domingo, maio 24, 2026

Socorro - Analise do Filme


Socorro foi um daqueles filmes que me fizeram terminar os créditos olhando pra tela em silêncio tentando entender o que eu tinha acabado de assistir. Sério. Minha reação durante boa parte do filme foi literalmente: “meu Deus… o que é isso?”. Porque ele começa de um jeito relativamente comum, quase parecendo uma comédia romântica mais convencional, mas aos poucos vai se transformando numa espiral absurda de manipulação, tensão psicológica e reviravoltas que vão desmontando completamente qualquer expectativa inicial.

E talvez o mais desconfortável seja justamente isso, o filme não entrega uma sensação de justiça, muito pelo contrário. Com alerta máximo de spoiler, o vilão vence. E vence de todas as formas possíveis. Não existe catarse, não existe aquele momento clássico de alívio moral que muitos thrillers costumam entregar no final. O que sobra é um sentimento estranho de impotência, quase como se o filme estivesse esfregando na sua cara que o mundo real nem sempre recompensa pessoas boas.

A moral que ficou na minha cabeça depois dos créditos foi quase brutal na simplicidade, "proteja a si mesmo custe o que custar". Porque o filme trabalha muito com egoísmo, manipulação emocional, sobrevivência psicológica e jogos mentais entre os protagonistas. E talvez por estar lendo bastante sobre estoicismo, ansiedade, narcisismo e comportamento humano ultimamente, a experiência acabou batendo ainda mais forte.

O mais curioso é que, olhando superficialmente, muita gente talvez espere um filme mais leve ou até algo puxado para romance ou drama psicológico tradicional. Só que "Socorro" tem muito pouco de romantismo de verdade. O relacionamento entre os protagonistas vira praticamente um campo de batalha emocional, no qual cada conversa parece esconder alguma segunda intenção e cada reviravolta deixa a situação ainda mais desconfortável.

E é exatamente isso que fez o filme funcionar tão bem pra mim. Ele consegue sair completamente do caminho esperado e desandar para algo quase perturbador sem precisar depender de sustos baratos ou violência exagerada (eu tive sim alguns sustos). O desconforto vem das atitudes, das escolhas e principalmente da percepção de que algumas pessoas simplesmente atravessam qualquer limite para vencer.

Quando terminou, fiquei alguns minutos parado pensando: “como é que eu vou conseguir escrever uma resenha sobre isso?”

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