quarta-feira, dezembro 31, 2025

Retrospectiva 2025


Meo Deus, o que foi isso? O ano acabou e eu não entendi nada. Passaram doze meses desde a ultima retrospectiva e estou ate agora perdido, sem entender como cheguei aqui.

Antes de fazer esse retrospectiva, fui ler o que escrevi de 2024 e o que planejei em 2025. Deu tudo errado, não completei nada do que escrevi. Estou ate assustado. Vou dividir em tópicos para facilitar o que houve esse ano, ao invés de dividir mensalmente. Acho que fica mais dinâmico e menos chato. Lembrando que essa retrospectiva esta sendo escrita mensalmente, de acordo com o que acho que devo escrever aqui.

Ace Frehley / Ozzy Osbourne
Pra começar, esse ano perdemos Ace Frehley e Ozzy Osbourne, dois ícones do rock n roll. Dois nomes que atravessaram décadas não apenas com músicas, mas com postura, atitude e uma forma muito própria de existir no mundo

Viagens
Esse ano, fiz varias viagens para Uberaba por conta do relacionamento. Conheci parques, conheci igrejas, supermercados shoppings e a famosa exposição agropecuária.
Viajei também para Pirenópolis, no estado do Goiás, foi uma viagem bem legal pois é uma cidadezinha bem pequena e turística. Andei muito por lá, visitei varias cachoeiras e olha que nem gosto muito de mato, mas foi muito produtivo. Tirei varias fotos, pra quem se interessar, está la no meu outro Instagram, @kakanaestrada.
Não tem muita coisa lá mas as poucas viagens que tinha registro, coloquei em vários post, vale a pena dar uma olhadinha.

Colecionismo
Crise financeira violenta (que sera mencionada mais a frente) prejudicou a expansão da coleção. As compras foram restritas e o que foi adquirido foi pontual, todas com promoções. Bem diferente da loucura que foi 2024, que sai comprando tudo que via pela frente, esse 2025 tive que colocar o pé no freio pra não quebrar. E foi quase. Pra ajudar, coloquei todos meus Funko Pop a venda. Primeiro, porque daria um dinheiro significativo, segundo o foco da coleção mudou. Não coleciono mais os funkos e sim actions como Marvel Legends, DC, entre outras. Os bonecos cabeçudos, que outrora eram minha principal paixão foi deixada de lado e ficaram guardados por meses ate tomar a decisão de desapegar. Tenho mais de 30 Funkos Pops originais e mais um monte piratão. Dá pra fazer uma boa grana pra equilibrar as gastanças anteriores. Sobre a coleção de 2025, fiz um post com o TOP 5 adquiridos de actions figures, no post anterior a esse. Vou colocar o link aqui e depois no final da retrospectiva.

Justiceiro e Amazon
Ainda sobre colecionismo, tive um problema com a Amazon, pela primeira vez em muitos anos. Comprei a figura dual pack do Justiceiro ( Punisher War Journal), simplesmente o melhor Justiceiro ja lançado pela Hasbro, na minha opinião. Comprei por menos da metade do preço no site, com selo Internacional, ja contando os impostos. Após uma incrível novela, o pedido foi extraviado pela transportadora, sendo que ja estava na minha cidade, conforme informações da propria Amazon. Após conversar com dois atendentes, me disseram que ia estornar o valor e ainda receberia o produto. Nada disso aconteceu e tive problemas por uns dois meses seguintes. Amazon me cobrando no cartão e o produto não chegou. Com muito custo, apos três meses, Amazon devolveu o valor integral no meu cartão mas fiquei sem o produto. Acabei que comprei pelo Mercado Livre por um preço super caro para padrão Marvel Legends. Comprei de raiva, por conta da decepção. Depois arrependi do dinheiro gasto, ja que 2025 esta sendo de contenção de gastos, mas o Justiceiro esta aqui na minha estante, e dentro do top 5 da coleção de 2025.  A historia completa também esta no blog e vou deixar o link aqui e no final do post, pra quem se interessar sobre essa saga.

Crise Financeira
Meo Deus, o que eu fiz? Gastei muito em 2024 e colhi as consequências em 2025. O serviço caiu drasticamente e os valores recebidos caíram 80% em janeiro. E continuou assim o restante dos meses, ate no meio do ano. As economias foram gastas pra tampar buracos, socorrer cartão. Quase quebramos umas duas vezes. Mas ainda estamos aqui, funcionando a base de muita reza. Carro quebrou, fui obrigado a arrumar. O conserto ficou em mais de oito mil reais. Pra quem estava afundado, tomar um golpe desse, não foi fácil. As estruturas balançaram. Ai fui fazer exame de vista e tomei outra pedrada com os preços da lente. Fomos ao fundo do poço, praticamente quebrados. E como merda pouca é bobagem, bateram no meu carro, na frente e atras, na mesma noite. E depois de novo. Ou seja, quatro vezes. Tá faltando muita reza ai, porque os pensamentos ruins estão de cima.

Misterchef
Como dito anteriormente, as vendas a partir de janeiro caíram 80% e se estendeu ate o meio do ano, provocando um desespero na empresa. Literalmente, quebrei duas vezes esse ano. Foi por pouco. Consequências disso, cartões parcelados e o que era lucro virou dividas. Ainda bem que após a metade do ano, em julho, as coisas voltaram ao que era antes, e as vendas aconteceram, o que deu um certo suspiro. Dizem que quando um paciente está morrendo, ele sempre melhora bastante em seus últimos momentos, pra depois morrer de vez. Foi bem isso. Agosto e setembro foram os piores meses do ano, muito também por culpa minha pois estava envolvido em outra frente, socorrendo outra questão da minha vida e o Misterchef ficou vários dias fechado. Chegamos em dezembro praticamente falidos. 

Para complementar o paragrafo anterior, agosto foi o PIOR mes do ano. Uma grande pancada. Procurando um novo norte e tentando não quebrar, fui pesquisar franquias e achei algumas no ramo de comida, mas dessa vez congelados. Solicitei uma "visita", que na verdade foi uma ligação, mas não gostei nenhum pouco da proposta. Mas essa conversa me abriu os olhos, pois se tenho um restaurante, com uma cozinha completa, por que eu mesmo não faço comida congelada. Pesquisei, estudei compulsivamente por dias ate entender um pouco sobre o negocio e decidi fazer marmitas congeladas pra testar e depois vender. Não rolou. Novamente, socorrendo outros pontos da minha vida, minha motivação pra mexer com marmitas foi por agua abaixo. Depressão, cansaço, vários erros seguidos na minha vida pessoal, prejudicaram tudo. Esse ultimo semestre foi o fim de praticamente tudo que eu planejei pra minha vida esse ano. Meo Deus.

Álcool
Fique 60 dias sem beber, janeiro e fevereiro. O dia que voltei a beber, dormi na rua de tão tonto. Não tem base as cagadas que faço. Hoje, continuo bebendo, mas não vou em bares caros, somente em bares pequenos onde a cerveja esta barata e tenha algum petisco também barato. Com a crise ja mencionada, infelizmente o álcool tem sido uma fuga dos problemas, mas em poucas quantidades. (mentira) E a escolha de locais baratos, esta ajudando bastante o financeiro. O que não pode é ir p boteco e tomar 10 cervejas sozinho. Quatro, talvez cinco, já esta mais que suficiente pra não perder o controle e sair por ai fazendo mais merda. Detalhes, não vou pra mais de 1,5 km de casa. Nunca mais fui em bares mais longe que isso. 

Confraria
Tivemos uma conversa sobre esse ponto (com o responsável) e lavamos a roupa suja. Apesar da vontade de participar novamente, acredito que não seja o momento. Ainda com um pouco de magoa e sinceramente, não querer fazer parte de um evento com 90% de bolsonaristas roxos, decidi por não voltar para Confraria. A minha atual crise financeira também está dentro dos motivos de não voltar. Quem sabe 2026. Mais provável que não volto nunca mais.

Filmes e Series
Teve alguns filmes e series esse ano que ate valeram a pena mas vou me concentrar em dois filmes que pra mim, foram os melhores de 2025. Superman e Quarteto Fantástico: Primeiros Passos.
Ainda teve o novo Parque dos Dinossauros, F1- o filme, Missão Impossível, Thunderbolts e noticias aos montes dos novos filmes dos Vingadores. Tem varias resenhas de filmes e também de livros no blog durante todo ano. Basta dar uma olhada ai.

