terça-feira, abril 28, 2026

A Longa Marcha - Caminhe ou Morra


A Longa Marcha - Caminhe ou Morra é um daqueles filmes que parecem simples demais na ideia, mas que te pegam justamente pela execução. Não tem arena elaborada, não tem grandes reviravoltas visuais, não tem espetáculo, é só uma estrada, um grupo de jovens e uma regra cruel: continue andando ou morra.

Tudo aqui é mais seco, mais direto e, de certa forma, mais incômodo. Não existe distração, não existe pausa. O filme vai te colocando dentro daquela caminhada e, aos poucos, você começa a sentir o desgaste junto com os personagens. No começo parece até controlado, quase administrável, mas conforme o tempo passa, o cansaço físico vira psicológico, e aí começa a parte mais pesada.

O grande acerto do filme está justamente nisso, ele não depende de ação constante, explosões ou grandes cenas para prender. A tensão vem da repetição, da exaustão, da certeza de que aquilo não vai parar. Cada passo importa, cada desaceleração vira risco, e cada personagem começa a reagir de um jeito diferente à pressão. Alguns tentam manter a sanidade, outros vão quebrando aos poucos, e o espectador fica ali, acompanhando essa deterioração sem conseguir desviar.

E no meio disso tudo, existe uma crítica muito clara. Não é só sobre uma competição absurda, mas sobre sistema, obediência e até sobre como as pessoas se submetem a regras cruéis quando existe algum tipo de recompensa no final. O filme não precisa explicar muito, ele só mostra, e isso já é suficiente para causar desconforto.

Talvez o mais interessante seja que, em determinado momento, deixa de importar quem vai ganhar. A sensação que fica é outra, o que sobra de alguém depois de passar por tudo aquilo. Porque a caminhada não destrói só o corpo, ela vai corroendo a mente, a esperança e qualquer senso de normalidade.

O filme funciona justamente por não tentar ser maior do que precisa. É um filme direto, pesado e desconfortável, que te prende mais pela ideia e pela execução do que por qualquer espetáculo. Não é o tipo de filme que você assiste relaxado, mas é exatamente esse incômodo que faz ele funcionar tão bem. Só lembrando, é um filme baseado na obra de Stephen King.

Assisti o filme no Telecine.


domingo, abril 26, 2026

A Maquina do Tempo - 1960

Clássico imperfeito, mas cheio de charme


Assistir A Máquina do Tempo hoje, tantos anos depois do lançamento, é quase como fazer uma pequena viagem no tempo também, não só pela história, mas pela forma como o cinema era feito naquela época.

A primeira coisa que chama atenção é como esse filme se aproxima muito mais da adaptação dos anos 2000 do que do próprio livro de H. G. Wells. Aqui, o viajante realmente experimenta a viagem no tempo como a gente imagina, passando por diferentes épocas, observando mudanças no mundo e até presenciando momentos ligados às duas guerras mundiais, ainda que de forma rápida. Essa sensação de atravessar eras, vendo tudo mudar ao redor enquanto ele permanece ali, não é muito bem trabalhada mas, curiosamente, é algo que o livro original não explora tanto quanto deveria.

E tem um ponto que, pra mim, é parte fundamental da experiência, o charme dos efeitos especiais antigos. É tudo claramente datado, com soluções simples e até meio “mal feitas” para os padrões de hoje, mas isso não atrapalha, pelo contrário, dá uma identidade própria ao filme. Os Morlocks, por exemplo, são basicamente atores sem camisa com um capacete de monstro, algo bem artesanal, mas que ainda assim funciona dentro da proposta e acaba sendo até divertido de assistir.

Já os Eloi seguem outro caminho. O filme aposta forte na estética, com um futuro cheio de figuras quase perfeitas, e sim, com muitas donzelas bonitas. A personagem Weena, inclusive, acaba sendo um destaque nesse sentido, e não dá pra negar que o filme cria aquele tipo de cenário que faz o espectador pensar, mesmo que em tom de brincadeira, em como seria viver naquele futuro ou até trazer alguém de lá de volta (Weena). E, claro, já que estamos falando de viagem no tempo, sempre fica aquela ideia inevitável de dar um pulinho no futuro só pra conferir o resultado da próxima Megasena.

