quarta-feira, janeiro 14, 2026

Descondicionamento



Não sinto falta de migalhas.
Nem do mínimo.
Nem da confusão disfarçada de intensidade.

Não sinto falta da incoerência.
De hoje ser uma coisa
E amanhã outra completamente diferente.
De nunca saber onde está pisando.

O cenário era um caos, sim.
Instável, imprevisível.
E viver tentando organizar sozinho
Algo que nunca foi consistente.

A saudade que aparece não é da pessoa.
É do intervalo entre os conflitos.
Do silêncio depois da briga.
Da falsa sensação de que, se eu insistisse mais um pouco,
Dessa vez iria se sustentar.

Precisei cobrar o básico.
E precisei cobrar constância.
E precisei cobrar coerência.
E isso, por si só, já diz tudo.

Hoje consigo entender
Não perdi paz, perdi hábito.
Não perdi amor, perdi costume.
Não perdi futuro, perdi uma ilusão.

Não é falta.
É descondicionamento.

E passa.
.

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