Pessoal
Voltei para meu antigo relacionamento esse ano e fiquei no meio termo de morar na minha cidade ou mudar pra cidade vizinha, que a pessoa mudou por conta de serviço. Durou oito meses e terminamos novamente, dessa vez por conta de fofocas de outras pessoas. Fui acusado erroneamente e assim acabou nossa historia, de novo. Dessa vez sem volta pois ela não acredita em mim. Paciência. Estava um lixo nossa relação ja havia tempo e a gente não conseguia resolver isso. Eram cobranças, pressão, criticas o tempo todo e sem carinho. Não houve nem uma conversa final pra um olhar na cara do outro e perguntar se tinha acabado mesmo ou não. Agora é ficar firme, apesar da frustração, decepção e julgamentos das outras pessoas. Tive que mudar radicalmente de vida pra não surtar por conta da falta dela. Fiz terapia, exercícios físicos, recuperei minha rotina de leitura e meditações que havia perdido. Esquecê-la foi uma das coisas mais difíceis que ja fiz na vida. E pra falar a verdade, nem sei se consegui. Penso nela todos os dias da minha vida, até hoje, mas não vou conversar com ela nem ir atras, pois não sei como vai ser a reação, se vai me tratar mal ou bem, realmente não sei. A unica certeza que tenho é que na minha atual situação, física, mental e financeira, eu não sou uma boa companhia pra ela e não vou agregar em nada na vida dela. Então, quando me organizar financeiramente, estiver bem comigo mesmo, posso sim pensar no que fazer com relação a isso.

Familia
Vários problemas familiares, a convivência com eles está cada dia pior. Sempre fui julgado por largar a CLT e montar meu proprio negocio. As criticas vieram de todos os lados, dos amigos, da namorada, e principalmente do meu pai. Julgamentos infinitos que nunca acabaram, nem em 2024, quando eu tirava uma boa grana por mes. Em 2025, que a coisa apertou, digo de novo, não só o comercio em si mas devido às minhas atitudes, tentando resolver outras frentes, as cobranças e julgamentos voltaram com força total, ao ponto de me fazer surtar. Não foi fácil sobreviver a esse ano, foram muito estresse e raiva acumulada.

Resumo
Estresse, raiva, depressão, frustração e muita ressaca. Serio, achei que não chegaria vivo ao final do ano. Não to fazendo drama, nem se fazendo de coitado. Se não fosse a ajuda de estudos e terapia, eu tinha surtado e sabe la o que teria acontecido. Não foi fácil. E digo mais, não recuperei ainda, to em um processo, melhorando e piorando ao longo dos dias, mas pelo menos estou tentando. Chego hoje, no ultimo dia do ano, com muita dor no coração, muita coisa guardada aqui dentro que não consegui superar. Ainda tenho um longo caminho para a cura e crescimento. Um passo de cada vez, um dia de cada vez.

2026
Primeiro, sair do buraco que entrei. 
2025 foi disparado o pior ano da minha vida. Até agora. Quero que as coisas melhorem porque não pode piorar mais do que isso não.
Carro quebrado, falido, conta zerada, dividas da empresa, ex me odeia, meus amigos me julgam, meus pais me acham um fracassado e ainda sou um alcoólatra. Mais destruído que isso, só falta morar na rua.

Qualquer coisa que vier de bom pra 2026 já está valendo. Vai embora logo 2025 e nunca mais volte.

Links referencias:

Justiceiro e Amazon

Top 5 Action Figures 2025

Superman filme

Quarteto Fantastico: Primeiros Passos

F1- o filme

Missão impossivel

terça-feira, dezembro 30, 2025

Como Fazer Amigos e influenciar Pessoas

Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas - Dale Carnegie


Terminei Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas com uma sensação estranha, nada ali é exatamente revolucionário, mas quase tudo é negligenciado. É como se o Dale Carnegie estivesse o tempo todo dizendo “você já sabe disso”, e ainda assim provando que a gente não pratica.

A ideia central é simples e incômoda, em vez de condenar as pessoas, tentar compreendê-las. Parece bonito no papel, mas na vida real exige freio no impulso, ego sob controle e disposição pra ouvir. E ouvir de verdade. Carnegie insiste que magoar alguém não provoca mudança, só cria resistência. Ninguém melhora porque foi humilhado. Ninguém se transforma porque foi atacado.

O livro bate muito na tecla da aprovação. Nada alegra mais uma criança do que o reconhecimento dos pais, e isso não muda quando a criança cresce. Adultos continuam buscando validação, só disfarçam melhor. O desejo de ser importante, segundo Carnegie, é a necessidade mais profunda da natureza humana. Ignorar isso é ignorar como as pessoas funcionam.

Elogios aparecem como uma ferramenta poderosa, mas não no sentido raso de bajulação. O ponto é desenvolver interesse genuíno pelas pessoas. Quando o tratamento é sincero, o impacto fica. Quem é bem tratado não esquece. Quem se sente respeitado guarda isso por muito tempo.

Outro exercício difícil, talvez um dos mais difíceis do livro, é aprender a pensar pela perspectiva do outro. Enxergar as coisas pelo ponto de vista alheio exige sair do próprio centro, algo que a gente raramente faz. O mesmo vale para discussões. Carnegie afirma que o único jeito de se dar bem numa discussão é evitá-la. Difícil engolir, mais difícil ainda aplicar, mas faz sentido. Ganhar um debate e perder uma relação costuma ser uma vitória vazia.

Ele também fala de algo aparentemente pequeno, mas muito simbólico que é lembrar o nome das pessoas. Para qualquer um, ouvir o próprio nome é o som mais agradável que existe. Isso diz muito sobre atenção, presença e respeito. O mesmo vale para falar sobre assuntos que interessam ao outro, não só sobre o que a gente quer dizer. Nas conversas, a recomendação é clara, deixe o outro falar a maior parte do tempo. As pessoas gostam de quem as faz se sentir interessantes, não de quem tenta parecer interessante o tempo todo. Quando uma crítica for necessária, o caminho mais inteligente é elogiar antes. A crítica entra melhor quando não vem acompanhada de ataque.

Agora, nem tudo flui com a mesma leveza pois o livro é recheado de exemplos, muitos exemplos. Em praticamente todo capítulo, Carnegie apresenta uma sequência longa de histórias para sustentar uma ideia que, em muitos casos, caberia em um único parágrafo. O que poderia ser direto acaba virando capítulos extensos, repetitivos em essência. Isso torna a leitura cansativa em alguns momentos, principalmente para quem já entendeu o ponto logo no início. A sensação é de que o autor insiste até ter certeza absoluta de que a mensagem foi absorvida.

Ainda assim, talvez isso explique por que o livro atravessou décadas. Ele não confia apenas na teoria, ele martela, ilustra, repete, até que a ideia fique difícil de ignorar. No fim, Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas funciona menos como um manual e mais como um lembrete constante de algo simples, que pessoas são movidas por atenção, respeito e reconhecimento. E quase sempre a gente esquece disso.

segunda-feira, dezembro 29, 2025

Top 5 Action Figures Adquiridas em 2025


Tradicional top de Action Figures adquiridas no ano, agora é a vez de 2025. Vale reforçar, não estou falando de figuras lançadas neste ano, mas daquelas que entraram oficialmente pra coleção ao longo desse período. E, dessa vez, o Top 5 simplesmente não deu conta do recado. Teve muita coisa boa, muita peça marcante, muita história envolvida. Resultado: virou Top 10.

E foi a melhor decisão possível. Mais espaço pra comentar, pra contextualizar cada figura, pra falar de nostalgia, custo-benefício, escolhas conscientes (ou nem tanto) e, principalmente, do prazer de colecionar. Aqui não tem ranking técnico, somente vivência, memória afetiva e aquele olhar de quem realmente convive com as peças na estante.

Se quiser acompanhar de perto as fotos, detalhes e bastidores dessas figuras, não esquece de passar lá no nosso Instagram. A experiência fica bem mais completa.

@multiversodokaka

TOP 10 

10 - GIJOE - 4 GIJOE 


Coleção GI Joe, que começou justamente este ano. Não fiz nenhuma loucura pra comprar, peguei tudo em promoções relâmpago da Amazon. Figuras que normalmente giram em torno de 300 reais saíram por menos da metade do preço, então o custo-benefício foi excelente. Resolvi juntar as quatro em uma única colocação, até pra otimizar o ranking e deixar espaço para outras posições.

Entre elas, temos uma Sniper cheia de acessórios extras, provavelmente a melhor figura do grupo. Também está lá o querido ninja Storm Shadow, carregado de memórias afetivas, já que eu tinha a versão de 1987, conhecida na época como Dragão Branco. É uma figura linda, repleta de acessórios que remetem diretamente ao visual clássico. Temos ainda a Scarlett, a ruiva icônica dos GI Joe, simplesmente sensacional. E, por último, outro personagem que bate forte na nostalgia: o Blowtorch, o lança-chamas, lotado de equipamentos e efeitos de fogo.

Por ser uma coleção nova e que eu ainda não sei se vou continuar expandindo, ela fica com o Top 10 do ano.

9 - Jubileu Zubeldia da Silva, O Tiranossauro Carismático.


