Criaturas Extraordinariamente Brilhantes foi facilmente um dos filmes mais bonitos e emocionantes que assisti esse ano. E o curioso é que ele consegue fazer isso sem depender de grandes explosões emocionais ou cenas exageradas. É um filme delicado, humano e extremamente sensível, daqueles que vão conquistando aos poucos até você perceber que já está completamente envolvido pela história.
A ideia central gira em torno do polvo, tratado como uma criatura extraordinariamente brilhante, quase como um observador silencioso da humanidade. O filme brinca com essa inteligência do animal, inclusive colocando o próprio polvo como uma espécie de narrador em vários momentos, conversando diretamente com quem está assistindo e observando os humanos de uma forma quase filosófica. E sinceramente? Algumas das melhores reflexões do filme vêm justamente dele.
Só que, mesmo com toda a genialidade da ideia envolvendo o polvo, quem realmente rouba a cena é Sally Field. Que atriz absurda. Ela carrega o coração emocional do filme de uma maneira tão natural que é impossível não se apegar à personagem. Existe uma humanidade muito forte em cada cena dela, algo que faz o filme parecer extremamente sincero.
E talvez esse seja o maior mérito do roteiro. Ele consegue emocionar sem parecer artificial, não força lágrimas, não exagera nos dramas e nem tenta manipular emocionalmente o espectador o tempo inteiro. As emoções surgem naturalmente através das relações, das perdas, da solidão e principalmente da conexão improvável entre seres tão diferentes.
O mais bonito é justamente a mensagem que vai crescendo ao longo do filme. O polvo enxerga os humanos como criaturas meio entediantes, previsíveis e emocionalmente confusas. Mas aos poucos ele também começa a perceber algo importante, que as vezes, os humanos também conseguem ser criaturas extraordinariamente brilhantes.
E acho que foi exatamente isso que me pegou tão forte, porque no fundo não é apenas um filme sobre um polvo inteligente, é um filme sobre dor, afeto, conexão, envelhecimento, empatia e sobre como pequenas relações podem mudar completamente a vida de alguém. Quando terminou, fiquei com aquela sensação rara de ter assistido algo realmente especial, não só um filme bonito, mas um daqueles filmes que permanecem na cabeça por muito tempo depois dos créditos finais.
Criaturas Extraordinariamente Brilhantes está disponível na Netflix.

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