sexta-feira, junho 12, 2026

Mortal Kombat 2


Entrei em Mortal Kombat 2 esperando exatamente aquilo que a franquia costuma entregar, que são torneios, pancadarias, personagens icônicos e algumas mortes absurdamente violentas. Recebi tudo isso mas o problema é que quase todo o resto parece ter ficado preso em algum portal entre os reinos.

A história é tão simples que em alguns momentos parece apenas uma desculpa para ligar uma luta na outra. Não que alguém vá ao cinema esperando um roteiro digno de Oscar, mas existe uma diferença entre uma trama direta e uma trama preguiçosa. Aqui, em vários momentos, tive a sensação de estar assistindo a uma novela mexicana com personagens de videogame.

As lutas, que deveriam ser o grande destaque, também decepcionam. As coreografias raramente impressionam e faltam momentos realmente memoráveis. Curiosamente, as fatalidades conseguem salvar parte da experiência. Quando o filme abraça a violência exagerada que tornou Mortal Kombat famoso, ele finalmente parece lembrar qual é sua identidade.

Visualmente, alguns personagens funcionam muito bem. Shao Kahn parece ter saído diretamente dos jogos, Kitana também ficou ótima, assim como Kung Lao. Já boa parte do restante do elenco passa uma sensação estranha de improviso, como se alguns personagens estivessem ali apenas para preencher espaço.

A maior surpresa negativa foi Johnny Cage. Não sei dizer se o problema está na interpretação de Karl Urban ou na forma como o personagem foi escrito, mas nada funciona. O humor não encaixa, o carisma não aparece e, em vez de roubar a cena, ele acaba atrapalhando várias delas.

Nem tudo é derrota. Os cenários lembram bastante os jogos e ajudam a criar a atmosfera que os fãs esperam encontrar. A trilha clássica também aparece nos momentos certos e consegue despertar aquela nostalgia automática de quem cresceu ouvindo o tema de Mortal Kombat.

Quando acabou o filme, fiquei numa sensação estranha. Por que assisti isso? Eu tinha certeza do que viria e mesmo assim assisti? Pra que? Estava cansado, estava chovendo lá fora, não tinha como sair e estava cansado de leitura. Ah é foi isso. A sensação de perda de tempo é inevitável.

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sexta-feira, junho 05, 2026

O Cavaleiro dos Sete Reinos


Essa serie foi uma surpresa muito agradável justamente porque comecei a série sem pesquisar praticamente nada sobre a história. Eu realmente não sabia o que esperar, e talvez isso tenha ajudado bastante na experiência.

A primeira coisa que me chamou atenção foi o formato. São apenas seis episódios, relativamente curtos, com duração entre trinta e quarenta minutos, então acaba sendo uma série extremamente fácil de maratonar. Assisti tudo em uma tarde e sinceramente acho que foi a melhor forma possível de ver a série, porque ela mantém o clima e o envolvimento o tempo inteiro sem quebrar o ritmo.

Claro que existe muito de Game of Thrones aqui. Os cenários, as casas, os torneios, os conflitos políticos e toda a atmosfera de Westeros continuam presentes, mas ao mesmo tempo, a série parece muito mais acessível. Os diálogos são menores, mais simples e bem menos complexos do que os da série original. Não existe aquela sensação constante de estar assistindo uma guerra política gigantesca onde cada conversa pode mudar completamente o destino do reino.

E talvez essa seja justamente a maior diferença da série, O Cavaleiro dos Sete Reinos é muito mais leve, tanto na construção da história quanto nos próprios personagens. Existe menos brutalidade, menos violência extrema e menos aquela tensão sufocante que marcou Game of Thrones e até House of the Dragon. Aqui o foco parece muito mais voltado para aventura, amizade, honra e pequenas jornadas pessoais.

A relação entre Dunk e Egg ajuda muito nisso. Os dois têm uma dinâmica extremamente carismática e acabam carregando a série nas costas. Existe uma simplicidade ali que faz muito bem ao universo de Westeros, porque pela primeira vez parece que estamos acompanhando pessoas mais humanas e menos figuras quase mitológicas disputando o poder absoluto.

E mesmo sendo uma história menor, a série continua expandindo bastante a lore do universo criado por George R. R. Martin. Inclusive, uma das coisas mais legais foi perceber depois quantas conexões existem entre essa história e os eventos futuros de Game of Thrones.

Agora fico ainda mais animado para o retorno de House of the Dragon, que começa sua terceira temporada esse mes. Rever esse universo sempre acaba despertando aquela vontade de mergulhar novamente em Westeros. E depois de assistir a série inteira, fiquei com muita curiosidade de pesquisar melhor em qual momento histórico exatamente ela se encaixa dentro da cronologia completa. Quanto mais você conhece esse universo, mais percebe o tamanho absurdo da história criada por George R. R. Martin.

O Cavaleiros dos Sete Reinos está disponível na HBO MAX.

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quarta-feira, junho 03, 2026

Anaconda 2025


Anaconda é aquele tipo de filme que entende perfeitamente o que quer ser. Em nenhum momento ele tenta virar um terror psicológico profundo ou algo extremamente sério. Pelo contrário, o filme abraça totalmente a ideia de aventura exagerada, humor e nostalgia de sessão da tarde e funciona muito bem assim.

Os sustos estão lá, claro. Tem algumas cenas envolvendo a anaconda que conseguem gerar tensão e até pegar o espectador desprevenido, mas o foco aqui definitivamente não é o terror. O clima é muito mais próximo de uma aventura caótica misturada com comédia, quase como aqueles filmes dos anos 90 e começo dos anos 2000 que passavam toda semana na televisão.

E a química entre Paul Rudd e Jack Black ajuda absurdamente nisso, pois dois juntos funcionam muito bem. Existe uma energia meio improvisada, divertida e completamente sem vergonha de parecer absurda em vários momentos. Você percebe que o filme sabe exatamente o quão maluco ele é. A própria premissa já entrega isso, um grupo de amigos resolve fazer um remake de Anaconda e acaba entrando numa situação muito mais perigosa do que imaginava. E o roteiro brinca bastante com essa metalinguagem, quase zombando da própria franquia enquanto homenageia os filmes antigos.

Outro detalhe legal são as participações especiais de Ice Cube e Jennifer Lopez, que servem como um aceno divertido para quem cresceu assistindo ao filme clássico. Se não me engano, Anaconda foi o primeiro filme que vi no cinema. Se não foi o primeiro, foi um dos primeiros, juntamente com O Rei Leão e Jurassic Park.

E claro, preciso comentar do Selton Mello. Ele aparece pouco, mas só o fato de ter um brasileiro no meio daquele elenco já é algo muito bacana de ver. Acaba sendo uma participação pequena, mas marcante, queria muito ter visto a atuação dele por mais minutos no filme.

Anaconda não é um filme que tenta reinventar nada, e talvez justamente por isso ele funcione tão bem. É diversão pura, exagerada, despretensiosa e consciente do próprio absurdo. Um daqueles filmes perfeitos para assistir sem esperar profundidade, apenas querendo se divertir vendo pessoas correndo desesperadas de uma cobra gigantesca enquanto piadas e caos acontecem ao mesmo tempo.

Anaconda está disponivel na HBO MAX.