O Jubileu não é só uma action figure, ele é consequência direta de uma infância traumatizada por Jurassic Park e de um adulto que nunca superou a ideia de ter um dinossauro de estimação. Ele chegou depois de grande, pelo correio, numa caixa que parecia peça de carro, e desde então reina absoluto no quarto. Um T-Rex de cerca de 70 centímetros, cheio de charme plástico, dentes afiados de fábrica e aquele olhar de julgamento silencioso que avalia seu caráter assim que você entra no ambiente.

Aqui em casa ele atende por Juju. Já participou de discussões familiares, já derrubou o Wi-Fi ao pisar no roteador, já foi modelo de foto pro blog e já causou sustos legítimos ao cair da prateleira no meio da noite. Não impressiona por articulação, pintura premium ou fidelidade científica. Ele impressiona por presença. É impossível ignorar um tiranossauro com a cabeça levemente virada, como se estivesse sempre decidindo se você merece sobreviver.

O Juju está no Top 9 porque representa algo que pouca figura consegue hoje: encantamento puro. Ele não é só um item de coleção, é um lembrete de quando dinossauros eram milagres, não franquias esgotadas. E, sinceramente, se um dia eu desaparecer misteriosamente, faz sentido começar a investigação pela estante.

8 - Duende Verde, Hasbro, Marvel Legends



Escolher essa versão do Duende Verde foi uma decisão totalmente guiada pela nostalgia. É a primeira versão, a do desenho animado, aquela que tem a cara completamente fora do eixo, olhos arregalados, sorriso perturbador e uma energia de vilão que parece prestes a explodir a qualquer momento. A figura é bonita, bem esculpida, cheia de detalhes e transmite exatamente o que o Duende sempre foi,  imprevisível, caótico e desconfortável de se olhar. Não é só uma questão de fidelidade ao visual clássico, mas de personalidade pois você coloca ele na estante e ele te encara, provoca, incomoda. É o tipo de figura que resume o personagem sem precisar de pose mirabolante ou acessórios em excesso. Por isso o Top 8 é dele.

7 - Wolverine da CT Toys, Mafex (bootleg)


Apesar de ser um piratão assumido, comprado no AliExpress por menos de cem reais, esse Wolverine surpreende fácil. Dá pra ver claramente que os materiais são mais frágeis do que os de um Marvel Legends original, então não é uma figura pra ficar forçando pose o tempo todo. Ainda assim, pelo preço, a qualidade visual impressiona. O uniforme marrom escuro é simplesmente lindo, talvez uma das versões mais bonitas do personagem, e cai perfeitamente nele. É aquele caso em que você sabe onde está pisando, conhece as limitações, mas olha pra figura na estante e pensa: valeu cada centavo.

6 - Homem de Gelo, Guerras Secretas


Foi a mais recente aquisição do ano e, sem exagero, esse é o Homem de Gelo definitivo. Eu já tinha feito uma versão custom, pintada à mão sobre outra figura, o Visão Branco. Ficou até aceitável, mas nada comparado ao impacto dessa versão das Guerras Secretas. A figura realmente surpreende, vem com vários acessórios de gelo, uma mini pista, efeitos de poderes congelantes e ainda uma head extra, o que dá muita opção de display. É daquelas peças que você bate o olho e pensa “agora sim, é ele”.

5 - Avengers West Coast, Hasbro 


5 figuras no pack, o fato de ser cinco personagens na mesma caixa é algo surreal, foi a primeira vez que adquiri algo parecido e foi bem no começo do ano, lembro que foi uma baita promoção no mercado livre e que fiquei dando pulos de alegria pelo mes inteiro. Vingadores da Costa Oeste é muito nostálgico pra mim, pois quando era criança, adorava as revistas, principalmente Grandes Heróis Marvel, que geralmente traziam as historias desse grupo. Era o time B dos Vingadores mas achava o máximo. E depois disso, virou uma obsessão buscar os outros que faltavam. Já tinha comprado o Agente Americano, então estava faltando o Magnum, War Machine e Vespa. Não deu outra, acabei comprando nos meses seguintes na CiaToys, cada um por menos de R$ 99,00. Juntei com o Visão, Feiticeira Escarlate e She-Hulk que já tinha na coleção. Ai fechou, toda equipe estava pronta! Que emoção, isso é demais pra qualquer colecionador apaixonado e que tenha grandes recordações guardadas na memoria! Ficou sensacional!

4 – Justiceiro Dual Pack (Punisher War Journal)

Esse pack do Justiceiro entra no Top 4 tanto pela força das figuras quanto pela história que veio junto. As duas esculturas são excelentes, com presença forte na estante, acessórios bem pensados e um visual bem fiel ao clima mais sujo e urbano do Punisher War Journal. O Bushwacker é um vilão que muita gente esquece, mas aqui funciona perfeitamente como contraponto ao Justiceiro. E, claro, não tem como separar o pack do perrengue com a Amazon, pacote “perdido”, reembolso que não vinha, promessa que não se cumpriu, compra às pressas no Mercado Livre por um preço bem mais alto e quase dois meses de espera pra liberar o limite do cartão. Tudo isso pesa na memória, mas curiosamente acabou tornando o pack ainda mais marcante dentro da coleção. A história completa fica no link, mas o lugar dele no Top 4 é totalmente merecido.

Link do perrengue com a Amazon

3 - Psylocke e Thanos - Gamerverse Dual Pack


Esse dual pack da Marvel vs Capcom, linha Gamerverse da Hasbro, é simplesmente maravilhoso. Confesso sem exagero, foi por muito pouco que ele não bagunçou o Top 2 e o Top 1, porque qualidade não falta. As duas figuras têm presença, acabamento e identidade forte, daquelas que você coloca na estante e automaticamente viram protagonistas. A Psylocke está linda, elegante e mortal, com visual fiel ao jogo e uma pose que praticamente pede ação. Já o Thanos é bruto, imponente e cheio de personalidade, daqueles que dominam o espaço ao redor. Pra completar a experiência, ainda fiz a cadeira espacial do Thanos, um diorama simples, mas que encaixou perfeitamente e elevou o conjunto na estante. Um pack apaixonante, com gabarito real pra ser a melhor aquisição de 2025 e estar no Top 3 é quase uma formalidade. Depois confiram as fotos no instagram @multiversodokaka.

2 - Superman Hush - Mafex


Mais uma vez o Superman aparece no meu Top 3, mas agora garantindo a segunda colocação. No ano passado foi o da Mezco, e em 2025 o posto passou para esse Mafex, que simplesmente o substituiu a ponto de eu vender a versão anterior. Essa figura é mais articulada, mais bonita esteticamente e muito mais prática no dia a dia. Diferente do Mezco, que tem o uniforme inteiro em tecido e acaba te obrigando a deixá-lo quase intocado com medo de sujar, o Mafex resolve isso muito melhor, apenas a capa é de tecido aramado, fácil de ajustar, limpar e manusear. É uma figura quase perfeita, com presença absurda na estante, e só não ficou em primeiro lugar porque, literalmente nos últimos segundos, apareceu algo que conseguiu superá-lo.

1 - Spiderman Maximum Series - Hasbro


Sensacional, e assumiu a primeira posição nos últimos segundos do fechamento dessa lista. Ele ficou pau a pau com o segundo e terceiro colocados. Cheio de articulações, esse Spider-Man da linha Maximum Series tem uma enorme gama de poses graças aos mais de 35 pontos de movimento, o que permite recriar desde poses clássicas de balanço até cenas mais dramáticas de batalha. Ele vem carregado de itens: cabeça extra (inclusive sem máscara), várias mãos intercambiáveis para diferentes tipos de teia, linhas de teia longas, efeitos de teia em vários estilos e até acessórios como escudo de teia e base com efeito, tudo pensado pra você montar vários cenários legais na estante ou no diorama. A figura traz aquela vibe de quadrinho clássico que você queria, com um pacote generoso de extras que justificam bem o destaque no topo da sua coleção de 2025.

Fim

Fechar esse Top 10 foi mais difícil do que eu imaginava. Teve nostalgia, custo-benefício, frustração com compra, surpresa boa e aquela sensação clássica de “essa eu não esperava”. No fim, não é só sobre preço, marca ou hype do momento, é sobre o que cada figura representa na estante e na cabeça da gente. 2025 foi um ano estranho em várias coisas, mas olhando pra coleção, dá pra dizer que foi um baita ano. Agora é guardar tudo com carinho… e fingir que 2026 não vai tentar acabar com meu cartão de crédito.

Links:

TOP 5 - 2024

Amazon Justiceira


Juju, o ultimo dinossauro da casa

Maratona Pre-historica

quarta-feira, dezembro 24, 2025

Entao é Natal


Então é Natal, chegamos no dia 24/25 de dezembro.

