sábado, fevereiro 28, 2026

Hamlet - Resenha do Livro

Finalizando mais um livro, a bola da vez foi a versão em prosa de HAMLET, de William Shakespeare. Desculpa a ignorância mas nunca tinha lido o autor e não conhecia a historia do livro, mas de cara, nas primeiras paginas, já gostei. No decorrer da leitura, cheguei na seguinte duvida: é uma historia de vingança, loucura ou busca por verdade? Fiquei esperando uma historia clássica de vingança, um príncipe injustiçado que descobre a verdade sobre o assassinato do pai e parte para acertar as contas. Mas o que encontrei além disso foi muito mais complexo.

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Atenção, spoilers a seguir

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Não vou fazer uma simples analise aqui, vou citar momentos do livro que achei interessante e são importantes para o enredo. O fantasma do pai assassinado de Hamlet aparece e literalmente conta para seu filho como foi morto e por quem. (pasmem). Foi envenenado pelo próprio irmão que assumiu o trono da Dinamarca e ainda casou com sua esposa, mãe de Hamlet. Poise, a partir dali, achei que seria uma historia de vingança somente, e que o protagonista buscaria meios da matar seu tio. Não foi assim.

Ao longo da história, fica cada vez mais difícil enxergar o protagonista como alguém movido pelo desejo de sangue. Ele não elabora planos de assassinato, não fala em emboscadas, não articula uma tomada de poder. O foco dele é desmascarar o crime e provar, não pra ele, mas pra todo os súditos que o casal estava envolvido com a morte de seu pai.

Toda verdade é exposta via a famosa encenação teatral que a realeza assistiu, no qual Hamlet convenceu os atores a encenarem a cena de assassinato. Foi um tanto confuso para quem assistiu o teatro, pois é uma tentativa de expor o Rei diante da corte, dos súditos, das pessoas que cercam o trono. Hamlet quer que todos vejam o que ele já sabe. Fica claro ao casal real que o protagonista sabe o que aconteceu e a partir desse momento, a situação complica para todos os lados.

Ao longo da história, fica cada vez mais difícil enxergá-lo como alguém movido pelo desejo de sangue. Ele não elabora planos de assassinato. Não fala em emboscadas. Não articula uma tomada de poder. O foco dele é desmascarar o crime. Até pensei na hipótese dele desmascarar o Rei, e assumir o trono, mas nem isso ele demonstrou ao longo da obra.

Após a morte do conselheiro do Rei (que não vou citar como essa morte ocorreu), tudo foge do controle.  A tragédia deixa de ser interna e se torna política, se transformando em uma cadeia de consequências inevitáveis. Ofélia, a amada de Hamlet enlouquece e tudo indica que comete suicídio. Laertes, irmão dela, volta sedento por vingança, pois além da irma, o conselheiro era seu pai. O rei passa a agir mais abertamente contra Hamlet, inclusive arma situações para matá-lo.

Pulando para o duelo final, que a primeira vista, parece somente mais um confronto entre cavalheiros mas na verdade era uma emboscada para matar Hamlet, combinado entre o Rei e Laerte, que queria vingança. Só que Hamlet não é mais o mesmo, está cansado, resignado e com uam serenidade estranha, de uma forma que estava aceitando tudo que estava prestes a acontecer. Não há mais o excesso de reflexão do “ser ou não ser”, parece que tudo virou aceitação.

Quando a rainha é envenenada e a conspiração vem à tona, não resta mais dúvida, a prova está diante de todos. Só então Hamlet age sem hesitação, ele mata o rei não como parte de um plano calculado, mas como reação final a um sistema completamente corrompido, por conta de todos eventos acontecendo ao mesmo tempo, Naquele momento, ele já estava envenenado pela lança de seu adversário, Laerte. O que era um simples duelo entre cavaleiros, virou um massacre, uma tragedia que particularmente, como leitor, não esperava. Se Hamlet não agisse naquele momento, o rei venceria em todos os sentidos.

Por isso, é difícil definir a peça como uma simples história de vingança. Também não parece apenas um estudo sobre alguém que pensa demais. Depois da encenação do teatro, os eventos ganham vida própria e escapam do controle. Hamlet não soa como alguém sedento por poder. Em nenhum momento ele fala claramente sobre governar ou reivindicar o trono. Sua luta é moral, ele quer que a verdade seja reconhecida, quer que o crime não permaneça impune.

Talvez a tragédia esteja justamente aí. Num mundo onde a corrupção já está instalada, buscar verdade pode ser tão destrutivo quanto buscar vingança. O final é um massacre. Quase ninguém sobra. E, ainda assim, não senti pena de Hamlet. Senti que ele precisava impedir que o rei saísse vitorioso. Sua última ação não parece explosão de ódio, mas encerramento inevitável. William Shakespeare não escreveu apenas sobre vingança, escreveu sobre dúvida, consciência e o peso de agir quando se enxerga complexidade demais. É um livro relativamente fácil de ler e interpretar, e te da margem para pensar e ter mais de uma interpretação do protagonista. Gostei muito e com certeza será o primeiro de muitos livros lidos do autor.

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