Quando o Céu se Engana: entre o humor e a reflexão sobre destino
Assistir Quando o Céu se Engana é uma experiência curiosa. Não é exatamente o filme que você espera, e talvez aí esteja tanto o acerto quanto o problema dele. Logo de cara, ver Keanu Reeves interpretando um anjo já causa um certo estranhamento. Não é ruim, mas é no mínimo curioso.
Existe até um certo charme nisso, porque foge do padrão, mas ao mesmo tempo parece que o filme nunca decide se quer levar isso para o lado mais leve ou mais sério.
A ideia central é muito boa, pois o filme trabalha com essa noção de destino, de consequências, de que a vida pode ser uma sequência de escolhas que, de alguma forma, já estavam desenhadas. É o tipo de proposta que naturalmente faz você olhar para si mesmo e pensar na própria vida, nas decisões que tomou e nos caminhos que acabou seguindo.
Só que, no meio disso tudo, o filme parece tentar empurrar uma sensação de conformismo, como se tudo já estivesse escrito e a gente estivesse apenas vivendo aquilo que merece, sem muito espaço para mudança real. É uma visão que me incomoda um pouco, porque tira parte da responsabilidade ativa das nossas escolhas e coloca tudo quase como inevitável.
E talvez o maior problema seja o tom. Em teoria, o filme flerta com a comédia, mas na prática isso não funciona tão bem. As situações até têm potencial, mas não chegam a arrancar risadas, pelo menos comigo, não funcionou nesse sentido. O que ficou mesmo foi a reflexão.
Não é um filme que você termina rindo, é um filme que você termina pensando. Pensando na vida, nas escolhas, no que poderia ter sido diferente, e talvez esse seja o verdadeiro impacto dele, mesmo que não tenha sido exatamente o que o filme prometia.
No fim, já vi filmes melhores, principalmente dentro dessa proposta, mas ainda assim, "Quando o Céu se Engana" consegue fazer algo importante, te tirar do automático por um tempo e te obrigar a olhar um pouco mais para dentro.
Caminhos do Crime está disponível no Amazon Prime.
.

Nenhum comentário:
Postar um comentário