Em algum momento atras, não muito distante, eu estaria me perguntando se chegaria vivo até essa data. É consegui. Enfrentei muitos monstros internos e externos pra chegar até aqui com sanidade e saúde. De verdade, achei que não conseguiria. Foi a base de muita terapia, doses fortes de álcool e muito exercícios, tanto físicos como mentais. Como diria Nietzsche, enfrentamos tantos monstros que se a gente não se cuidar, acaba se tornando um. É basicamente como estou me sentindo hoje, como se tivesse me tornado um monstro. Acho q fiz tanta coisa errada esses três últimos anos que perdi a razão em todos sentidos. Tomei varias decisões erradas, atitudes erradas, achando que estava tentando acertar, fazendo o bem, mas só causei o contrario. Pra mim e para os outros.

Não quero fazer desse post uma retrospectiva, até pq final do ano ja vou postar a de 2025. Ela esta praticamente pronta, mas o intuito desse post de natal é falar que esse é provavelmente o mais calmo e o mais sem significado pra mim. Eu perdi tudo esse ano, perdi minha empresa, minha estabilidade financeira, perdi o amor da minha vida, perdi minha sanidade mental. E quase perdi minha vida em diversos momentos nesse período de 2025. A terapia e a presença de poucos amigos ajudaram bastante a não piorar a situação. Dizem que as coisas ruins acontecem e devem ser encaradas como aprendizado. Eu não queria aprender nada, só queria ser feliz, mas não deu certo.

Hoje é dia de refletir tudo que passou nesse ano, pensar, chorar bastante e acreditar que 2026 será diferente. Precisa ser diferente. Mudar o rumo da minha vida financeira, estabilizar novamente, manter a saúde física e mental controlada e encontrar um proposito na minha vida. E depois que isso tudo estiver em ordem, e retirar todas as magoas do coração, quem sabe, ir atras de quem amo de verdade.

Feliz Natal!

sexta-feira, dezembro 05, 2025

O Telefone do Sr Harrigan


Tem filmes que chegam quietos, sem prometer muito, e acabam deixando uma pulga atrás da orelha. O Telefone do Sr. Harrigan é exatamente assim. E, claro, não dá para ignorar o motivo principal de eu ter ido atrás dele: Stephen King. O homem tem essa habilidade estranha de pegar situações simples, quase mundanas, e torcer até virar algo que mexe com a gente por dentro.

A história acompanha Craig, um garoto do interior que começa a ler para um milionário recluso chamado Sr. Harrigan. É um trabalho simples, quase uma rotina de companhia, mas que acaba moldando a formação do menino. Enquanto os colegas estão mergulhados no mundo dos celulares, e o filme mostra isso de maneira direta, com a escola literalmente separada entre quem tem iPhone, quem tem outra marca e quem não tem nada, Craig passa tardes inteiras lendo clássicos. Sem discurso motivacional, sem grandes lições. Só leitura mesmo, daquelas que vão afiando o pensamento aos poucos.

Quando Craig finalmente ganha um iPhone e decide comprar um igual para o Sr. Harrigan, o tom muda. Ali começa o que parece quase uma propaganda da Apple. iPhone pra todo lado, cena após cena. Mas o foco está em outro lugar. Após a morte do velho, algo que o trailer já entrega, Craig resolve ligar para o número dele por saudade, por hábito, por impulso. E a ligação retorna. Não com voz, mas com mensagens que nenhum aparelho deveria mandar.

A partir daí, o filme entra naquele território típico do King. O sobrenatural que não explica nada, não aparece claramente e mesmo assim bagunça tudo. Pessoas que Craig despreza começam a morrer de formas suspeitas. O “fantasma” atende, entende e executa. Não há sustos, não tem monstro, só um silêncio estranho que acompanha cada consequência.

Mesmo com essa camada sombria, o coração da história continua na relação dos dois. Craig carrega para a vida reflexões e trejeitos que são fruto direto dos livros lidos para o Sr. Harrigan. E é justamente esse peso que colide com o poder inesperado trazido pelo telefone. O filme vira uma conversa sobre responsabilidade, escolhas e as fronteiras do que a tecnologia deveria ou não atravessar.

No fim, O Telefone do Sr. Harrigan é um conto de amadurecimento disfarçado de suspense sobrenatural, com aquela assinatura clássica do King. O estranho entrando devagar na vida de alguém comum, até fazer tudo ressoar de um jeito desconfortável. Não é um espetáculo, não é explosivo, mas deixa aquela sensação de que algo continua vibrando depois dos créditos.

Filme está disponível na NETFLIX.

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terça-feira, dezembro 02, 2025

Quando você lê de verdade, os especialistas caem


Nos últimos dias mergulhei no Psicologia Financeira, do Morgan Housel, e essa leitura já mudou minha percepção sobre muita coisa. Não só sobre dinheiro, mas sobre a forma como a gente consome conteúdo, especialmente esses podcasts de investimento do YouTube, no qual vários caras aparecem com aquela postura de iluminado, citando livros como se fossem donos da verdade. Quando você não lê nada por conta própria, parece que esses apresentadores têm algo especial. Eles falam com segurança, repetem frases prontas, citam autores famosos e parecem realmente dominar os assuntos. 

Eu já admirei alguns deles. Achava que estavam me ensinando alguma coisa. Mas agora que estou lendo os livros que eles citam, percebi o quanto muitos desses podcasts ruminam frases de efeito sem contexto, sem profundidade e sem entendimento real. Os caras puxam trechos soltos só para reforçar opinião pessoal ou ideologia, principalmente quando o assunto é bilionário, meritocracia e fórmula mágica de enriquecimento. Virou quase um teatro pois eles não explicam o que leram; eles encenam.

Enquanto avançava no livro do Housel, fui percebendo como essas figuras soam rasas. No começo da leitura, até estava irritado com o livro. Achava repetitivo, meio distante da realidade de quem vive contando centavo. Parecia um livro escrito para quem já tem dinheiro sobrando. Mas conforme fui avançando, o texto começou a ganhar um peso diferente. No final do capítulo 2 veio a primeira virada de chave: ele diz que nós não aprendemos nada estudando exceções. Não adianta copiar bilionário, idolatrar casos isolados ou tentar repetir trajetórias que só deram certo porque a pessoa estava no lugar certo, na hora certa, com uma sorte absurda envolvida. E é exatamente isso que esses podcasts fingem não ver. Eles tratam exceção como regra. Eles pegam a história de um cara específico e transformam em “ensinamento universal”, como se todo mundo tivesse as mesmas oportunidades, o mesmo cenário e a mesma vida. É desonesto.

O capítulo 3 reforçou ainda mais essa percepção. Ele fala sobre ganância e sobre a dificuldade de reconhecer o que é “suficiente”. A busca eterna por mais faz muita gente se meter em riscos desnecessários, desgastar a própria paz e até perder tudo. Não por necessidade, mas porque nunca existe um limite claro. É uma verdade dura, que serve para qualquer pessoa mas que os podcasts ignoram completamente. Para eles, tudo se resume a correr atrás, arriscar mais, querer mais, buscar mais. E quando dá errado, dizem que faltou disciplina. É uma narrativa vazia.

Ao ler tudo isso, comecei a enxergar esses podcasts de outro jeito. Não como fontes de conhecimento, mas como vitrines de ego. Host que usa livros como escudo para parecer inteligente, mas que nunca aprofundam nada. Gente que cita autores que provavelmente nem entendeu. Gente que fala de dinheiro como se fosse um joguinho onde basta "fazer o que bilionários fazem" e pronto. Depois que você passa a ler de verdade, esse tipo de conteúdo perde a magia. Fica óbvio o quanto é raso. Fica claro que o cara não está te ensinando nada; está só repetindo, como papagaio, conceitos que não domina.

Eu ainda não terminei o livro, mas já é nítido o quanto ele me ajudou a perceber essas coisas. Não é só sobre finanças, é sobre pensamento crítico. É sobre separar conhecimento real de show. Ler por conta própria é o que desmonta ilusões e coloca as ideias no lugar. E sinceramente, só isso já vale a leitura inteira.

E no fim das contas, esse texto nem é exatamente sobre o *Psicologia Financeira*. Ele é sobre todos os livros que tratam de comportamento, dinheiro, risco e mentalidade. Obras que, quando lidas de verdade, mostram um mundo cheio de nuances, incertezas e fatores que ninguém controla. E aí a ficha cai, o problema não está nos livros, mas em quem distorce as mensagens deles.

É uma crítica direta aos podcasts de investimento que circulam por aí. Esses caras não querem ensinar. Eles querem moldar, eles querem vender os próprios cursos. Pegam teorias sérias e transformam em slogan motivacional. Usam histórias de bilionários como se fossem roteiro obrigatório. Ignoram completamente a sorte, o contexto, a realidade de cada um. Incentivam pessoas comuns a imitarem modelos impossíveis, como se tudo fosse uma questão de vontade e coragem. E quando dá errado, colocam a culpa na vítima. Se deu errado, é porque você não comprou meu curso. 