O final também merece destaque. A sequência com os Morlocks atacando o viajante é bem próxima do que lemos no livro, assim como o epílogo, com ele relatando a experiência aos amigos. E o detalhe da flor deixada por Weena, encontrada no bolso, fecha a história de uma forma simples, mas muito eficaz, mantendo essa conexão emocional com a jornada que ele viveu.

A Máquina do Tempo de 1960 é aquele tipo de filme que você não assiste pela perfeição técnica, mas pela experiência ainda mais porque acabei de ler o livro. Ele pode ter efeitos datados e soluções simples, mas compensa com ideia, atmosfera e um certo charme que só os clássicos conseguem ter. É uma viagem no tempo dentro e fora da tela.

Assisti o filme pelo You Tube, de graça.

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sexta-feira, abril 24, 2026

A Maquina do Tempo - HGWells

Comecei A Máquina do Tempo, do H. G. Wells, com uma expectativa lá em cima, muito por conta das referências que eu já tinha, tanto do filme quanto até de The Big Bang Theory, no qual aparecem elementos como os Morlocks e toda aquela ideia clássica de viagem no tempo que a gente já está acostumado a ver.

Na minha cabeça, o livro seguiria algo mais próximo disso, com o viajante explorando diferentes épocas, mostrando várias eras, brincando mais com as possibilidades da viagem no tempo, mas não é isso que acontece, e talvez esse tenha sido o primeiro choque. A história toma um caminho bem mais específico e concentrado, levando o protagonista para um futuro distante e completamente distorcido, onde existem os Elois na superfície e os Morlocks vivendo nas profundezas.

E é justamente nessa parte que o livro mais me decepcionou. A viagem em si, que era para ser o ponto alto, acabou sendo a parte mais arrastada da leitura, pelo menos na minha experiência. Eu esperava algo mais dinâmico, mais exploratório, e encontrei uma narrativa mais contida, quase presa naquele cenário específico, sem expandir tanto quanto eu imaginava.

Por outro lado, o livro tem méritos claros. A leitura é fácil, a linguagem é direta, e dá para entender por que essa obra é considerada um clássico dentro da ficção científica. Existe uma ideia interessante por trás dessa divisão entre Elois e Morlocks, uma crítica social ali embutida, mesmo que o desenvolvimento não tenha me envolvido tanto quanto eu esperava.

Também vale mencionar a edição que eu li, que faz parte de um box com várias obras do autor, e que é bem caprichada visualmente, o que sempre ajuda na experiência de leitura. Ainda tenho outros três ou quatro livros do mesmo autor aqui, então fica aquela curiosidade para ver se as próximas leituras vão me agradar mais.

A Máquina do Tempo não é um livro ruim, longe disso, mas acabou sendo diferente demais da expectativa que eu criei antes de começar, e isso pesou na experiência. Talvez funcione melhor para quem entra sem referências ou sem esperar algo mais próximo das adaptações que vieram depois.


segunda-feira, abril 20, 2026

Justica Artificial


Justiça Artificial é aquele tipo de filme que surpreende logo de cara. Sem muita enrolação: que pancada. A proposta é simples no papel, mas extremamente bem executada, e o resultado é um suspense que prende do começo ao fim.

O filme acompanha um protagonista que passa praticamente toda a história sentado, sendo julgado por uma inteligência artificial, e mesmo assim, em nenhum momento a sensação é de algo parado ou monótono. Pelo contrário, a tensão é constante, porque o tempo está contra ele. São poucas horas para provar a própria inocência, enquanto tenta reconstruir o que aconteceu no assassinato da própria esposa.

