Hoje é meu aniversário.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu não estou preocupado em fazer desse dia algo grandioso. Não tem festa, não tem plano mirabolante, não tem expectativa de nada extraordinário, tem só um dia comum… e, curiosamente, isso já diz muita coisa.
O último ano foi duro.
Não foi aquele tipo de dificuldade que dá pra resumir em um problema só. Foi um acúmulo, coisas que não deram certo, decisões que hoje eu faria diferente, perdas que demoraram mais do que deveriam para serem entendidas. Teve momento de raiva, de frustração, de silêncio, teve fase em que a cabeça não parava, e outras em que parecia que nada fazia sentido.
Mas teve uma coisa que eu só fui perceber agora. Eu não parei.
Mesmo nos dias em que tudo parecia travado, eu continuei. Às vezes devagar, às vezes sem direção clara, às vezes só tentando não piorar o que já estava ruim, mas continuei. E isso, olhando com mais calma, já é alguma coisa.
Hoje eu não estou onde eu gostaria de estar, seria mentira dizer isso. Ainda tem muita coisa para resolver, principalmente no lado prático da vida, mas também seria injusto dizer que nada mudou. Mudou, sim.
A forma de enxergar algumas pessoas, algumas situações, e principalmente a forma de enxergar a mim mesmo. Coisas que antes eu aceitava, hoje já não fazem mais sentido, coisas que pareciam indispensáveis, hoje já não têm o mesmo peso. Talvez isso seja crescer. Ou talvez seja só aprender do jeito mais difícil.
Hoje não é um recomeço cheio de energia, daqueles que a gente vê em frases prontas, é mais simples do que isso, é um ponto de continuação. Um momento de olhar pra frente e entender que, mesmo sem todas as respostas, eu ainda tenho caminho. Sem pressa, sem desespero, só seguindo.

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