Ler por conta própria me mostrou o quanto isso é enganoso. A leitura revela o que eles escondem, complica o que eles simplificam e desarma a narrativa fantasiosa que eles vendem. Esse post é sobre isso, sobre ganhar consciência, enxergar as manipulações e finalmente perceber que o mundo real é muito mais complexo do que esses podcasts fazem parecer.

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terça-feira, novembro 04, 2025

A Substancia


Esse filme tenta vender a ideia de que é profundo, artístico e cheio de símbolos sobre ego, fama, moda e a obsessão eterna por permanecer jovem. Até funciona no começo. A tal substância que duplica a pessoa e cria uma versão mais nova é um conceito interessante, quase sci-fi, quase crítica social. O problema é que, quanto mais o filme avança, mais ele vai escorregando para um caminho esquisito, até virar aquele tipo de trash que passava de madrugada na Band, estilo Zé do Caixão com glamour decadente.

A história até tenta manter uma discussão séria sobre aparência e relevância, mas quando chega no final parece que alguém desligou o roteiro e deixou só o exagero tomando conta. E aí vem sempre o discurso: “Ah, mas é simbólico, é cult, é visão distorcida…”. Balela. Se a execução não sustenta a própria proposta, vira só barulho. E foi o que aconteceu. O final é ruim mesmo. Não estranho no sentido artístico, mas ruim no sentido de "que diabos eu acabei de assistir?".

A clone é lindíssima, claro, mas tem uma cara de psicopata desde o primeiro minuto. E isso funciona porque ela é literalmente a extensão corrompida da personagem da Demi Moore. A fome por fama, poder e validação comprimida em uma versão mais jovem e mais doida, não tem como dar certo.

Demi Moore entrega uma atuação competente. Tem presença, segura a personagem, passa vulnerabilidade e arrogância na medida. Mas indicação ao Oscar? Difícil engolir. A sensação é que a indicação veio mais pelo impacto do filme como “obra” e menos pelo que ela realmente entrega em cena.

No fim das contas, A Substância é um filme com boas ideias, visual forte e muita pretensão. Começa prometendo um debate interessante e termina como um show de exageros. Vale pela curiosidade. Mas, se você foi esperando uma obra-prima profunda e transformadora, vai se decepcionar.

terça-feira, outubro 28, 2025

Eden


Eden é aquele tipo de filme que começa com uma promessa sedutora: um grupo de pessoas largando tudo para construir uma “vida perfeita” numa ilha paradisíaca no fim do mundo. Só que a utopia desmancha antes mesmo de pegar no tranco. Dirigido pelo Ron Howard e com um elenco pesado, o filme se apoia numa história real das Ilhas Galápagos do começo do século passado, quando europeus desiludidos resolveram escapar da modernidade acreditando que a natureza pura iria salvar todo mundo. A velha ilusão de que o problema é sempre a cidade, o país, o sistema, nunca a gente mesmo.

O filme acompanha esse grupo chegando na ilha Floreana carregando mais expectativas do que água potável. Cada um tenta transformar aquele pedaço de terra em algo que cure suas dores pessoais: um quer paz, outro quer recomeço, outro busca fama, outro só quer fugir de si. A convivência entre eles vira uma panela de pressão silenciosa. Nada explode de imediato, mas o desconforto vai crescendo igual calor dentro de um carro estacionado no sol. É uma história onde a natureza selvagem não é o inimigo principal, a ameaça real está nos olhos, nas intenções e nas pequenas ações de cada um ali.

A ilha funciona quase como um espelho cruel. Tudo que eles tentavam deixar pra trás reaparece com mais força. E é aí que o filme acerta: ele abandona aquela vibe de “sobrevivência contra o ambiente” e abraça o caos emocional. Não espere um ritmo frenético ou cenas de ação mirabolantes. Eden é mais sobre tensão humana, manipulação, ego, fraquezas e o desespero crescente de perceber que a utopia não existe quando as pessoas que você levou pra construí-la estão quebradas por dentro.

Ron Howard entrega um drama que vai derrapando para o suspense aos poucos, sem pressa, mas também sem aliviar. A fotografia usa bem aquele isolamento brutal das Galápagos, e o elenco carrega a história com intensidade suficiente pra te manter desconfortável. Pra quem gosta de filmes sobre natureza humana em decomposição, Eden serve. Pra quem procura aventura leve, pode estranhar o clima mais denso e áspero.

No fim, o filme deixa uma sensação amarga, quase irônica. Essas pessoas fugiram da sociedade acreditando que o mundo estava errado. Mas a ilha não salvou ninguém, só tirou todos os filtros e deixou cada um diante da própria verdade. Às vezes é mais fácil acreditar numa utopia do que admitir que o caos sempre viaja dentro da gente.

O filme está disponível na Amazon Prime.

sexta-feira, outubro 17, 2025

Revolucao dos Bichos

Revolução dos Bichos
George Orwell

Terminei A Revolução dos Bichos e fiquei com aquela sensação incômoda de que a história não envelhece nunca. Orwell mostra como um grupo cheio de boas intenções pode se perder no meio do caminho, quando o poder sobe à cabeça e o discurso da igualdade vira ferramenta de controle.

A fazenda começa como um sonho coletivo, todos trabalhando por todos. Mas, aos poucos, os porcos tomam o comando, e o ideal vira farsa. O que era uma revolução contra a tirania termina com os tiranos vestindo as mesmas roupas e repetindo as mesmas atitudes de quem eles diziam combater.

É impossível não olhar pra esse livro e pensar no mundo real. Na política, nas empresas, até nas relações pessoais. A gente vê isso todo dia: pessoas que começam querendo o bem comum e acabam defendendo só o próprio interesse.

Orwell escreveu uma fábula, mas poderia muito bem ter escrito um manual sobre o comportamento humano. E é por isso que o livro continua atual porque a ganância e a hipocrisia continuam as mesmas.

quarta-feira, outubro 08, 2025

Caramelo - Netflix

Caramelo é um daqueles filmes que a gente começa achando que vai ser mais uma história fofa de cachorro e termina completamente desarmado, com o coração apertado e os olhos marejados. Mas o acerto do longa está justamente em não seguir o caminho fácil. Ele não é “mais um filme de cachorrinho”, e, graças a Deus, o caramelo não morre no final, o que já é um alívio para quem não aguenta mais ver esses dramas previsíveis onde o bicho vai embora só pra arrancar lágrima do público. Aqui, o foco é outro: a dor real das perdas humanas, aquelas que deixam cicatrizes de verdade.

Rafael Vitti vive Pedro, um chef de cozinha cheio de sonhos que vê sua vida virar de cabeça pra baixo depois de um diagnóstico de câncer. É nesse ponto que ele cruza o caminho do cachorro caramelo, o vira-lata que se torna seu companheiro inseparável. O filme emociona porque trata de temas que todo mundo teme encarar que é a doença, a finitude, o luto. E o faz com delicadeza, sem melodrama barato. A relação entre Pedro e o cachorro não é sobre salvar o humano, mas sobre dar sentido aos dias, encontrar um motivo pra continuar mesmo quando tudo parece ruir.

O que pega de verdade é que o roteiro toca fundo nas feridas que muita gente carrega. Eu, por exemplo, já perdi parentes para o câncer, e ver aquilo na tela foi como reviver uma dor que nunca some de vez. Não é o cachorro que faz a gente chorar é a lembrança das pessoas que se foram, dos abraços que a gente não deu, das conversas que ficaram pela metade. O filme entende isso, e por isso é tão humano.

Diego Freitas dirige com sensibilidade e evita transformar o drama em algo pesado demais. A trilha sonora acerta em cheio, os silêncios dizem tanto quanto as falas, e o olhar do Caramelo parece carregar uma sabedoria antiga, como se dissesse que o amor, mesmo nas perdas, continua sendo o que realmente importa. Caramelo não é sobre um cachorro. É sobre a vida e sobre a coragem de seguir em frente quando ela mostra seu lado mais cruel.

segunda-feira, setembro 08, 2025

Missão Impossivel - Acerto Final


Assisti hoje ao último capítulo de Missão Impossível e não tem como falar dele sem lembrar do anterior, já que na prática os dois formam um único filme dividido em duas partes. Meses atrás eu vi Acerto de Contas Parte Um e agora chegou a hora de concluir essa história com O Acerto Final.

A sensação que fica é bem clara: o primeiro me prendeu muito mais. É um filme de ação puro, cheio de sequências eletrizantes, perseguições, explosões e aquele ritmo acelerado que a franquia sabe entregar. Já o segundo caminha em outra direção. Ele se preocupa em explicar melhor as responsabilidades de Ethan Hunt, os riscos por trás da ameaça e todo o peso que a missão carrega. É mais técnico, mais voltado para a narrativa do que para a adrenalina.

