cuidava dele, verbaliza o que todos já sentiam, que aquilo já não era mais o irmão, era algo a ser eliminado.

Não há assassinato explícito. Não há ódio. Há cansaço. E isso é muito pior.

É nesse ponto que o livro deixa de ser “chato” e passa a ser brutal. Porque a história não é sobre um homem que vira inseto, é sobre um ser humano que perde sua função. E, ao perder a função, perde também o lugar, o afeto e o direito de existir.

Kafka escancara uma ideia desconfortável, o valor do indivíduo, para a sociedade e até para a família, está profundamente ligado à sua utilidade. Enquanto Gregor sustenta a casa, ele é tolerado, respeitado, necessário. Quando isso acaba, ele vira fardo, e fardos são descartados.

O mais importante de A Metamorfose não está na leitura em si, mas no que ela provoca depois. O livro não emociona, não empolga e não entretém, ele incomoda. E só faz sentido quando toca em algo real. Quando o leitor se reconhece, ainda que contra a própria vontade. Porque, em algum momento da vida, muita gente se sente como Gregor, sem função clara, dependente, pesando para os outros, invisível. E a pergunta que fica não é literária, é humana:

O quanto do nosso valor está condicionado ao que entregamos?

Kafka não oferece resposta.
Ele apenas mostra o resultado quando essa lógica vence.
Talvez por isso o livro seja difícil de gostar.
Mas impossível de ignorar depois que faz sentido.

O final do livro pega justamente porque ele não oferece catarse. Não há redenção, não existe aprendizado bonito e muito menos a sensação de que “vai ficar tudo bem”. Kafka apenas mostra o que acontece quando alguém é reduzido a peso e quando essa ideia atinge quem já se sentiu assim em algum momento da vida, pois o impacto vem forte, quase físico. 

A história termina deixando o peso onde ele caiu e por isso que faz o livro incomodar tanto.

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