terça-feira, janeiro 13, 2026

O livramento que quase não percebi


Por pouco eu fiz a maior besteira da minha vida achando que era amor.

Por pouco eu mudei tudo acreditando que estava salvando uma relação, quando, na verdade, eu estava me apagando para caber.

Não foi uma decisão simples, nem repentina.
Foi pressão aos poucos.
Disfarçada de escolha.
Disfarçada de “se você quisesse, faria”.
Disfarçada de amor.

Mudar de cidade.
Largar o que eu tinha construído.
Recomeçar do zero em um lugar que nunca foi meu.
Tudo isso como prova de sentimento, enquanto eu sentia, cada vez mais, que estava sendo colocado contra a parede.

Não era convite.
Era ultimato.

Hoje eu consigo ver com clareza o roteiro que estava se formando.
Eu iria.
No começo, tudo pareceria certo.
Depois viriam as cobranças, as implicâncias, os jogos emocionais.
Eu começaria a andar pisando em ovos.
A me defender por existir.
A grilar.
A reagir.

E, como sempre acontece nesses casos, o papel já estava reservado
O vilão seria eu.

Não seria um término simples.
Seria um desgaste calculado.
Até eu cansar.
Até eu desistir.
Até eu sair quebrado, confuso, sentindo culpa por algo que nunca foi só meu.

Eu voltaria para casa dos meus pais pela segunda vez.
Mais destruído do que estou hoje.
Carregando a sensação de fracasso, não só de um relacionamento, mas de mim mesmo.

E o mais duro de admitir
enquanto eu ainda tentava salvar, entender, insistir…
já existiam substituições sendo testadas.
Outras opções sendo alimentadas.
Outros planos sendo preparados em silêncio.

Isso não começou ontem.
Só terminou ontem.

O cara novo não é o ponto central dessa história.
Ele é só a prova de que o desfecho já estava desenhado.
Enquanto eu pensava em mudar minha vida inteira, o outro lado já ensaiava o próximo capítulo.

Não foi um fim bonito.
Não foi limpo.
Não foi justo.
Mas foi um livramento.

Um livramento que dói, porque não veio com alívio imediato.
Veio com raiva, frustração e sensação de perda.
Mas, ainda assim, livramento.

Algumas coisas não dão certo para não acabar com a gente.
Algumas portas se fecham porque, se tivessem sido atravessadas, o estrago seria maior do que a dor de agora.

Hoje eu entendo
Não perdi uma vida.
Escapei de perder a minha.

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