Dá para entender a proposta: se no primeiro a ideia era colocar o público dentro da montanha-russa, no segundo o foco foi mostrar por que essa montanha-russa existe, o que a faz funcionar e quais são as consequências de não terminar a corrida. Só que essa mudança de ritmo deixa a experiência diferente. Eu saí da sala respeitando a construção, mas sentindo falta da intensidade que tinha me conquistado meses antes.

Curioso é que a crítica também apontou isso. Muitos destacaram que Parte Um é o espetáculo de ação que os fãs esperavam, enquanto O Acerto Final é mais denso, preocupado em amarrar a narrativa e dar uma conclusão “épica”. O resultado é um conjunto que funciona, mas que dificilmente vai ser lembrado com o mesmo entusiasmo de Protocolo Fantasma ou Efeito Fallout.

No fim, vale a jornada. Missão Impossível mostrou de novo porque se manteve relevante por quase três décadas: Tom Cruise continua se arriscando como se tivesse vinte anos e a franquia ainda sabe brincar com a linha tênue entre espetáculo e responsabilidade. Só que, dessa vez, a balança pesou mais para um lado do que para o outro.

sexta-feira, setembro 05, 2025

F1 - O filme


Brad Pitt volta às telas com F1: The Movie, um filme que já nasceu com a comparação inevitável: parece um Top Gun com carros de Fórmula 1. Dirigido por Joseph Kosinski, o mesmo de Top Gun: Maverick, o longa segue a história de Sonny Hayes, um ex-piloto que ficou décadas longe das pistas depois de um acidente e de uma vida marcada por escolhas erradas. Quando seu antigo colega, agora dono de uma equipe novata, pede ajuda, Hayes retorna ao mundo da F1 para guiar um time desacreditado e enfrentar tanto o fantasma do passado quanto a nova geração de pilotos, especialmente o talentoso Joshua, vivido por Damson Idris.

O que chama a atenção de imediato é o visual. Gravado em circuitos reais, com carros adaptados especialmente para as filmagens e câmeras montadas em pontos inéditos, o filme entrega uma experiência que funciona muito bem. A fotografia coloca o espectador dentro do cockpit e a trilha sonora de Hans Zimmer costura a emoção das corridas com a intensidade da história, criando aquele clima de adrenalina que não deixa a sala em silêncio.

A atuação de Pitt é carismática como sempre, sustentando a ideia do herói veterano que retorna ao jogo. Há momentos de rivalidade, cumplicidade e até humor entre ele e o jovem pupilo, numa dinâmica que reforça ainda mais a semelhança com Top Gun. É o típico blockbuster de verão: divertido, acelerado e com coração no lugar certo.

Por outro lado, o roteiro não arrisca muito. A narrativa é previsível e cumpre a função de guiar o espetáculo, sem aprofundar tanto nos dramas pessoais ou no lado mais cru da Fórmula 1. O foco está no entretenimento, e nisso o filme não falha. Para quem gosta de corrida, de ação ou simplesmente de assistir a Brad Pitt vivendo um papel feito sob medida para ele, F1: The Movie entrega o que promete, velocidade, emoção e aquele gostinho de querer ver mais e escutar os roncos dos motores.

quarta-feira, agosto 27, 2025

Tchau Agosto


Agosto terminou deixando um gosto estranho, daqueles meses que a gente olha pra trás e pensa “Meo Deus, o que foi isso”. No trabalho, as vendas quase não apareceram, e isso trouxe aquela velha sensação de estar nadando contra a corrente. Ao mesmo tempo, abriu espaço para repensar os rumos: comecei a estudar novos nichos, principalmente a ideia de incluir comidas congeladas no delivery de macarrão. A esperança é que essa frente consiga engrenar melhor, ou pelo menos complementar o que já existe.

Outra mudança foi investir no ChatGPT pago, que virou um braço direito para organizar a bagunça. Ajudar a desenrolar pendências, estruturar ideias de novos serviços, colocar ordem nos livros que já estão prontos e preparar a publicação deles para os próximos meses. Não deixa de ser curioso pensar que até esse texto aqui nasce desse apoio.

Na vida pessoal, agosto também foi um mês de decisões delicadas. Teve a questão da “pessoa”, e ainda a possibilidade de mudar de cidade. Não vou detalhar, porque faz parte do que prefiro guardar, mas o diário serve também como desabafo. Somando a tudo isso, o tempo para escrever foi quase inexistente, poucos textos publicados e uma certa frustração por não conseguir manter a constância que eu gostaria.

Financeiramente, o peso foi brutal. Além da reorganização que já vinha sendo necessária, entrou a consulta de vista, novas lentes que não são nada baratas e para piorar, um gasto alto com o carro que, no fim, nem ficou como deveria. A soma disso tudo deixou as contas em um nível crítico, daqueles que fazem repensar cada passo e cada centavo. To parecendo time de futebol brasileiro.

E no meio dessa montanha-russa, a mente também cobrou seu preço. Teve ansiedade, noites mal dormidas e até alguns momentos de pânico, mas nada que não dê para respirar fundo e seguir em frente, ate porque não tem outra alternativa. Talvez seja só o corpo lembrando que não é máquina, que também precisa de pausa. Setembro está aí e a esperança é que venha com mais equilíbrio.

sexta-feira, agosto 22, 2025

E se Henry Cavill fosse o Batman

E se Henry Cavill fosse escolhido para interpretar o Batman no novo DCU?


Henry Cavill já foi o Superman da nossa geração. Durante quase dez anos ele carregou a capa vermelha e o símbolo da esperança, mesmo em meio a um universo cinematográfico bagunçado e cheio de altos e baixos. Para muitos fãs, Cavill é o Superman definitivo, mesmo sem ter tido o filme solo que merecia. Só que o tempo passou, James Gunn assumiu o comando da DC, e agora o manto do Homem de Aço está nas mãos de David Corenswet.

Mas surge a pergunta: e se, nesse momento em que Gunn procura um novo Batman para dividir a tela com o novo Super, a escolha caísse justamente em Henry Cavill?

A ironia seria deliciosa. O mesmo ator que já foi a face da esperança, agora se tornando o símbolo do medo em Gotham. A mudança seria radical, mas não absurda. Cavill tem físico, presença e, convenhamos, uma cara que combina tanto com o charme do playboy Bruce Wayne quanto com a imponência do vigilante mascarado. E seria uma jogada ousada da DC: transformar o antigo Superman em um novo Batman, algo inédito no cinema de heróis em larga escala.

Claro, a primeira reação seria polêmica. Fãs do Superman veriam isso como uma espécie de “traição” à memória do personagem, enquanto outros comemorariam finalmente ver Cavill ganhar destaque em um papel que talvez tivesse mais espaço criativo do que o Superman de Zack Snyder conseguiu dar. O ator teria a chance de mostrar um lado mais sombrio, humano e quebrado, bem diferente do semideus kryptoniano.

E o impacto no universo compartilhado? Teríamos David Corenswet como Superman enfrentando Henry Cavill como Batman. Imagine a cena: o novo Super de rosto jovem, otimista, cheio de brilho, confrontando um Cavill mais velho, marcado e desconfiado. Seria quase uma metáfora visual da passagem de bastão, o Cavill que já foi a esperança, agora desafiando a nova geração no papel da escuridão.

E se Cavill entrasse mesmo nesse universo de James Gunn, o uniforme seria outro espetáculo à parte. Diferente da escuridão sufocante do Snyderverse, Gunn tem mostrado que gosta de cores vivas, de um mundo que não tem medo de ser quadrinhesco. Dá pra imaginar Cavill com um traje azul escuro combinado com cinza, nada exagerado, mas elegante, com detalhes amarelos destacando o símbolo do morcego no peito, quase como um respiro de luz em meio às sombras. E a máscara, essa sim, teria que ser intimidadora: um design agressivo, olhos penetrantes, pronta para congelar o coração de qualquer bandido de Gotham. Visualmente, seria sensacional, um Batman que equilibra a tradição sombria com a energia colorida que Gunn vem trazendo para o novo DCU.

No fim, talvez seja improvável que James Gunn arrisque tanto. Ele parece buscar um elenco mais “fresco”, sem as amarras do passado. Mas só de imaginar Henry Cavill vestindo a armadura do morcego, podemos sentir o peso dramático dessa escolha. Seria a maior reviravolta da história dos filmes da DC, e uma que com certeza colocaria todo mundo para debater por anos.

Porque, no multiverso dos fãs, sempre existe a possibilidade: e se Henry Cavill não tivesse sido apenas o Superman mas também o Batman?


quinta-feira, agosto 07, 2025

Loja Multiverso do Kaka

LOJA MULTIVERSO DO KAKA

Abrimos a Loja do Multiverso do Kaka!

Pois é galera, chegou a hora de dar tchau pra alguns itens da minha coleção. Mas calma, não é drama  é oportunidade!