E é aí que o filme acerta em cheio. Ele transforma um espaço limitado e uma situação aparentemente estática em algo dinâmico, cheio de urgência. Você, como espectador, fica completamente envolvido na busca pelas respostas, tentando montar o quebra-cabeça junto com o personagem, desconfiando de cada detalhe, de cada informação que surge.

O protagonista, vivido por Chris Pratt, o eterno Senhor das Estrelas da Marvel, segura bem o filme e consegue transmitir essa mistura de desespero, urgência e necessidade de provar a verdade, mantendo o espectador conectado com a história o tempo inteiro.

O mais interessante é como o filme trabalha a ideia de justiça nas mãos de uma máquina. Até que ponto uma inteligência artificial pode realmente julgar alguém? Existe espaço para erro? Para emoção? Para interpretação? Essas perguntas ficam rondando a cabeça enquanto a trama avança.

E mesmo com essa camada mais reflexiva, o filme não perde ritmo. Cada pista revelada, cada detalhe novo, cada virada na história faz você querer continuar assistindo, entender o que realmente aconteceu e se aquele homem vai conseguir provar sua inocência a tempo.

Justiça Artificial é um daqueles filmes que valem muito a pena, não só pela ideia, que já é interessante por si só, mas pela forma como ela é conduzida, mantendo tensão, ritmo e envolvimento do início ao fim. Te prende pela ideia e pela execução, não precisa de exagero, não precisa de espetáculo, só de uma boa construção e de um roteiro que sabe exatamente como manter você dentro da história até o último momento.

Justiça Artificial está disponivel no Amazon Prime.

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sábado, abril 18, 2026

Caminhos do Crime


Caminhos do Crime chegou com cara de filme intenso, daqueles que prendem pela tensão e pelo ritmo acelerado, muito por conta do trailer, que vende uma história mais eletrizante do que realmente é, e talvez aí esteja o primeiro problema, porque o filme promete uma coisa e entrega outra bem diferente.

O destaque inicial fica por conta do Chris Hemsworth, conhecido por viver o Thor, e que aqui tenta um papel mais contido e mais sério, sem comprometer, mas também sem entregar nada memorável, ficando naquela zona segura de atuação correta que não cria grande conexão com o público.

No meio disso tudo, quem acaba se destacando de verdade é Mark Ruffalo, que rouba a cena sempre que aparece, como o lado policial da historia, , trazendo mais presença e elevando o nível das cenas em que participa, enquanto Halle Berry acaba sendo o oposto disso, com uma participação que pouco acrescenta à história e que poderia facilmente ser retirada sem causar qualquer impacto no desenvolvimento do filme.

O ritmo é mais lento do que deveria, mas não é aquele lento proposital e contemplativo que agrega à narrativa, e sim um andamento que em vários momentos parece arrastado, como se a história estivesse sendo esticada além do necessário. Algo que fica ainda mais evidente em tramas paralelas que não levam a lugar nenhum, como o envolvimento do protagonista com uma personagem que não influencia os acontecimentos e soa apenas como preenchimento de tempo.

Com o passar do filme, essa sensação começa a pesar, não por falta de ideia, mas justamente porque dá para enxergar que existia potencial ali para algo mais tenso, mais envolvente e mais marcante. Só que a execução segue por um caminho previsível, sem grandes riscos, caindo naquele território confortável do “mais do mesmo”.

E quando chega ao final, fica difícil não pensar que o trailer foi mais impactante do que o próprio filme, porque tudo que parecia promissor acaba diluído em uma narrativa que não sustenta a expectativa criada.

Caminhos do Crime não é um filme ruim, mas também passa longe de ser memorável, sendo aquele tipo de produção que você assiste, entende a proposta, enxerga o potencial, mas termina com a sensação de que poderia ter sido muito mais.

Caminhos do Crime está disponível no Amazon Prime


quinta-feira, abril 16, 2026

Quando o Ceu se Engana


Quando o Céu se Engana: entre o humor e a reflexão sobre destino

Assistir Quando o Céu se Engana é uma experiência curiosa. Não é exatamente o filme que você espera, e talvez aí esteja tanto o acerto quanto o problema dele. Logo de cara, ver Keanu Reeves interpretando um anjo já causa um certo estranhamento. Não é ruim, mas é no mínimo curioso.

