Clássico imperfeito, mas cheio de charme
Assistir A Máquina do Tempo hoje, tantos anos depois do lançamento, é quase como fazer uma pequena viagem no tempo também, não só pela história, mas pela forma como o cinema era feito naquela época.
A primeira coisa que chama atenção é como esse filme se aproxima muito mais da adaptação dos anos 2000 do que do próprio livro de H. G. Wells. Aqui, o viajante realmente experimenta a viagem no tempo como a gente imagina, passando por diferentes épocas, observando mudanças no mundo e até presenciando momentos ligados às duas guerras mundiais, ainda que de forma rápida. Essa sensação de atravessar eras, vendo tudo mudar ao redor enquanto ele permanece ali, não é muito bem trabalhada mas, curiosamente, é algo que o livro original não explora tanto quanto deveria.
E tem um ponto que, pra mim, é parte fundamental da experiência, o charme dos efeitos especiais antigos. É tudo claramente datado, com soluções simples e até meio “mal feitas” para os padrões de hoje, mas isso não atrapalha, pelo contrário, dá uma identidade própria ao filme. Os Morlocks, por exemplo, são basicamente atores sem camisa com um capacete de monstro, algo bem artesanal, mas que ainda assim funciona dentro da proposta e acaba sendo até divertido de assistir.
Já os Eloi seguem outro caminho. O filme aposta forte na estética, com um futuro cheio de figuras quase perfeitas, e sim, com muitas donzelas bonitas. A personagem Weena, inclusive, acaba sendo um destaque nesse sentido, e não dá pra negar que o filme cria aquele tipo de cenário que faz o espectador pensar, mesmo que em tom de brincadeira, em como seria viver naquele futuro ou até trazer alguém de lá de volta (Weena). E, claro, já que estamos falando de viagem no tempo, sempre fica aquela ideia inevitável de dar um pulinho no futuro só pra conferir o resultado da próxima Megasena.
O final também merece destaque. A sequência com os Morlocks atacando o viajante é bem próxima do que lemos no livro, assim como o epílogo, com ele relatando a experiência aos amigos. E o detalhe da flor deixada por Weena, encontrada no bolso, fecha a história de uma forma simples, mas muito eficaz, mantendo essa conexão emocional com a jornada que ele viveu.
No fim, A Máquina do Tempo de 1960 é aquele tipo de filme que você não assiste pela perfeição técnica, mas pela experiência ainda mais porque acabei de ler o livro. Ele pode ter efeitos datados e soluções simples, mas compensa com ideia, atmosfera e um certo charme que só os clássicos conseguem ter. É uma viagem no tempo dentro e fora da tela.
Assisti o filme pelo You Tube, de graça.
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