Depois de anos acumulando Funkos, action figures e outras preciosidades nerds (e alguns exageros impulsivos em pré-vendas que nem chegaram a sair da caixa), decidi abrir espaço nas prateleiras e lançar a Loja do Multiverso do Kaka.

Sim, agora o blog tem uma extensão comercial! Um cantinho onde estou vendendo colecionáveis usados em ótimo estado, a maioria com caixa, e com aquele preço camarada que todo nerd raiz respeita. Nada de superfaturamento. É tudo feito por mim, com envio rápido, carinho e (claro) aquele toque de caoticidade que só o Multiverso tem.

A loja já está no ar e aos poucos vou cadastrando novos itens, então vale a pena ficar de olho, porque tem coisa rara vindo aí.

Se você curte cultura pop, quer completar a coleção ou simplesmente dar uma força pro trampo independente, cola lá:

loja.multiversodokaka.com.br

E ah, se tiver alguma dúvida, pode me chamar direto no Insta ou pelo contato do blog.

Valeu por sempre apoiar esse multiverso doido que construímos juntos!


quarta-feira, agosto 06, 2025

Jurassic World Rebirth


Só hoje assisti Jurassic World Rebirth, mais de um mes depois do lançamento oficial. Ou foi por falta de tempo ou falta de interesse também, dei prioridade ao Superman e Quarteto Fantástico, e ir sempre ao cinema, mesmo pagando meia, tá complicado quando o ingresso esta mais de 60 reais, fora estacionamento. 

Jurassic World Rebirth tenta reviver o espírito da franquia com uma nova roupagem, efeitos visuais de ponta e monstros ainda mais absurdos. Mas, no meio de dinossauros mutantes, turistas perdidos e vilões ruins, quem realmente salva o filme do desastre completo é Scarlett Johansson. Se não fosse por ela, seria só mais uma sequência esquecível entre tantas.

A história se passa anos depois de Dominion, numa realidade em que os dinossauros sobrevivem isolados em regiões remotas. Um grupo é enviado a uma ilha para coletar sangue de espécies específicas com a desculpa de criar uma cura para doenças cardíacas, um pretexto científico meio furado que ninguém engole, mas que serve para colocar os personagens no meio do caos. Claro que tudo dá errado, como manda o manual da franquia e o que era uma missão controlada se torna uma luta desesperada pela sobrevivência. E nisso incluímos um passeio caótico de barco, emboscadas na floresta e a ameaça de novas aberrações genéticas, como um Rex estranho, um monstro tão caricato que parece ter saído direto de um jogo de videogame ou melhor de uma franquia Alien pois ele tem uma testa gigante e é bem feio.

O filme tem direção de Gareth Edwards, que já mostrou talento em blockbusters como “Godzilla”, e aqui repete o bom uso da escala e do suspense visual. Algumas cenas realmente impressionam especialmente as sequências aquáticas e as tomadas noturnas, com uma fotografia que remete ao estilo clássico de Spielberg. A trilha sonora original também está lá com temas originais de John Williams. Só que nada disso segura o filme quando o roteiro insiste em andar em círculos e repete fórmulas desgastadas da saga. A narrativa parece ter medo de ousar e volta sempre para a mesma estrutura: grupo isolado, ameaça crescente, dinossauros descontrolados e uma grande fuga final. É simplesmente mais do mesmo e você chega no final do filme e não sabe qual deles está vendo porque simplesmente é igual aos outros.

E é aí que entra Scarlett. Interpretando Zora, uma bióloga cética e determinada, ela entrega uma atuação que eleva o nível de todo o elenco e isso não é exagero. Cada cena dela traz uma presença magnética que falta aos demais. Enquanto os outros personagens parecem correr de um lado para o outro apenas cumprindo tabela, Johansson injeta humanidade, dor, sarcasmo e tensão real em suas falas. Quando o filme tenta se perder no meio dos rugidos e explosões, é ela quem puxa o espectador de volta para a tela. Sua personagem até tem momentos de ação, mas o que realmente impressiona é o quanto ela consegue segurar o drama com os olhos e um simples silêncio. É um tipo de atuação que não se espera de um blockbuster de dinossauros e talvez por isso funcione tão bem.

Mahershala Ali e Jonathan Bailey têm seus momentos, mas estão presos a personagens mal desenvolvidos. O roteiro não dá muito espaço para que cresçam, e eles acabam ofuscados, mesmo com talento de sobra. Já o vilão é o estereótipo do executivo ganancioso e sem alma, daqueles que a gente já viu mil vezes e até cansa. Sempre fica clichê demais isso, parece que estamos vendo o mesmo filme varias vezes e no final, o vilão sempre é devorado. Os civis perdidos na ilha também não ajudam, são caricaturas de “família em apuros” que mal justificam o tempo de tela. Bem fraco mesmo.


Antes de finalizar, não podia deixar de mencionar essa parte do filme. Mesmo com tantos dinossauros novos, mutações bizarras e monstros inventados em laboratório, nada supera o impacto que o velho e conhecido T-Rex ainda causa. Ele aparece pouco, quase como uma lenda viva, mas rouba a cena com facilidade. Surgindo do nada e com seu clássico rugido que arrepia até quem já viu isso mil vezes em poucos minutos, o T-Rex lembra a todos por que ele sempre foi o verdadeiro rei do parque e entrega a melhor sequência do filme. É uma participação rápida, mas poderosa o suficiente para deixar a sensação de que a franquia não precise inventar tanto quando já tem um ícone desse calibre no elenco.

No final, Jurassic World Rebirth não é um completo desastre, mas também está longe de ser o renascimento prometido. Tem bons momentos visuais, cenas de ação divertidas e um clima nostálgico que pode agradar aos fãs mais fiéis. Mas sinceramente, falta coragem narrativa e sobra fórmula reciclada. O saldo só não é mais negativo porque Scarlett Johansson entrega uma performance tão acima da média que parece ter vindo de outro filme. Se a Universal quiser mesmo recomeçar a franquia, talvez o segredo não esteja em dinossauros maiores ou mutações mais bizarras mas em personagens que realmente importem, como o de Zora. E, de preferência, com Scarlett no comando. A gente agradece e por favor tragam a Bryce Dallas e coloquem junto com a Scarlett. 

Até a próxima!

quarta-feira, julho 23, 2025

Quarteto Fantastico Primeiros Passos

Assisti à pré-venda de Quarteto Fantástico hoje e agora vamos para uma mega análise do filme. Infelizmente, não vai dar pra evitar os spoilers, então se você não viu o filme e pretende assistir, pare de ler agora.


Começo dizendo, como é bom assistir a um filme de super-heróis de verdade. Depois de tantos filmes ruins, fracos e outros apenas medianos da Marvel, Quarteto Fantástico veio pra quebrar essa sequência. Que filme gostoso de assistir! Divertido, emocionante, direto ao ponto. Sem enrolação. Ele traz as melhores características dos personagens, com diálogos cativantes, ação na medida certa e um enredo que se desenrola com agilidade, sem parecer apressado ou superficial. Tudo se encaixa tão bem que você até esquece que um dia existiu Capitão América 4.

Logo de cara, os quatro fantásticos são apresentados num estilo de resumo televisivo, mostrando seus primeiros anos de ação, enfrentando vários vilões clássicos das HQs, como o Homem Toupeira, entre outros nomes saídos direto das páginas mais psicodélicas da Marvel. É uma bela homenagem à fase Jack Kirby.

A história começa a ganhar peso quando Susan Storm descobre que está grávida, o que deixa Reed Richards completamente desorientado. E antes que o grupo possa sequer lidar com isso, surge a Surfista Prateada, desta vez, uma mulher, Shalla-Bal, avisando que a Terra está prestes a ser destruída por Galactus.

É aí que o filme ganha níveis extraordinários.

O Quarteto viaja até a imensa nave de Galactus para confrontá-lo mostrando uma tecnologia fora do comum. Lá, Sue já está com a gravidez avançada e Galactus revela que está interessado no bebê, afirmando que a criança, Franklin Richards, é tão poderosa que poderá saciar sua fome eterna e até substituí-lo como novo devorador de mundos.

Galactus tenta barganhar a segurança da Terra em troca do bebê. (Ele nem nasceu ainda...)

A cena é tensa. O Quarteto recusa e foge, voltando para a Terra com a missão fracassada. E como era de se esperar, a população começa a pressioná-los para que entreguem o bebê e salvem o planeta. Mas não. Eles decidem lutar. Montam um plano para atrair Galactus para uma armadilha.

Nesse momento, o filme mostra o verdadeiro valor do trabalho em equipe e da confiança familiar. É Johnny Storm quem consegue convencer a Surfista Prateada a mudar de lado no final do filme e ela, num arco rápido mas impactante, decide ajudar o Quarteto a salvar o mundo.

