sexta-feira, março 13, 2026

Maquina de Guerra


Quando comecei a assistir War Machine, da Netflix, eu tinha certeza de que já sabia exatamente que tipo de filme estava começando. A premissa parecia bem clique norte-americano, treinamento militar pesado, soldados sendo levados ao limite e um protagonista tentando superar um trauma pessoal para conquistar seu lugar entre os Rangers do exército. Tudo apontava para aquele arco clássico de superação, em que o personagem passa por dificuldades, enfrenta seus demônios internos e, no final, recebe a tão sonhada insígnia.

O protagonista é vivido por Alan Ritchson, e aqui vale destacar um ponto importante, ele funciona muito bem nesse tipo de papel. O cara tem presença física absurda, é grande, forte e naturalmente intimidador, mas não é aquele ator engessado que só serve para cenas de ação. Ritchson consegue transmitir emoção, tensão e conflito nas expressões. Dá para sentir o peso que o personagem carrega, principalmente ligado à perda do irmão. Isso ajuda muito a dar credibilidade à história, porque você acredita naquele soldado e nas motivações dele. 

A primeira metade do filme segue exatamente essa linha mais tradicional. Treinamento duro, competição entre os soldados, pressão psicológica e física. Tudo parecia caminhar para aquele final previsível, o personagem principal superando o trauma, provando seu valor e finalmente conquistando seu lugar entre os Rangers. Era o tipo de história que a gente já viu várias vezes no cinema de guerra e de verdade, não entendi o motivo da Netflix falar tanto desse filme com inúmeras propagandas, inclusive por email. Deve ser o ator né, muita gente gosta dele, eu também sou fã.

Só que no meio do filme a narrativa simplesmente vira de cabeça para baixo. Aí eu entendi. Spoilers a seguir.

De repente, o que parecia apenas um exercício militar vira uma situação real de sobrevivência. E aí entra o elemento que muda completamente o rumo da história. O inimigo que aparece no filme é uma mistura inesperada de Predator com algo que lembra os robôs de Transformers. É uma criatura tecnológica, alienígena, extremamente agressiva e quase impossível de enfrentar. Desesperador.

Confesso que não estava esperando por isso pois o filme muda completamente de nível. Aquela narrativa de treinamento militar que poderia acabar ficando repetitiva vira uma verdadeira caçada de sobrevivência. Os soldados deixam de competir entre si e passam a lutar simplesmente para continuar vivos. A tensão aumenta bastante e o ritmo do filme ganha uma energia totalmente diferente.

Outro ponto que ajuda muito a manter o filme interessante é o elenco de apoio. A presença de atores experientes como Dennis Quaid dá um certo peso e validação para a produção e impede que a história vire um pastelão exagerado de ação (e sem noção). Mesmo com a entrada forte da ficção científica, o filme consegue manter um tom sério o suficiente para sustentar a tensão.

Como disse anteriormente, esperava apenas mais um filme genérico de ação de streaming, daqueles que você assiste e esquece logo depois. Mas War Machine acabou sendo uma surpresa positiva. A mudança de direção no meio da história dá uma vida nova ao filme e transforma o que parecia ser apenas mais um drama militar em uma mistura divertida de guerra, ficção científica e sobrevivência.

Não é um filme revolucionário, mas também passa longe de ser apenas mais um produto descartável de catálogo. É um bom filme de ação, que consegue surpreender quando você menos espera.

War Machine está disponivel na Netflix.
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