Um clássico da ficção científica.
Assistir Guerra dos Mundos hoje é quase como abrir uma cápsula do tempo do cinema de ficção científica. Dá pra perceber claramente a influência que esse filme teve em praticamente tudo que veio depois envolvendo invasões alienígenas, inclusive na versão estrelada por Tom Cruise décadas mais tarde.
A primeira grande diferença está justamente nos invasores. Aqui não existem os famosos tripods andando pelas cidades. As máquinas marcianas sobrevoam tudo, quase como naves flutuantes, o que muda bastante a estética da invasão, mas ainda funciona muito bem dentro da proposta da época.
E tem algo interessante nisso tudo, o filme não perde muito tempo enrolando. Com cerca de 1h25min, ele vai direto ao ponto, mostrando rapidamente o caos causado pelos marcianos e a impotência da humanidade diante da tecnologia alienígena. Inclusive, uma das cenas mais marcantes envolve justamente o uso de uma bomba atômica contra os invasores e simplesmente não acontece nada. É um momento que reforça bem essa sensação de desespero total.
Claro que o filme tem algumas coisas típicas da época, principalmente o romance colocado no meio da história, aquele “romancizinho” clássico que às vezes quebra um pouco o ritmo, mas sinceramente, nada que atrapalhe tanto assim, dá pra aceitar dentro da proposta do cinema dos anos 50.
Também fica muito evidente o quanto a adaptação com Tom Cruise bebeu dessa versão antiga. Existe uma cena praticamente no mesmo espírito, com um marciano invadindo uma casa onde os protagonistas estão escondidos, criando aquela tensão claustrofóbica que funciona muito bem nas duas versões.
Já os marcianos em si são bem estranhos visualmente. Dá pra notar um design meio curioso, até lembrando um pouco o E.T. de Steven Spielberg, ainda que só vagamente. São criaturas com aquele visual clássico de ficção científica antiga, simples, estranhos mas marcantes.
O final também chama atenção pela rapidez. Tudo se resolve de forma muito direta, algo que imediatamente lembra a versão moderna com Tom Cruise, e sinceramente, acredito que o livro original de H. G. Wells deva seguir um caminho parecido, embora eu ainda esteja terminando a leitura e prefira não entrar nisso agora.
E existe ainda um charme involuntário nessa experiência toda, assistir uma versão dublada antiga, com poucos dubladores fazendo várias vozes diferentes, dá quase uma sensação de sessão da tarde perdida no tempo. No meu caso foi ainda mais aleatório, porque precisei assistir em um site russo extremamente duvidoso, já que o filme simplesmente não estava disponível nos streamings nem no YouTube.
No fim, Guerra dos Mundos de 1953 continua funcionando justamente por aquilo que os clássicos fazem de melhor, criar atmosfera. Mesmo com efeitos datados, soluções simples e algumas limitações óbvias da época, o filme ainda consegue passar aquela sensação de ameaça global e medo do desconhecido que fazem da ficção científica algo tão fascinante até hoje.
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