domingo, janeiro 18, 2026

O Silencio


Silêncio não é ódio. É desligamento.

Não é raiva.
Raiva faz barulho.
Raiva pede palco, resposta, explicação, confronto.

O que vem depois é outra coisa.
Silêncio não nasce da força, nasce do cansaço.
Cansaço de tentar caber, de traduzir sentimento, de explicar o óbvio para quem nunca quis entender.

Quando fiquei em silêncio, não foi estratégia.
Foi limite.

Não foi castigo, foi economia.
Economia de energia, de palavras, de expectativa.
O desligamento não acontece de uma vez.
Ele começa no corpo.
Um aperto no estômago.

Um enjoo estranho.
Uma vontade de virar o rosto.
Uma preguiça emocional que não tem mais volta.

A gente não odeia quem se desligou.
A gente só não consegue mais sustentar.

Silêncio também é resposta porque ele diz tudo sem precisar ferir.
Diz “não me cabe mais”.
Diz “não quero”.
Diz “não preciso”.
Diz “já foi”.

Quem confunde silêncio com fraqueza ainda vive da reação do outro.
Quem aprende o silêncio já entendeu que nem tudo precisa de desfecho público.

Desligar não é apagar o que existiu.
É parar de alimentar o que machuca.

E talvez esse seja o gesto mais honesto que alguém pode fazer consigo mesmo
Não gritar, não atacar, não provar nada.
Apenas soltar.

O resto se resolve no tempo.

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