sábado, maio 30, 2026

Devoradores de Estrelas


Project Hail Mary foi um filme que me pegou de um jeito curioso, porque comecei assistindo esperando algo próximo de Interstellar e rapidamente percebi que a proposta aqui é completamente diferente. Apesar de quase toda a história acontecer no espaço, os dois filmes seguem caminhos muito distintos. E pelo menos pra mim, sim, Interestelar continua sendo muito superior.

A pegada de O Devorador de Estrelas é muito mais intimista e contida. A maior parte da narrativa acontece dentro da nave, acompanhando o cientista sozinho enquanto aos poucos vamos descobrindo, através de flashbacks, o que aconteceu antes da missão, quais eram as motivações da viagem e principalmente por que ele foi parar ali. O filme vai montando esse quebra-cabeça aos poucos, quase como um suspense científico misturado com drama existencial.

E preciso falar do alienígena. No começo, aquele ET de pedra me deu um desconforto absurdo. Não sei explicar exatamente por quê, talvez algum trauma aleatório de infância envolvendo criaturas estranhas de ficção científica, mas a aparência dele me causou um certo calafrio nas primeiras cenas. Só que conforme o filme avança, isso muda completamente. A relação construída entre o cientista e o alienígena acaba virando justamente uma das partes mais interessantes da história. Existe uma conexão muito humana entre os dois personagens, mesmo sendo criaturas totalmente diferentes. O filme trabalha amizade, confiança e cooperação de uma forma bem sincera, sem precisar exagerar emocionalmente, e honestamente, foi isso que mais me surpreendeu.

Outra coisa que achei interessante foi a ligação entre o nome da missão, “Hail Mary”, e o sobrenome do protagonista, Grace. Tem uma simbologia quase religiosa ali, como se toda a missão fosse literalmente uma tentativa desesperada de salvação da humanidade. Talvez muita gente nem perceba esse detalhe, mas achei uma sacada muito legal do roteiro.

O filme também acerta bastante nas explicações científicas. Mesmo sem transformar tudo numa aula cansativa, ele consegue brincar bem com conceitos espaciais, biologia alienígena, sobrevivência e exploração interestelar. Em vários momentos fiquei pensando se a humanidade algum dia realmente terá capacidade tecnológica para viajar tão longe assim pelas estrelas.

Mas nem tudo funciona perfeitamente. Em alguns trechos o ritmo realmente fica um pouco cansativo, principalmente porque o filme não aposta muito em ação ou grandes explosões emocionais. É uma ficção científica mais calma, focada em diálogos, ciência e construção de relação entre personagens, e para algumas pessoas, isso pode soar lento. Ainda assim, é um filme fácil de assistir e que consegue prender pela curiosidade e pela proposta diferente. Talvez não tenha o peso emocional, a grandiosidade visual ou o impacto filosófico de Interestelar, mas entrega uma experiência interessante, inteligente e bastante humana dentro da ficção científica espacial.

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