O embate final é visualmente espetacular, digno de cinema. E quando tudo parece perdido, Susan Storm mostra que é, provavelmente uma das super heroínas mais fortes já apresentada nos filmes ate agora, pois ela peita Galactus na fúria. Claro, o que uma mãe faz pra proteger seu filho né, mas te falo, foi um confronto surreal. No final, ainda temos um deslumbre do que o bebe Frankilm será capaz de fazer, pois ele salva sua mãe de uma forma misteriosa e não explicada. Um ato silencioso e poderoso, que planta as sementes para o que virá.

Sobre as cenas pos créditos, são duas. Mostra pouca coisa mas finalmente estamos vendo um deslumbre do grande vilão dessa saga Multiversal. Podemos ver Sue, indo ate a sala onde esta Frankilm, agora com 4 anos e assistimos o bebe rindo para uma pessoa com capuz verde e mascara metálica na mão. É a primeira vez, oficialmente, que Dr. Doom aparece no MCU. Não é possível ver seu rosto, pois esta de frente pra o garoto e de costa pra câmera, porem, já da pra imaginar muita coisa.

A segunda cena, é apenas um mini trailer do desenho do quarteto fantástico, aquele super antigo. Não agrega nada a historia, mas mantém o tom nostálgico do filme e funciona como um tributo.

Resumindo: Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é um filme sobre família, união e propósito. Um dos melhores filmes já feitos ultimamente pela Marvel. O clima retrô futurista é sensacional, a direção de arte é linda, e o roteiro consegue equilibrar ação, emoção e humor sem forçar a barra. Não espere multiverso, não espere participações especiais. O filme é sobre o Quarteto e ponto. Como se tivesse saído diretamente das páginas das HQs, com ritmo ágil, lutas intensas e um vilão à altura.

É o tipo de produção que mostra que a Marvel ainda sabe fazer cinema de herói com alma. Agora é torcer pra que não percam a mão na sequência pois Dr. Doom vem ai e esses dois filmes dos Vingadores prometem muito. Acredito que será épico.


segunda-feira, julho 21, 2025

Quarteto Fantastico

Eles foram os primeiros, antes mesmo dos Vingadores, X-Men ou do Homem-Aranha, a Marvel moderna nasceu com o Quarteto Fantástico. Criados por Stan Lee e Jack Kirby em 1961, eles não eram apenas super-heróis com poderes incríveis, eram uma família, com todas as imperfeições, brigas, piadas internas e laços inquebráveis que isso implica. O sucesso da equipe foi tão grande que marcou o início da chamada "Era de Prata" dos quadrinhos, uma fase em que os personagens deixaram de ser apenas fantasias ambulantes e passaram a ter dilemas reais, sentimentos e personalidades complexas.

A origem do Quarteto é bem especifica. Uma expedição ao espaço para estudar raios cósmicos dá errado e transforma quatro pessoas comuns em algo extraordinário. Reed Richards, o cientista brilhante e ambicioso, ganha a habilidade de esticar seu corpo como borracha, simbolizando sua mente elástica e visão de futuro. Sua namorada, depois esposa, Susan Storm se torna a Mulher Invisível, capaz de desaparecer e gerar campos de força. Seu irmão, Johnny Storm, se transforma no Tocha Humana, um adolescente impulsivo que literalmente pega fogo, voa e solta labaredas. E o melhor amigo de Reed, Ben Grimm, vira o Coisa, uma criatura de pedra com força sobre-humana e um coração sensível escondido sob toneladas de sarcasmo e dor existencial.

Mas o que sempre diferenciou o Quarteto dos outros heróis foi o tom de suas histórias. Eles não usavam máscaras, não tinham identidades secretas e, em vez de patrulharem a cidade à noite, enfrentavam ameaças cósmicas, exploravam dimensões paralelas e brigavam como uma verdadeira família disfuncional. O prédio deles, o Edifício Baxter, era tanto uma base científica quanto um lar. Entre um ataque do Doutor Destino e uma viagem à Zona Negativa, havia espaço para discussões sobre contas de luz, paixões mal resolvidas e piadas infames do Johnny para cima do Ben.

E falando em vilões, o Quarteto teve alguns dos mais emblemáticos da Marvel. O Doutor Destino é provavelmente o maior deles. Um ditador, cientista, mago e narcisista que considera Reed Richards seu eterno rival. Há também Galactus, o devorador de mundos, e seu arauto, o Surfista Prateado, que começa como inimigo mas se torna um dos personagens mais poéticos e trágicos do universo Marvel. Outros como o Homem-Toupeira, Annihilus, Super Skrull e até os Skrulls como raça inimiga desafiaram o Quarteto em batalhas que misturam ciência, filosofia e muita porrada interdimensional.

No cinema, no entanto, a história foi menos épica. O Quarteto Fantástico teve três adaptações principais até agora: os dois filmes lançados em 2005 e 2007, com um clima mais leve e um Doutor Destino bem aquém do que ele merece; e o infame reboot de 2015, sombrio, confuso e mal resolvido. Nenhum deles conseguiu capturar a essência grandiosa, científica e familiar dos quadrinhos. Mas a esperança se renovou com o anúncio da Marvel Studios, uma nova versão vem aí, prometendo finalmente fazer jus ao legado dessa equipe que começou tudo.

O Quarteto Fantástico é mais do que superpoderes, eles são exploradores, cientistas, irmãos, um casal apaixonado, um monstro gentil. E acima de tudo, são o coração da Marvel. Porque no fim das contas, antes de qualquer batalha cósmica ou viagem no tempo, o que move o Quarteto é aquilo que move todos nós, a tentativa de encontrar nosso lugar no universo mesmo que ele esteja cheio de ameaças alienígenas e vilões com armaduras metálicas.

Quarteto Fantastico estreia dia 24 de julho nos cinemas. Já garanti minha pré dia 23. Em breve, resenha do filme.

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sábado, julho 19, 2025

Queria ser igual ao Indiana Jones

Às vezes eu paro e penso: onde foi que eu errei

Estudei ciências sociais, mergulhei nos mistérios da antropologia, aprendi a decifrar comportamentos humanos, sistemas de poder, estruturas sociais e mesmo assim, nunca precisei fugir de uma pedra gigante rolando atrás de mim.

A verdade é que, no fundo, bem lá no fundo, eu queria ser o Indiana Jones.

Sério. Acordar de manhã, jogar um chapéu fedora na cabeça, colocar uma camisa de linho amarrotada, pegar o chicote (que eu não saberia usar sem arrancar a própria orelha), e sair por aí desvendando templos antigos. Seria o auge da minha carreira acadêmica. Imagina eu, cientista social, antropólogo nato, escapando de armadilhas mortais enquanto explico a dialética hegeliana pra uma estátua asteca. Uma mistura de Gilberto Freyre com Tomb Raider.

Mas a realidade é que, em vez de ruínas sagradas, o que eu encontrei foram reuniões de departamento, fichamentos intermináveis e discussões acaloradas sobre o conceito de “cultura” com gente imbecil que acha que Foucault é verbo. Ao invés de correr de tribos hostis, corri de prazos de entrega. Ao invés de artefatos místicos, achei relatorios que ninguem lê. E, como se não bastasse, ainda tive que aprender a explicar o que é democracia num Brasil no qual bolsonarista acha que ditadura foi “ordem e progresso” e acha que Karl Marx é nome de banda de rock comunista.

E o pior, nunca, jamais, encontrei um tesouro escondido. O máximo que descobri foi um pacote de bolacha esquecido no fundo da gaveta do guarda roupa. (Estava aberto. E sim, eu comi.)

A verdade é que ser Indiana Jones exige coragem. Mas ser cientista social também. Afinal, a gente encara discursos absurdos todos os dias, entra em debates tóxicos no Twitter, tenta explicar o que é mais-valia pra gente que acha que Marx era jogador da seleção alemã e ainda ouve bolsonarista chamando o governo atual de “extrema esquerda”, como se o Brasil tivesse virado uma comuna soviética só porque tem arroz no prato e vacina no posto.

Mas olha só, ainda dá tempo. Vai que aparece uma ONG doidona precisando de alguém pra fazer trabalho de campo em alguma civilização perdida na floresta amazônica, com uma equipe maluca e um helicóptero velho. Eu topo. Só me avisem com antecedência que eu levo repelente e uma muda de roupa extra. Porque glamour é legal, mas pernilongo não perdoa nem herói de ação.

Enquanto isso, sigo aqui. Entre um post e outro nesse blog, com o chicote invisível da crítica social na mão e o chapéu imaginário do escapismo cultural na cabeça. Porque no fim das contas, todo cientista social tem um pouquinho de Indiana Jones. A gente só troca a selva por textos no Multiverso do Kaka e os templos antigos por comentários que perguntam se “ciência social dá dinheiro”.

Mas o espírito? Ah, esse continua aventureiro. Ou não.