Por que continuo criando, mesmo cansado ?
Às vezes é um texto, as vezes é uma maquete, as vezes é uma ideia que eu anoto no celular, as vezes é só um rascunho que ninguém vai ver. Não é disciplina, não é método, é na verdade necessidade. Criar virou uma forma de não me perder no meio do cansaço.
Quando eu estou montando a vila dos Ewoks, escrevendo para o blog, pensando num projeto novo ou rabiscando alguma coisa, minha cabeça muda de lugar. Por alguns minutos, eu não sou o cara preocupado com boleto, taxa, plataforma ou prazo, sou só alguém tentando transformar uma ideia em algo concreto e isso dá um alívio que nenhuma distração dá.
Criar também é um jeito de provar pra mim mesmo que eu ainda estou vivo por dentro, que eu não virei só alguém resolvendo problema o dia inteiro, que ainda existe curiosidade, vontade, imaginação, mesmo quando tudo pede desistência, continuo inventando pequenas formas de seguir.
Não é romantização. Tem dias que eu não quero criar nada, tem dias que dá vontade de largar tudo e só existir. Mas, curiosamente, é nesses dias que a criação mais aparece, como se fosse uma resposta silenciosa ao desânimo. Escrever, montar, pensar, planejar, imaginar, tudo isso virou uma forma de resistência, não contra o mundo, mas contra o risco de me apagar aos poucos. Criar é o que me mantém conectado com quem eu sou, não só com o que eu preciso pagar.
Talvez um dia eu canse de vez. Talvez um dia eu mude de fase, mas, enquanto ainda tiver uma ideia na cabeça e vontade de transformá-la em algo, vou continuar criando, mesmo cansado. Porque, no fundo, é isso que me mantém de pé.

Nenhum comentário:
Postar um comentário