Existe até um certo charme nisso, porque foge do padrão, mas ao mesmo tempo parece que o filme nunca decide se quer levar isso para o lado mais leve ou mais sério.

A ideia central é muito boa, pois o filme trabalha com essa noção de destino, de consequências, de que a vida pode ser uma sequência de escolhas que, de alguma forma, já estavam desenhadas. É o tipo de proposta que naturalmente faz você olhar para si mesmo e pensar na própria vida, nas decisões que tomou e nos caminhos que acabou seguindo.

Só que, no meio disso tudo, o filme parece tentar empurrar uma sensação de conformismo, como se tudo já estivesse escrito e a gente estivesse apenas vivendo aquilo que merece, sem muito espaço para mudança real. É uma visão que me incomoda um pouco, porque tira parte da responsabilidade ativa das nossas escolhas e coloca tudo quase como inevitável.

E talvez o maior problema seja o tom. Em teoria, o filme flerta com a comédia, mas na prática isso não funciona tão bem. As situações até têm potencial, mas não chegam a arrancar risadas, pelo menos comigo, não funcionou nesse sentido. O que ficou mesmo foi a reflexão.

Não é um filme que você termina rindo, é um filme que você termina pensando. Pensando na vida, nas escolhas, no que poderia ter sido diferente, e talvez esse seja o verdadeiro impacto dele, mesmo que não tenha sido exatamente o que o filme prometia.

Já vi filmes melhores, principalmente dentro dessa proposta, mas ainda assim, "Quando o Céu se Engana" consegue fazer algo importante, te tirar do automático por um tempo e te obrigar a olhar um pouco mais para dentro.

Caminhos do Crime está disponível no Amazon Prime.

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quarta-feira, abril 08, 2026

Meu Silencio Ainda Chama Seu Nome


Meu silêncio ainda chama seu nome

Tem dias em que eu não falo nada.
Não mando mensagem, não procuro saber, não entro em lugar nenhum que possa me levar até você.
Por fora, parece que segui.

Mas por dentro… não.

Existe um silêncio aqui que não é paz.
É ausência.
É espaço vazio com o formato exato de alguém que já esteve.

E o mais estranho é que, mesmo sem som, ele continua chamando.
Chamando você.

Não é um chamado alto, desesperado.
É mais sutil.
Aparece quando acordo e sua imagem vem antes de qualquer pensamento.
Aparece no meio do dia, quando algo simples me lembra de você.
E principalmente à noite, quando tudo fica quieto demais… e não tem mais pra onde fugir.

Eu achei que o tempo ia resolver.
Que bastava não ver, não falar, não sentir.
Mas o sentimento não funciona assim.

Ele não vai embora porque a gente decide.
Ele vai se transformando, se escondendo… até que um dia volta, do nada, só pra lembrar que ainda existe.

E existe.

Mas junto com ele, existe outra coisa agora.
A realidade.

A forma como terminou.
As coisas que não encaixavam.
Os silêncios que doíam mais do que qualquer briga.
A sensação de estar ali… e mesmo assim, não ser prioridade.

Eu sinto sua falta.
Mas também lembro do quanto doía sentir isso enquanto você ainda estava ali.

E talvez seja isso que mais confunde.
Porque o mesmo silêncio que hoje chama seu nome…
é o mesmo silêncio que eu sentia quando você não respondia.

Então eu fico aqui, nesse meio.

Nem completamente preso ao que passou.
Nem totalmente livre pra seguir.

Só aprendendo, aos poucos, a ficar em silêncio…
sem precisar te chamar o tempo todo.

Talvez um dia esse silêncio vire paz de verdade.
Sem saudade que aperta.
Sem lembrança que pesa.

Por enquanto, ele ainda chama.

E ainda ecoa forte demais.