Entrei em Mortal Kombat 2 esperando exatamente aquilo que a franquia costuma entregar, que são torneios, pancadarias, personagens icônicos e algumas mortes absurdamente violentas. Recebi tudo isso mas o problema é que quase todo o resto parece ter ficado preso em algum portal entre os reinos.
A história é tão simples que em alguns momentos parece apenas uma desculpa para ligar uma luta na outra. Não que alguém vá ao cinema esperando um roteiro digno de Oscar, mas existe uma diferença entre uma trama direta e uma trama preguiçosa. Aqui, em vários momentos, tive a sensação de estar assistindo a uma novela mexicana com personagens de videogame.
As lutas, que deveriam ser o grande destaque, também decepcionam. As coreografias raramente impressionam e faltam momentos realmente memoráveis. Curiosamente, as fatalidades conseguem salvar parte da experiência. Quando o filme abraça a violência exagerada que tornou Mortal Kombat famoso, ele finalmente parece lembrar qual é sua identidade.
Visualmente, alguns personagens funcionam muito bem. Shao Kahn parece ter saído diretamente dos jogos, Kitana também ficou ótima, assim como Kung Lao. Já boa parte do restante do elenco passa uma sensação estranha de improviso, como se alguns personagens estivessem ali apenas para preencher espaço.
A maior surpresa negativa foi Johnny Cage. Não sei dizer se o problema está na interpretação de Karl Urban ou na forma como o personagem foi escrito, mas nada funciona. O humor não encaixa, o carisma não aparece e, em vez de roubar a cena, ele acaba atrapalhando várias delas.
Nem tudo é derrota. Os cenários lembram bastante os jogos e ajudam a criar a atmosfera que os fãs esperam encontrar. A trilha clássica também aparece nos momentos certos e consegue despertar aquela nostalgia automática de quem cresceu ouvindo o tema de Mortal Kombat.
Quando acabou o filme, fiquei numa sensação estranha. Por que assisti isso? Eu tinha certeza do que viria e mesmo assim assisti? Pra que? Estava cansado, estava chovendo lá fora, não tinha como sair e estava cansado de leitura. Ah é foi isso. A sensação de perda de tempo é inevitável.
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