Um filme sobre o fim, que na verdade é sobre viver.
A Vida de Chuck é um daqueles filmes que começam de um jeito estranho, quase monótono, e que você acha que já entendeu o ritmo, até perceber que não entendeu nada. E quando ele encaixa, vira outro filme completamente diferente. Esse texto contém spoilers.
O filme começa pelo fim. Não o fim da história, mas o fim da vida do Chuck, e tudo parece grande demais, com o mundo colapsando, caos acontecendo, como se fosse um apocalipse, mas aos poucos você percebe que aquilo não é o mundo acabando, é a mente dele se apagando, é a vida dele chegando ao fim, e isso muda completamente a forma como você enxerga tudo que está acontecendo ali.
Depois disso, o filme volta no tempo, mostrando o meio da vida e depois o começo, infância, adolescência, e vai reconstruindo quem ele foi, como ele viveu, o que ele sentiu, e tudo começa a fazer sentido de um jeito muito natural, sem precisar explicar demais, só deixando você ligar os pontos.
E aí vem o que, pra mim, é o coração do filme: a ideia de que viver importa justamente porque ela acaba. Não é sobre grandes feitos, nem sobre algo extraordinário, é sobre viver mesmo, aproveitar, sentir, porque em algum momento isso vai terminar, e a gente nunca sabe quando.
O filme também traz uma ideia muito forte de que as pessoas não são uma coisa só, que dentro de cada pessoa existem várias versões, várias influências, várias “multidões”, como se cada pessoa que passou pela nossa vida deixasse um pedaço ali dentro, e nós fossemos formado por tudo isso.
E talvez por isso o filme funcione tão bem. Porque ele começa parecendo distante, quase frio, e termina sendo extremamente pessoal. Você não sai pensando só no Chuck, você sai pensando em você, se está vivendo de verdade ou só passando o tempo, esperando as coisas acontecerem.
No fim, A Vida de Chuck me surpreendeu. Achei que seria um filme arrastado, mas ele cresce, encaixa e entrega algo muito maior do que parecia no começo. Não é um filme sobre morte. É um filme sobre vida. E sobre como a gente escolhe viver enquanto ainda tem tempo.
Pra finalizar, vale destacar também que A Vida de Chuck é baseado em uma obra de Stephen King, e isso por si só já chama atenção, principalmente por fugir bastante daquilo que muita gente espera do autor, aqui longe do terror mais explícito e muito mais focado em reflexão e emoção. E talvez justamente por esse tom mais sensível e contemplativo, o filme tenha todas as características típicas de produções que costumam aparecer nas premiações, com narrativa diferente, carga emocional forte e uma proposta mais autoral. Por isso mesmo, surpreende o fato de não ter recebido nenhuma indicação ao Oscar, porque é exatamente o tipo de filme que normalmente encontra espaço ali.
A Vida de Chuck está disponivel na Amazon Prime.
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